Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over.
Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007)

Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era
o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever

o efeito do centésimo macaco e um possível novo pacto social

Uma habilidade apropriada por um número mínimo de indivíduos de uma espécie estaria sendo apropriada na verdade pelo inconsciente coletivo dessa espécie, estando portanto disponível a mais indivíduos do que àqueles pertencentes a esse pequeno grupo inicial. Este seria o "efeito do centésimo macaco", por enquanto ainda uma "lenda urbana" mais do que um fenômeno cientificamente comprovado.


O 'efeito do centésimo macaco' tem origem um tanto incerta e foi citado de vários modos e em vários ambientes diferentes ao longo das últimas décadas. Essa espécie de confusão criou uma 'lenda urbana' em torno dessa ideia. Em tempos de fake news não fica difícil entender os processos sociais que se desenrolaram por trás dessa confusão. Esse conceito pseudo científico e seu entorno lendário, entretanto, podem revelar muito sobre a própria humanidade.

Houve alguns experimentos sociais realizados com macacos japoneses na ilha de Koshima, no Japão, entre o final dos anos 1940 e o início dos anos 1950 e os resultados foram publicados nos anos subsequentes. Entre alguns desses experimentos, os macacos eram observados em uma praia enquanto lhes eram jogados batatas doces e trigo.

Um dos indivíduos foi ensinado a lavar as batatas doces e os cientistas observaram que esse indivíduo ensinou ativamente outros macacos de sua mesma geração a também lavar as batatas doces. Os mais velhos não aprendiam a técnica, enquanto os filhos (ou seja, os indivíduos da geração seguinte) aprendiam por observação e imitação. E esse primeiro indivíduo seguiu aberto a novos aprendizados.

Nos anos seguintes, surgiram relatos de que outros macacos em outras ilhas e mesmo em outros locais do mundo, teriam passado a lavar as batatas doces do mesmo modo como aquele grupo inicial da ilha de Koshima. Nenhum experimento foi registrado, nem há artigos relatando esses resultados. Mas essas narrativas foram suficientes para estabelecer uma espécie de lenda urbana' em torno do que se convencionou denominar como o 'efeito do centésimo macaco'.

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Mais tarde, durante os anos 80, o experimento inicial e os relatos posteriores passaram a ser discutidos por estudiosos da parapsicologia e outras pseudo ciências. Uma tentativa de levar esses e alguns novos conceitos ao escrutínio de audiências mais diversificadas e menos exigentes do ponto de vista acadêmico.

Rupert Sheldrake, um dos estudiosos dessas áreas, utilizou esse experimento para argumentar em favor de uma comunicação entre indivíduos por meio de uma consciência coletiva. Um movimento contrário passou a tentar descoinstruir tanto as discussões paralelas ao experimento inicial quanto o próprio experimento inicial.

Entretanto, apenas os experimentos iniciais foram realizadas dentro dos protocolos científicos e levaram a resultads que podem ser plenamente aceitos pela comunidade científica. As discussões surgidas posterioremnte, por diferenes interlocutores, podem ser consideradas apenas como discussões especulativas.

Mas se for de fato um fenômeno ainda não entendido pela ciência, certamente traz consigo inúmeros outros desdobramentos!

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Considerando esse tema de um modo mais abrangente, seria possível traçar paralelos com movimentos sociais ao longo da história da humanidade. Eventos notáveis relacionados com rupturas sociais ou com a proposição do novas ordens sociais estiveram muitas vezes relacionados com a negação de comportamentos anteriores reprováveis e com a indicação de novos comportamentos e novas soluções cotidianas a serem seguidas... por um número crescente de indivíduos.

Esses eventos notáveis, entretanto, estiveram muitas vezes focados em mudanças que partiriam de novos comportamentos individuais, refletindo em melhorias que ecoariam para toda a sociedade. Muitos líderes revolucionários e muitas pessoas consideradas como profetas, segundo diferentes credos religiosos, se apresentaram como exemplos a serem seguidos. As pessoas em seus entornos seguiam esses exemplos com a esperança por melhores condições sociais e econômicas.

Um novo pacto social poderia então ser construído, em cenários modernos, amparados por conhecimento científico e por desenvolvimento científico, buscando a inserção de exemplos individuais e o acompanhamento de seus reflexos em cenários sociais mais amplos. É claro que ações como essas podem ser identificadas em nossas sociedades modernas. A inovação poderia estar justamente na motivação a ser aplicada... agora com inspiração científica e com amparo científico.

É necessário então conhecermos melhor a nós mesmos, individual e coletivamente, e construir um pacto social que seja igualmente promissor, para cada um e para todos!


Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over. Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007) Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever.
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