Tainara Gomes

Sou o que costumo classificar como: pararelo entre a fantasia e a realidade.

Quem é mais puta: a que dar no lar ou na rua?

Esse sistema de compra e venda dentro de um matrimônio é mais comum do que se imagina, o sexo é usado como moeda de troca. Pode parecer uma questão íntima entre casais, visto que, esse tipo de prática é aceitável. A frase: ‘’mulher tem que ser puta entre quatro paredes’' é largamente usada até mesmo entre sexólogos. Mesmo que apenas o lado comportamental seja considerado, o teor psicológico que envolve esse tipo de incentivo é deixado de lado. Ele não só discrimina quem está na rua se prostituindo, visto que reforça aquela ideia do sexo como restrito as paredes de um lar, como também dita um padrão comportamental em torno do prazer.


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Embora seja um tema sensível, muitas vezes deixado de lado, a prostituição doméstica existe. Imaginem o seguinte cenário: o marido quer fazer sexo com a sua esposa, mas ela diz estar indisposta, ele insisti, ela mais uma vez nega. Então ele, que deveria respeitar a decisão da sua companheira, tem a brilhante ideia de comprar sexo oferecendo a esposa um celular novo, uma bolsa daquela grife famosa ou um cartão de crédito com limite alto.

Esse sistema de compra e venda dentro de um matrimônio é mais comum do que se imagina, o sexo é usado como moeda de troca. Pode parecer uma questão íntima entre casais, visto que, esse tipo de prática é aceitável. A frase: ‘’mulher tem que ser puta entre quatro paredes’' é largamente usada até mesmo entre sexólogos. Mesmo que apenas o lado comportamental seja considerado, o teor psicológico que envolve esse tipo de incentivo é deixado de lado. Ele não só discrimina quem está na rua se prostituindo, visto que reforça aquela ideia do sexo como restrito as paredes de um lar, como também dita um padrão comportamental em torno do prazer.

Ainda que, seja discutido a prostituição doméstica sobre seu valor como moeda de troca. Vale salientar, esse tipo de prostituição pode ser coagida através de joguinhos psicológicos e ameaças, aquela velha história: ‘’se não acho em casa, encontro na rua’’. Isso faz da parceira não só um produto, como uma criada, caso não trabalhe direito perde a vaga. Não é raro encontrar parceiros adeptos desse tipo de abuso psicológico.

Como foi falado anteriormente, ferramentas para obter sexo dentro de um casamento é normalizado. Dado que, o casamento é mais ligado a posse do que realmente deveria ser, a cumplicidade. Entretanto, se analisarmos o significado real de prostituição, que significa vender-se, favores sexuais trocados dentro de uma relação não são diferentes dos serviços oferecidos no calçadão. Embora o último ainda enfrente com maior intensidade o risco da violência acompanhado da discriminação.

A prostituição raramente é uma escolha, quando o assunto são as profissionais das ruas. As chamadas ‘’Acompanhantes de Luxo’’ não gozam apenas de um posto privilegiado no mercado do sexo, como podem declarar a profissão como uma escolha. Filmes como Bruna Sufistinha não refletem nem 20% da realidade das garotas de programa, quantas meninas de classe média decidem um belo dia sair de casa e entrar na prostituição? Arriscaria uma porcentagem muito pequena. Em contrapartida, quantas garotas das favelas e periferias entram nessa profissão? Um número alarmante, em sua grande totalidade: sem escolha.

Dentro dos lares brasileiros, esse assunto tornou-se um tabu. Já que relações matrimoniais nada mais são que o ‘’pertencer’’. Por isso, a prostituição só é condenável quando a mesma foge dos limites de um lar, esse quadro não só implica para o aumento da opressão vivida pelas que estão na rua, como silencia o assunto dentro de uma relação. Justamente por isso, o estupro dentro de um casamento é desconsiderado, se ao marido a esposa pertence, o seu corpo também o pertence. Linearmente, é em quatro paredes onde a violência torna-se passível de não ser escutada.

No fim, não poderíamos separar mulheres como produtos separados por sessões em supermercado. A mulher deve questionar não só apenas o espaço que a compreende, como também deve ampliar essa visão para que alcance todas nós. Estamos suscetíveis ao mesmo tipo de opressão, todas nós pertencemos ao que eles chamam de ''segundo sexo’’ ou ‘’sexo frágil’’. A prostituição é o mercado onde todas nós em algum momento poderemos ser inseridas, não falo como opção, mas por condições desfavoráveis como por coerção. Esse assunto é sobre todas nós.


Tainara Gomes

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