era uma vez na história

Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship - Casablanca (1942)

Luiza Faria

Porque não ficamos por aqui, tomamos um café, damos uma volta na praça ou vamos no cinema... Pelo resto de nossas vidas?

Eles nos disseram que (o sonho) era real

"É curioso como as cores do mundo real parecem muito mais reais quando vistas nos filmes" (Laranja Mecânica)
História e Cinema: os limites entre a ficção e a narrativa.


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A fim se estabelecer uma correlação entre a narrativa ficcional e o cinema de pretensões histórico documentais é preciso inicialmente abordar a concepção de cinema propriamente dita.

Sendo este produto da produção em sí, acrescido da execução e da recepção, o papel desempenhado pelo receptor mostra-se de suma importância. Deve-se lembrar ainda que, diferentemente do livro, da imprensa ou do disco, o filme pode ser visto não somente como veículo de uma expressão, mas como a própria obra de arte. Assim, a história do cinema demonstra o quão embricados estão os valores sociais, a indústria de entretenimento e a produção cinematográfica, sendo que estes influenciam-se transversalmente. Tanto o cinema pode ser usado para legitimizar a história, como esta é capaz de dar credibilidade às películas.

Considerando que o público receptor, assim como os produtores da película estão inseridos na lógica de sua época é essencial ter em mente que carregam consigo ideologias, convicções e interesses próprios, fatores estes que serão vistos e reproduzidos. Filmes atuais como “Azul é a cor mais quente” (“La vie d'Adèle” – título original) e 12 Anos de Escravidão, do britânico Steve McQueen, abordam temáticas bastante em voga nos mais diferentes círculos políticos e sociais

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De acordo com esta lógica, a tipologia cinematográfica que se pretende como fonte "histórico-documental" é cercada por riscos, tais como a perpetuação de "verdades históricas", uma vez que carregam um caráter de realismo. Representações emolduradas por depoimentos de época - como ocorre em "Der Untergang" ("A Queda - As Últimas Horas de Hitler") - ao chegar ao público podem pressupor uma visão definitiva de determinado evento, sem que as informações ali contidas sejam questionadas.

Dependendo, portanto, do contexto de produção, a película - produto final- funciona como um mecanismo de perpetuação de tradições, podendo conter subjetivamente incoerências do ponto de vista histórico. O filme Carlota Joaquina (1995), dirigido por Carla Camurati demonstra o poder do cinema em cristalizar e perpetuar esteriótipos complexos e perigosos, como o que acontece com a personagem título da obra.

Em contrapartida, narrativas de caráter fictício dificilmente podem servir como fonte documental e, de fato, em grande parte não o anseiam. Entretanto, tal perspectiva muitas vezes ligada ao entretenimento, não impede que este formato seja empregado como ilustração de situações cotidianas ou de comportamentos humanos diversos. Dicotomicamente, as duas tipologias aqui citadas - histórico documental e narrativo ficcional - carregam implicitamente um significado. Ao passo em que a primeira muitas vezes é confundida como expressão real do evento retratado, a segunda não ganha tal conotação.

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Assim, é preciso compreender os limites e dimensões de cada expressão artística para que novos trabalhos possam ser desenvolvidos. Nada impede que um romance seja utilizado para ilustrar um acontecimento histórico ou que um documentário seja, por exemplo, indicado às mais diferentes faixas etárias. Porém, uma análise crítica de ambas as exposições deve ser paralelamente desenvolvida, a fim se evitar generalizações e anacronismos.


Luiza Faria

Porque não ficamos por aqui, tomamos um café, damos uma volta na praça ou vamos no cinema... Pelo resto de nossas vidas?.
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