Tainara Gomes

Sou o que costumo classificar como: pararelo entre a fantasia e a realidade.

A incapacidade de amar sem dominar e a aversão aos gatos

Pessoas que não compreendem o comportamento felino certamente são incapazes de amar sem dominar. Quando alguém afirma não gostar de gatos usando como justificativa a falta de apego desse animal ao seu dono, automaticamente eu passo a analisar o comportamento dessa pessoa em relação aos que fazem parte do seu círculo, em especial, nos relacionamentos afetivos. Embora eu não possa generalizar, descobrir o quanto possessivas, chantagistas, dominadoras, dramáticas e tiranas são essas pessoas. Fazendo dos seus companheiros suas verdadeiras marionetes.


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É comum os gatos levarem a fama de traiçoeiros, falsos, apegados a casa, egoístas e mesquinhos. Enquanto os cães são elogiados pela sua lealdade e obediência ao dono. Muitos já me relataram: ''nossa, meu gato nunca me obedeceu, chamo e ele nem dá bola, nunca gostou de mim. Já o meu cachorro vem correndo, não importa quantas vezes eu chame, isso que é amor''. Aí que está o grande problema, de onde vocês tiraram a ideia que amor está atrelado a obediência?

Essa ideia se inicia nos relacionamentos humanos. O amor é associado a posse e realização das vontades, ou seja, ''se eu amo é meu, se é meu tem que fazer o que eu quero''. Essa ideia é aplicado não apenas entre casais, também pode ser observado entre genitores e seus filhos, irmãos, amigos e isso se estende até seus animais de estimação. Muita gente ainda não entendeu, mas amor não tem nada a ver com domesticação. Quando você ama alguém você cria um vínculo com ela, um laço, se for recíproco, essa pessoa estará a seu lado por livre e espontânea vontade, todavia, não significa que ela precisa realizar suas vontades e caprichos, ceder as suas chantagens emocionais ou aceitar ser manipulada.

Pessoas que não compreendem o comportamento felino certamente são incapazes de amar sem dominar. Quando alguém afirma não gostar de gatos usando como justificativa a falta de apego desse animal ao seu dono, automaticamente eu passo a analisar o comportamento dessa pessoa em relação aos que fazem parte do seu círculo, em especial, nos relacionamentos afetivos. Embora eu não possa generalizar, descobrir o quanto possessivas, chantagistas, dominadoras, dramáticas e tiranas são essas pessoas. Fazendo dos seus companheiros suas verdadeiras marionetes.

Alguém já deve ter ouvido de um(a) namorado(a): ''se você não fizer o que eu estou pedindo então não me ama de verdade''. Esse tipo de frase se encaixa perfeitamente em uma chantagem emocional. É justamente ela que faz pessoas passarem anos fazendo coisas, vestindo-se, comportando-se e expressando-se da forma que não são e não querem. Porém, na desesperada busca da aceitação e do medo de machucar o outro se submetem a todo tipo de humilhação, constrangimento, encarceramento e limitações. Não é relacionamento, é servidão. Como consequência, encontramos pessoas com vidas arruinadas, cansadas e sem vitalidade nenhuma. A busca pela aprovação é uma atitude autodestrutiva.

Mas, vamos voltar aos gatos. Como eles se comportam? Faz milhares de anos da sua aproximação com o ser humano, registros encontrados no antigo Egito mostram o quanto os bichanos eram adorados pelos egípcios, o culto a deusa Bastet(representada com a cabeça de um gato) era muito popular e importante para essa civilização. Contudo, os gatos nunca foram domesticados. Isso mesmo, seu comportamento embora tenha sido adaptado, eles nunca perderam o seu instinto caçador, territorialista, curioso e independente. São totalmente livres, no dia que quiseram ir embora certamente eles irão, se eles estão ao seu lado não é por imposição, é por amor. O gato não te enxerga como um mestre, te enxerga como um parceiro. Caso você seja tirano com ele, não espere um comportamento receptivo da sua parte, tão pouco que ele esqueça.

Que tal ao invés de criticarmos o comportamento felino pararmos para analisar nosso comportamento com o nosso semelhante? Passar a analisar como nos comportamos e a influência que exercemos sobre eles, mesmo que inconscientemente, é enriquecedor. Talvez, se tentarmos entender o comportamento desses animais seremos capazes de construir relacionamentos mais saudáveis, harmoniosos e acima de tudo respeitosos. O gato é a desconstrução perfeita da assimilação entre amor e posse.


Tainara Gomes

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