Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over.
Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007)

Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era
o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever

onde afinal se inspiram para tantos filmes de zumbis?

O conceito de zumbi e as estórias e filmes de zumbis existem há bastante tempo. Mas é verdade que nessas últimas temporadas há uma invasão de filmes e seriados de zumbis. Alguns realmente muito bem roteirizados e muito bem produzidos. Mas... por quê e para quê? E para quem?


Antes de começar, um alerta! E não é um alerta de spoilers, é um alerta de que este artigo não apresentará respostas. Mas, bem... vamos nos divertir um pouco com as perguntas. E (como escreveu Kurt Vonnegut no início de um de seus melhores livros) se tudo der errado na cozinha, nós podemos mais tarde pedir umas pizzas!

O meu primeiro contato com zumbis ocorreu quando eu ainda era criança. Eu andava apaixonado por filmes de ficção científica e eu assistia com meu pai a'O Planeta dos Macacos. Nesse filme, quando algum humano se diferenciava da média dos humanos ele sofria uma lobotomização. Perguntado sobre o que era essa tal lobotomização, meu pai respondeu com rapidez: "é uma transformação em zumbi!"

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Os anos foram passando e durante a adolescência eu ainda me mantinha mais ou menos atualizado com os últimos lançamentos do cinema. E nessa época houve vários bons filmes de ficção científica, mas poucas opções que incluíssem zumbis. Depois veio a faculdade e o início da vida profissional e eu tive que me tornar cada vez mais seletivo com os filmes que poderiam me interessar.

Então em meio à vida adulta e todas as suas turbulências e calmarias, eu estava em um hotel, durante uma viagem de trabalho, zapeando entre canais da TV a cabo, quando me dei conta que assistia a um filme de zumbis. Era um filme bastante bem humorado e inteligente sobre um rapaz que tinha algumas regras pessoais para sobreviver após um apocalipse zumbi. O filme era Zombieland.

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Algumas regras interessantes! "Coração forte" e "aquecimento". "Viajar com pouca coisa" e "apreciar as coisas simples". "Aperte os cintos" e "verifique o banco de trás". "Cuidado com banheiros" e "golpe duplo". "Se está em dúvida, conheça seu caminho de fuga" e, talvez o mais importante, "não seja o herói". Mas o conceito de apocalipse zumbi ainda me deixava intrigado.

Com o tempo eu naturalmente me peguei zapeando entre canais com uma frequência maior do que eu gostaria de assumir. E o acaso me levou ao filme I am Legend, de 2007, onde os zumbis não eram mortos-vivos, mas doentes muito agressivos. E havia um contraponto estabelecido pelo pastor alemão, muito inteligente, que acompanhava a personagem principal.

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Um certo acaso também me levou ao interessante World War Z que é um eficiente filme de ação e que mostra que os sobreviventes não seriam os afortunados, mas os prevenidos. A ideia de zumbis seria tão absurda que teria detonado uma reação contrária (em nítida previdência) e levado à construção de muros para impedir uma improvável invasão de zumbis.

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Refletindo um pouco, o blockbuster de ficção científica Matrix não deixa de ser um filme de zumbis. Alguns revolucionários maltrapilhos tentando reverter uma conexão estabelecida pelas máquinas e que cria uma simulação permanente que mantém a humanidade distraída. E quem não estiver devidamente preparado vai inclusive ser contrário a esses revolucionários.

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Atualmente, os recordes de público para seriados de TV a cabo vêm sendo batidos em sequência por The Walking Dead. Uma combinação de realismo excessivo, muita ação e efeitos especiais competentes e uma pitada do velho ambiente faroeste americano, com roteiros interessantes e bem cuidados, sempre funcionam bem.

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Em determinado episódio, após sequência cansativa de batalhas contra zumbis (e eventualmente humanos nem tão bem intencionados) as personagens principais refletem que eles na verdade são os walking dead, os mortos que caminham, os que permanecem vivos apesar de tudo se movimentando entre os mortos.

Alguns dias antes de alguma dessas efemérides, meses atrás, eu me encontrei circulando em um shopping center a procura de um presente de aniversário. Como sempre, havia ali muitas pessoas que caminhavam sem algum propósito aparente. Talvez pela segurança representada pelo prédio com acesso restrito ou simplesmente pelo conforto do sistema de ar condicionado. Eu queria um presente específico e por isso tive que procurar por algum tempo. Parecia que havia uma multidão aleatória, que mesmo não articulada, se movimentava em uma mesma direção. Olhavam para lados diferentes, para todos os lados, distraídos, ensimesmados, meio que sem propósito. Em uma das lojas de departamentos eu nem consegui entrar, porque eles se movimentavam próximo a porta, sem entrar ou sair, sem um movimento definido, mas ali, turbulentos, barulhentos, caóticos. Em outra loja, uma TV reproduzia um filme... shaun of the dead. Perto dali vendiam celulares com conexão 4G.

Enfim... vamos pedir umas pizzas?


Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over. Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007) Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever.
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