Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over.
Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007)

Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era
o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever

por muitos mais jogos de soma-maior-que-zero

A Teoria dos Jogos denomina como "jogos de soma-zero" aquelas circunstâncias nas quais para que um indivíduo ganhe algo, alguém tem que perder. E há os "jogos de soma-maior-que-zero", quando alguém ganha e não obrigatoriamente outros devem perder. Nessa modalidade, todos podem ganhar.


A Teoria dos Jogos surgiu nos anos 40, numa tentativa de relacionar matemática com ciências sociais. Inicialmente, o alvo eram os movimentos econômicos, um tanto imprevisíveis e especialmente temerários após a crise de 1929 e os acontecimentos subsequentes. Com o tempo, suas aplicações se ampliaram bastante, descrevendo várias situações notáveis em vários campos do conhecimento.

Entre tantas situações descritas e estudadas pela Teoria dos Jogos, há os "jogos de soma-zero". São circunstâncias que envolvem alguns indivíduos e que quando um ganha algo, alguém obrigatoriamente perde. Com duas pessoas envolvidas, o que uma ganhar a outra perderá. Com mais pessoas, os ganhos e-ou os prejuízos podem ser divididos entre vários jogadores.

Quando alguém busca desesperadamente ganhar uma soma em dinheiro e essa quantia será obtida ás custas de prejuízo de outros, de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, eles jogam um jogo de soma-zero. O valor concentrado por um deles será perdido pelo(s) outro(s). Quando uma empresa obtém lucros expressivos às custas do prejuízo de multidões, todos estão envolvidos em um jogo de soma-zero.

Mas então as pessoas participam de jogos de soma-zero sem ter consciência de sua participação em um jogo desse tipo? Sim. Muitas vezes participam sem saber que estão perdendo e muitas vezes participam sem saber que contribuem para que alguém (e eventualmente não ela própria) ganhe às custas do prejuízo de outro(s) "jogador(es)".

Alguns estudos indicam que em regiões que enfrentam limitações de recursos naturais, as populações consideram usualmente que os únicos jogos possíveis são jogos de soma-zero. Quando existem recursos pelo menos suficientes e tradições culturais de mais alto nível, mais disseminadas entre a população, é comum encontrar circunstâncias correspondentes a jogos de soma-maior-que-zero.

Com soma maior do que zero, todos podem ganhar juntos. Esses jogos correspondem às situações nas quais a soma de um conjunto de pessoas consegue alcançar objetivos superiores, consegue buscar realizações maiores do que aquelas que seriam alcançadas pelos seus componentes individualmente. É quando existe cooperação entre as pessoas, mais do que competição.

ants-cooperating.jpg Quando indivíduos somados obtêm mais do que se atuassem individualmente.

E é claro que isso não impede que a competição exista, mas certamente ela prevalecerá em alto nível. Uma competição saudável, não selvagem, ocorrendo no cumprimento dos objetivos intermediários, sempre tendo em mente que em ambientes maiores e em objetivos globais, deve sempre prevalecer a cooperação entre os indivíduos.

Como funcionam na prática jogos de soma-maior-que-zero? Jogos desse tipo são mesmo possíveis? Esses jogos se tornam viáveis quando as pessoas deixam de visar apenas o lucro fácil e quando passam a considerar também o que se ganha indiretamente com as relações pessoais. O mundo começa a mudar se mais pessoas se satisfizerem também com pequenas coisas, como um sorriso ou um abraço.

Se as pessoas comuns em suas vidas cotidianas jogassem cada vez mais jogos de soma-maior-que-zero, independentemente de saber se outros também o fazem ou não, independentemente se já fazem isso ou não, certamente ao longo do tempo esses jogos em grande quantidade e praticados às cegas reverteriam positivamente em favor da sociedade, criando um efeito de soma em grande escala.

Que tenhamos então cada vez mais jogos de soma-maior-que-zero!


Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over. Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007) Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever.
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