esbónia catedrática

Há um senso crítico (pedagógico) no caos da reflexão! Arte, Política e Sociedade.

Luiz Phelipe Fernandes Morais

Tirando o fato de ser advogado e professor de Direito, a arte e a literatura justificam quase todas as minhas (outras) escolhas. Enquanto entusiasta do conhecimento e das vicissitudes cotidianas, viver tem sido meu melhor ofício

A arte existe porque a vida não basta: Contradições entre conceito e censura.

Conceito e censura. A arte e seus dilemas.

Perguntei a um artista plástico: A arte, quando abriu mão de ser estritamente técnica, para ser minuciosamente conceitual, errou a dose entre os extremos? Ele respondeu que ela reflete o seu tempo então a responsabilidade será sempre da sociedade. Meses depois, lendo excertos de Lewis Carroll, vi resposta semelhante. Algo como: Tudo tem uma moral se você conseguir observar atentamente.

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Outro dia perguntei a um artista plástico: A arte, quando abriu mão de ser estritamente técnica, para ser minuciosamente conceitual, errou a dose entre os extremos? Ele respondeu que ela reflete o seu tempo então a responsabilidade será sempre da sociedade. Meses depois, lendo excertos de Lewis Carroll, vi resposta semelhante. Algo como: Tudo tem uma moral se você conseguir observar atentamente.

Rotineiramente episódios distintos colocaram em cheque alguns conceitos. Seus e meus. Nem tudo é arte! Mas isso – dizem – depende. E geralmente os pontos são postos entre “eu e eu”. Só que é árduo enxergar além do que se propõe quando os referenciais são as próprias e limitadas vicissitudes – não se ofenda, as experiências de todos nós sempre serão limitadas, do contrário não seríamos humanos e (talvez) o mundo não seria (tão) “mundo” [sem correlação lógica].

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É difícil reconhecer a legitimidade daquilo se situa diante do que vedamos. A expressão artística encontra limites? Éticos, estéticos, conceituais, jurídicos? Só seria capaz de responder se possuísse as definições pertinentes. Daí traria respostas, mas não verdades. Conclusões, mas não fim.

Arte é tudo aquilo que provoca algum tipo de reação em alguém, a partir da manifestação estética das impressões de outrem, que fala alheio a palavras; que diz em fotografias; que rabisca imagens; que colore enredos; que esculpe histórias; que cantarola segredos. Ou nada disso.

Querrmuseu.jpg De todas as vertentes, a pretensão de falar muito sem receio de dizer nada. A arte é só um conectivo! O propulsor da epifania! As explicações são nossas. A arte tenta se comunicar e os interlocutores somos nós, mas o artista raramente participa da conversa.

A “obra de arte” é o Coelho. O artista é quem cava a Cova. Nós somos Alice que, inocente e curiosa, cai no mundo subterrâneo da inconsciência onde o único limite está em si mesmo.

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ALICE: - Olá! Pode me informar qual caminho devo seguir?

GATO: - Para onde você quer ir?

ALICE: - Não sei, estou perdida.

GATO: - Ora, para quem está perdido, qualquer caminho serve.>

Definitivamente, Carroll tinha a resposta.

p.s.: A arte é incensurável. Não porque é errado, mas porque não é possível. Uma vez expressa, dissipa como oxigênio d’alma – mesmo que não possamos mais vê-la, jamais poderemos tocá-la, calar-la ou dizê-la extinta (isso independe da nossa vontade).

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* Citação título: Ferreira Gullar.


Luiz Phelipe Fernandes Morais

Tirando o fato de ser advogado e professor de Direito, a arte e a literatura justificam quase todas as minhas (outras) escolhas. Enquanto entusiasta do conhecimento e das vicissitudes cotidianas, viver tem sido meu melhor ofício.
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