Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over.
Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007)

Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era
o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever

a estratégia do décimo homem

O que fazer com uma unanimidade? Como se precaver contra situações que podem escapar à sensibilidade possivelmente míope daqueles envolvidos em uma unanimidade? A Estratégia do Décimo Homem diz que em um grupo de dez pessoas, se os nove primeiros concordarem, o décimo deve divergir!


É sempre perigoso quando todos os integrantes de um grupo concordam com uma determinada ideia ou a respeito de determinado ponto de vista. A concordância de todos parece induzir o surgimento de uma espécie de "lente social" intrinsecamente míope. Uma lente que passa a estabelecer opiniões e posicionamentos.

É como se com a concordância de todos ao redor de determinada questão surgisse uma espécie de tendência que empurrasse todos a reforçarem essa concordância. É como se um rito tribal aguçasse uma reação social que sintonizasse todos os "unânimes" a reagirem contra qualquer tipo de voz dissonante dentro do grupo.

"Toda unanimidade é burra! Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar!" Essa citação de Nelson Rodrigues ilustra a amplitude dos riscos corridos quando se configura uma unanimidade e um mecanismo que contribui para seu estabelecimento. A unanimidade cria uma zona de conforto para os "unânimes".

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A preocupação em evitar consequências terríveis associadas a uma possível miopia devida à uma unanimidade levou à Estratégia do Décimo Homem, comentada entre duas personagens no filme World War Z, de 2013. Nesse filme, o mundo é devastado por uma doença muito agressiva e que transforma homens em zumbis.

Sem entrar no mérito dos zumbis, ou mortos-vivos, que vêm ocupando ou preenchendo espaços cada vez maiores em filmes de cinema e em seriados de TV a cabo, alguns inclusive com produções bastante razoáveis, como personagens desse filme eles representam uma ameaça que precisa ser neutralizada.

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A Estratégia do Décimo Homem diz que em um grupo de dez pessoas, consultores ou gestores que precisem decidir algo, se nove delas concordarem sobre determinado assunto, é dever do décimo integrante discordar dos nove anteriores. E esse décimo homem deve discordar mesmo que isso vá contra suas próprias convicções.

No filme, antes do "apocalipse zumbi", uma notícia sem fontes confirmadas ou mesmo confirmáveis, vinda de um país distante, sugeria a existência de zumbis. Uma ideia assim tão absurda provocou a reação do décimo homem, que sugeriu a construção de muros para conter o avanço dessa ameaça improvável.

Independentemente dos desfechos ficcionais do filme ou do décimo homem ser na verdade o "terceiro homem" ou o "décimo quinto homem", essa estratégia pode ser aplicada na vida cotidiana. Quando uma ideia é apresentada em qualquer circunstância, devemos assumir uma postura semelhante à do décimo homem e avaliar diferentes possibilidades e diferentes cenários. Havendo argumentos dissonantes razoáveis, pode ser interessante seguir alguma linha diferente de raciocínio ou mesmo de ação. Não havendo inconsistências na ideia que estiver sendo proposta, é possível aceitá-la . Sempre em estado permanente de vigília!


Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over. Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007) Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever.
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