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e movendo fotogramas

Julio Benck

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Fotojornalismo: reinventar ou decretar seu fim?

Assim como o jornalismo investigativo, o fotojornalismo encontra-se sem estímulo e as expectativas para os profissionais do ramo estão cada vez mais baixas. Será que há solução?

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A disseminação de aparelhos de telefonia equipados com câmeras mudou os paradigmas da reprodutibilidade, de maneira que talvez nem Walter Benjamin pudesse mensurar. Se por um lado é indiscutível que democratizou-se o acesso à fotografia, o que particularmente facilita o registro pessoal e a preservação do passado familiar e afetivo, por outro houve certa banalização da imagem como legado confiável de um evento importante.

Em parte isso acontece por causa dos recursos de edição de imagens e de uma certa crença recente de que um fato para ser considerado real deve ganhar alguma repercussão nas redes sociais, mesmo que as provas não sejam definitivas. Vale mais contar uma boa história, que impacte o público, do que mostrar fatos reais.

Alçado ao estatuto de arte, o fotojornalismo encontra-se num momento em que precisa resgatar credibilidade, nem que seja assumindo um papel diferente. Paradoxalmente, compreender o fotojornalismo como arte  pode tanto salvá-lo em tempos de crise da disciplina como sepultá-lo de vez. Quem sabe o fim possa ser um recomeço?

Robert Capa, desde a década de 1950, é considerado um dos grandes papas do fotojornalismo, por consolidar o entendimento de que sua função era retratar a realidade da forma mais objetiva possível. Isso foi seguido por décadas, até que os celulares com câmeras de boa resolução fizessem entrar no circuito hordas de fotógrafos amadores, que normalmente são os primeiros a registrar os acontecimentos importantes. A lógica inverteu-se: uma foto amadora tem mais crédito que uma profissional, supondo-se que o fotojornalista chegue sempre depois e que a notícia é algo sempre manipulado.

 

Arte não é jornalismo, mas pode acrescentar

 

O fotógrafo Rogério von Krüger, especializado em fotos para casamentos, entende que o fotojornalismo encontra-se num impasse, ou numa encruzilhada histórica, para resgatar  expressão amplamente usada por historiadores “tornar uma notícia espetáculo nivela o jornalismo por baixo. Fica a impressão de que é tudo um grande teatro, e que a notícia é passada de forma a fazer o espectador entender o que o jornal quer que seja entendido“.

O novo jornalismo, movimento que ganhou força na década de 1960, buscava fundir o jornalismo noticioso com o literário, sem prejuízo na credibilidade e confiabilidade da notícia, aproveitando todas as possibilidades de abertura que recursos literários poderiam oferecer.

Baseando-se nesse conceito, autores como Fred Ritchin defendem que o fotojornalista precisa ser mais ousado, e não se dobrar a padrões impostos pelos mass media, que, ao “pasteurizar” as imagens em categorias as enfraquecem, sugando todo o seu poder de persuasão.

Segundo a coletânea Photojournalisme, à la croisée de chemins – Fotojornalismo, a encruzilhada de caminhos – a situação é irreversível, e a disciplina já estaria morta. Diante do avanço nas tecnologias de registro digital, não haveria mais sentido fomentar o fotojornalismo, por isso a alternativa é resignar-se.

 

Fotografar é comunicar

 

Dizer que o fotojornalismo está morto é, no mínimo, precipitado. Toda mídia passa por modificações em termos técnicos, o que não significa a morte de uma outra. A obsolescência em comunicação é algo bastante discutível, e o que se observa normalmente é a reconfiguração dos meios de comunicar, conforme surgem outros. O rádio e o jornal impresso, por exemplo, vêm tendo sua morte alardeada há décadas, e ambos estão vivos, relevantes e com novos públicos.

O rádio, por exemplo, tornou-se o veículo de comunicação ideal para motoristas, e o jornal impresso gratuito, financiado exclusivamente por publicidade ganha cada vez mais força. Nessa linha, o fotojornalismo e os fotojornalistas precisam sair da sua zona de conforto – que nem está mais tão confortável assim – e reassumir nova identidade. Está para nascer o novo fotojornalismo.

 


Julio Benck

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