Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over.
Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007)

Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era
o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever

fui traído/a... e agora?

A primeira coisa.... "degustar" o momento trágico da descoberta, senão ele nunca vai ser superado. Depois, alguns cuidados básicos, como reconstruir a auto estima e avaliar as possíveis consequências do que ocorreu. Aí então será possível decidir como prosseguir e tomar duas decisões importantes!


O momento da descoberta da traição é algo rápido e deixa uma sensação de frio. Um frio profundo e perturbador, talvez por ser algo sempre tão solitário. Esse momento precisa ser "degustado" para ser superado. É necessário sentir o turbilhão de sentimentos que se apoderam de qualquer pessoa traída. Raiva, ódio, impotência, raiva, desprezo, decepção, raiva, insatisfação, infelicidade, raiva, incompreensão, raiva, melancolia, raiva, frio existencial, raiva e muita raiva...

Pois bem... nenhuma decisão pode ser tomada no calor do momento!

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É necessário conferir se a descoberta é verdade ou se o que se pensava ser uma descoberta é um engano. É necessário ter certeza! E esse processo de confirmação deve ser vivido com clareza de pensamento. As pessoas envolvidas tinham interesses em uma traição? Essas pessoas teriam coragem de trair? (Pode parecer incrível, mas muitas pessoas não tem coragem suficiente!) As pessoas envolvidas nessa suspeita de traição tiveram oportunidade para consumar a traição?

Essa confirmação faz parte do processo de superação!

Confirmada então a traição é necessário decidir como seguir em frente... e aí entram duas decisões muito importantes. A primeira delas é: decidir por si mesmo o que fazer. Será um divórcio? Uma separação? Um encerramento? Será manter o relacionamento? Não importa qual o caminho... é importante não deixar que outros influenciem essa decisão. E como "outros" aí se entendem aqueles indiretamente relacionados e mesmo aqueles diretamente relacionados.

Entre aqueles indiretamente relacionados com a traição encontram-se principalmente parentes e amigos e é óbvio pensar que qualquer decisão sobre como seguir em frente deve levar essas opiniões bem pouco a sério. Não dá pra decidir qualquer coisa preocupando-se com o que aquela tia vai pensar ou com o falta que a avózinha vai sentir do traidor. É claro que eu me balizo por famílias comuns para escrever este artigo, mas sempre podem existir famílias ponderadas que darão 100% de apoio nesses momentos.

Entre aqueles diretamente relacionados estão os dois infelizes: o elemento traidor (ela ou ele) e o elemento "terceiro" (desprezível). E esses não devem de modo algum influenciar na decisão sobre como seguir adiante. Continuar ou não continuar é decisão íntima de cada um, mas é difícil pensar que seja possível voltar a colocar a cabeça no travesseiro sem lembrar das iniquidades cometidas em nome de um pouco de diversão. E "um deslize" ou "um momento de loucura" não aliviam nada!

E o elemento "terceiro" não deve de fato influenciar qualquer decisão! Primeiro, porque ele não tem esse direito. Segundo, por falta de merecimento. E, terceiro, porque foi o elemento traidor que permitiu que ele transitasse pelo seu relacionamento, que chegasse sem ser convidado, que sentasse em seu sofá e que apoiasse as pernas sobre o apoio que fica no centro da sala, e não você. Enfim...

Das duas decisões comentadas acima, a segunda é: não discutir o assunto com o elemento traidor. E essa decisão deve conduzir a uma impossibilidade. A decisão precisa ser pétrea! Demonstrando que a traição foi completamente superada. Em outras palavras, independentemente de como se decide seguir em frente, esse assunto nunca pode ser conversado ou discutido com o elemento traidor. Ele não merece saber que você desconfia, ele não merece desconfiar que você sabe.

Até porque esse tipo de discussão agregaria muito pouco para o crescimento do relacionamento (ou do que sobrasse dele) e apenas daria chance para o elemento traidor dizer "você está enganado!" ou "de onde você tirou essa ideia absurda!"


Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over. Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007) Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever.
Saiba como escrever na obvious.
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