Tainara Gomes

Sou o que costumo classificar como: pararelo entre a fantasia e a realidade.

Quando vamos parar de responsabilizar a criação de expectativas e falar sobre responsabilidade afetiva?

Chegou a hora de devolvermos a vitalidade das relações humanas, abolir a falta de expectativas e passar a cobrar amores intensos, responsabilidade dos nossos parceiros e um verdadeiro comprometimento na relação. Amar não é pecado, demonstrá-lo menos ainda, ele não deve ser encarcerado por esse mundo cada dia mais narcisista. Se até o homem de lata quis um coração para ser capaz de demonstrar suas emoções, porque nós que o temos vamos desperdiçá-lo? Precisamos de mais amor e menos fingimento!


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Talvez, um dos maiores pavores que habita as relações humanas sejam as decepções, essa é gerada pelas expectativas, ao qual o novo modelo de interações aponta como o bode expiatório de todo desencanto, querem a todo custo extingui-la. Seria a expectativa a maior causadora da decepção ou a falta de responsabilidade afetiva e a desonestidade?

É comum quem deposita toda expectativa em relacionamentos se martirizarem quando descobrem que todo castelo de areia que criaram ao lado do outro desmoronar, ver cada pedacinho dele ser levado pelo vento apático e indiferente. E quando toda a ilusão começa á deteriora-se é comum que a parte responsável pela base de todo castelo responsabilizar-se pelo desfecho ter sido a destruição, contudo, a irresponsabilidade e a falta de comprometimento da parte oposta é esquecido, ocupando o segundo plano.

Todavia, a prioridade deveria ser uma analise mais profunda de como estão sendo construído os relacionamentos atuais. A falta de comprometimento tem sido decisivo, a verdade é, as pessoas estão com medo de amar, de entregar-se, e quando ocorre a entrega, ela é desprezada. Criou-se no imaginário das pessoas a ideia de cultivar á falta de interesse, indo de contra os próprios sentimentos. Os seres humanos estão usando armaduras, se protegendo contra o que deveria ser debatido e não temido.

Por essa razão, os relacionamentos transformara-se em duelos, onde quem se importa menos ganha, olha só, o amor sendo transformado em combate, em guerra de egos. Pelo visto, alimentamos demais os nossos egos ao ponto deles transformarem-se em monstros e mastigarem nossa capacidade em demonstrar afeto. Se tornou absurdo dizer que sentimos saudade, de como o outro é importante em nossa vida e como queremos construir um mundo particular com nossos parceiros. Todo esse jogo do desinteresse tem feito de nós máquinas, ou melhor, homens de lata.

Parece que com toda essa explosão tecnológica, o homem decidiu que não havia espaço para o amor. Estamos conectados o tempo todo, o mundo tornou-se pequeno e facilitou que a comunicação fosse ampliada e facilitada, de forma contraditória, isso afastou a espécie humana. Tememos os contatos reais, justamente por exigir maior comprometimento, quando relacionamentos acontecem queremos transformá-los em uma extensão do mundo virtual, onde simplesmente podemos criar fakes e vivermos como eles. O resultado é: adultos imaturos, irresponsáveis, mesquinhos e incapazes de gerir um relacionamento.

Chegou a hora de devolvermos a vitalidade das relações humanas, abolir a falta de expectativas e passar a cobrar amores intensos, responsabilidade dos nossos parceiros e um verdadeiro comprometimento na relação. Amar não é pecado, demonstrá-lo menos ainda, ele não deve ser encarcerado por esse mundo cada dia mais narcisista. Se até o homem de lata quis um coração para ser capaz de demonstrar suas emoções, porque nós que o temos vamos desperdiçá-lo? Precisamos de mais amor e menos fingimento!


Tainara Gomes

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