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Julio Benck

Se você leu até o final, significa que consegui captar sua atenção. Muito obrigado e, quando tiver um tempinho, acessa lá meu blog, na parte de notícias ;-)

E a produção brasileira de curtas-metragens hein?

Segmento sobrevive e apresenta relativo crescimento, num contexto em que o audiovisual brasileiro segue em via oposta ao da economia nacional como um todo.

Se há um formato ainda pouco compreendido e até algo marginalizado no cinema, esse formato é o de curta-metragem. Não deixa de ser um pouco contraditória essa suposta rejeição, até pelo que se comprova em estatísticas, que, pelo menos para o segmento de vídeoaulas – bem mais difícil de assistir – apontam: 70% dos internautas só assistem a vídeos de até cinco minutos.

Em termos cinematográficos, no entanto, percebe-se, sem precisar recorrer a dados estatísticos, fatos que segregam os filmes de curta duração das demais produções audiovisuais, principalmente as de ficção. A principal delas, a que mais se evidencia, é o reduzido número de salas de exibição. As principais, via de regra, exibem apenas longas-metragens, notadamente os de Hollywood, destinando aos curtas, no máximo, um espacinho antes da exibição do filme, entre anúncios publicitários, e mesmo assim, com seríssimas restrições de tempo.

Porta de entrada para o cinemaCurta-metragem 'O Senhor é Meu Pastor' (2011)

Outra questão que se impõe, e que pode influenciar na repercussão relativamente baixa de curtas-metragens é que muitos deles são produções experimentais, independentes e idealizada por cineastas em início de carreira. Martin Scorsese, Ridley Scott e Quentin Tarantino, por exemplo, começaram suas trajetórias em produções de duração curta ou média, de qualidade, senão artística, pelo menos na parte técnica bastante sofrível.

Com a pecha inevitável de campo de experimentação, o segmento de filmes curtos situa-se forçosamente num lugar desfavorável no sentido de formar um público mais amplo, o que, por consequência, limita o potencial comercial desse tipo de produção e sua exibição em salas, pelo menos nas de maior capacidade.

É possível fazer bom cinema ao mesmo tempo em que se testam possibilidades

A despeito disso, temos provas eloquentes da possibilidade de se iniciar uma carreira no cinema e ao mesmo tempo de alçar voos mais altos, como o filme Aconteceu Perto de Sua Casa, de 1992. Ok, trata-se de um longa, mas não deixa de ser surpreendente o fato de ter sido um trabalho de conclusão de curso universitário.

É no universo acadêmico, a propósito, que a produção de curtas-metragens revela-se mais densa e interessante. Embora, claro, existam os filmes realizados com qualidade profissional e exibidos por força da Lei 12.485 de 2011, que obriga as TVs pagas a exibir certa quantidade de produções nacionais, os filmes realizados por universitários representam expressivo volume do bolo nesse tipo de produção.

Mercado brasileiro de audiovisual vai bem, obrigado

Por mais estranho que pareça, o Brasil apresenta números cada vez mais animadores para o setor audiovisual, mesmo que ainda seja um grande desafio fazer filmes independentes por aqui. O crescimento do setor apresenta percentuais de cerca de 8% no geral, e valores expressivos em volume de cifras que o colocam bem acima de segmentos da economia estratégicos, como a indústria farmacêutica.

Nesse sentido, cabe reconhecer o papel de iniciativas públicas como o Brasil de Todas as Telas, que fez com que a exibição de produções independentes venha registrando aumento desde 2010. Ainda é pouco, mas fundamental para a sobrevivência de produtoras de vídeo, tanto ficcionais como corporativos e para fomentar novos talentos.


Julio Benck

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