Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over.
Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007)

Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era
o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever

finalmente pudemos ver Caesar dizendo 'não'

'O Planeta dos Macacos' foi lançado em 1968, baseado em livro de Pierre Boulle, e foi seguido de quatro continuações. Depois houve uma recriação em 2001, de Tim Burton. Até que surgiu a recente trilogia que reconta a história original em sequência aproximadamente linear. Nesta trilogia recente, foi possível ver um evento importante nessa estória... o macaco que disse 'não'!


O filme 'O Planeta dos Macacos' surgiu em um momento histórico que mesclava a guerra fria com manifestações em favor de direitos humanos, em que muitas ditaduras militares proliferavam por todos os cantos do mundo. Nesse filme, um astronauta, símbolo do mundo civilizado moderno, era subjugado por macacos em uma planeta estranho. Ao final, uma cena emblemática indicava que o planeta era na verdade a própria Terra, séculos depois de uma devastação nuclear.

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O livro do escritor francês Pierre Boulle foi lançado em 1963 e apresentava um roteiro um tanto diferente do que foi levado às telas e lançado em 1968. Em função do sucesso alcançado pela adaptação dirigida por Franklin J. Schaffner e que tinha Charlton Heston no papel principal, como o astronauta Taylor, houve uma sequência imediata e outros três filmes ao longo da década de 1970.

Em uma dessas continuações, 'Fuga do Planeta dos Macacos', os cientistas Cornelius e Zira chegam à América da década de 1970 desfazendo o caminho antes percorrido por Taylor para chegar ao futuro. Na verdade, eles e um terceiro cientista descobriram a espaçonave de Taylor e, quando testavam essa nave, ocorreu a detonação de um antigo artefato nuclear que destruiu o planeta.

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Em uma entrevista, Cornelius conta sobre a ascensão dos macacos ao domínio do planeta, nesse futuro dominado pelos símios, e ele conta que houve uma sucessão de pragas que dizimaram cães e gatos, os animais de estimação dos humanos. Então os humanos passaram a adotar e domesticar símios. E com esse contato mais próximo, os símios aprenderam muitas coisas e se tornaram mais inteligentes.

Entretanto, as relações entre humanos e símios eram relações de subserviência e, claramente, muitos símios eram maltratados. Até que em determinado dia, um chimpanzé chamado Aldo, sendo agredido por seu 'proprietário', disse 'não'. Aldo claramente articulou uma palavra! Era uma palavra de negação e isso abriu caminho para que outros macacos falassem e para que se voltassem contra seus opressores.

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A nova adaptação, concebida por Rick Jaffa, conta uma nova versão para 'o planeta dos macacos', iniciando com uma pandemia originada de um vírus criado para curar algumas moléstias humanas. Nessa nova versão, o macaco Caesar é filho de uma fêmea selecionada para testes em laboratório. Ele fica exposto a esse vírus, que atua nos símios (conferindo-lhes maior inteligência) de modo muito diferente que nos humanos (reduzindo-os a animais).

Nessa nova adaptação, Caesar é o macaco que lidera a rápida evolução de um grupo de macacos mantidos cativos em uma casa de passagem de animais 'resgatados' do cativeiro. E levado a esse cativeiro temporário, ele interage com os responsáveis por esse entreposto. Sendo exposto a um tratamento ultrajante, ele atua para garantir a exposição de seus companheiros ao vírus, o agente evolutivo, e é o primeiro a articular uma palavra. Em uma situação de ameaça, é ele quem diz 'não'!


Lucas B. Friedmann

‎"I want to stay as close to the border as I can without going over. Out on the edge you see all kinds of things you can't see from the center." Kurt Vonnegut (1922-2007) Eu escrevo porque (eu não entendo e nem sei como explicar) era o que eu sempre quis fazer, mesmo antes de saber escrever.
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