Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over.
Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007)

Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era
o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever

alguns órfãos da criação no pátio de j.f. sebastian

J.F.Sebastian é a personagem do filme Blade Runner encarregada dos projetos genéticos dos replicantes produzidos pela empresa do Dr Tyrell. Em uma das cenas, em seu apartamento, podem ser vistas algumas de suas criaturas.


J.F. Sebastian naturalmente seria procurado pelos replicantes fugitivos. Eles buscavam por mais tempo de vida e isso os levaria aos seus criadores. Primeiro ao seu projetista genético. Depois ao responsável pelo empreendimento de criação. E Se J-F não tivesse as respostas, ele os levaria ao dr. Tyrell.

J-F dominava o conhecimento que permitia relacionar as características de um replicante às informações presentes em seu código genético. Ele recebia as prescrições de seu chefe, o dr Tyrell, e as transformava em um código genético. Isso conferia à J-F poderes sobre o bem e sobre o mal.

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Obviamente, J-F precisava de uma "oficina", onde seria possível testar novas combinações e efetuar ensaios dos produtos a serem entregues. Certamente, Tyrell lhe passava prescrições diferentes ao longo do tempo, conforme especificações que lhe fossem apresentadas pelos compradores.

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Essa "oficina" então acabaria se convertendo com o tempo em uma espécie de depósito de resultados de experimentos realizados ao longo do tempo. E eventualmente os componentes desse depósito seguiriam suas vidas. Talvez limitadas pelas dimensões da "oficina", mas, enfim, "suas vidas".

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Então quando J-F chega à sua "oficina" na companhia de uma mulher jovem, a replicante Pris, ele é recebido por algumas de suas criações. Elas estavam um tanto alvoroçadas pela chegada do mestre e por verem que ele não estava sozinho. Eles seguiram seu caminho, porque J-F daria atenção à Pris.

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O pobre J-F sofria de mal de Matusalém, que o fazia envelhecer precocemente e o impedia de migrar para fora da Terra, para os novos mundos. Era um gênio, assim como Tyrell e outros envolvidos no processo de criação dos replicantes. Em sua condição difícil, acabou enredado por Pris e por Roy.

Mas por que ele mantinha ainda vivas aquelas criaturinhas estranhas que vagavam pela sua oficina? Ele não reproduzia com isso o comportamento de qualquer gênio criador, que quer suas criaturas por perto para valorizar sua capacidade criativa? Ou talvez simplesmente para reduzir-lhe a solidão?

E não estaríamos todos nessa mesma situação?


Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over. Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007) Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever.
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