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Sobre o dia a dia, artes, cinema, música e relacionamento humano

Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres.

A vida é bela?

Será que a nossa vida é realmente bela? Diversas vezes acordamos pela manhã e levamos adiante mais um dia rotineiro, carrancudos e com o humor não muito bom. A realidade proposta pelo filme "A Vida é Bela" é discutida nessas linhas, com a intenção de dialogar sobre quais fatores tornariam a vida "bela" como o título prevê, levando em consideração o contexto da Segunda Guerra Mundial no qual o filme é ambientado.


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Em 1997, o italiano Roberto Benigni dirigiu e protagonizou a comédia dramática intitulada “La vita è bella”. Esse filme saltou aos meus olhos em um domingo chuvoso, sem muitas perspectivas além de pipoca e tédio, e decidi dar uma chance a ele para descobrir se a vida era bela mesmo. As primeiras cenas começaram a se suceder e eu não podia crer que aquele seria (mais) um filme a tratar da Segunda Guerra Mundial e campos de concentração, porém mesmo não sendo dos meus temas favoritos, continuei a assistir. Acompanhei de perto a trajetória de Guido Orefice, um garçom sorridente e otimista ao tentar conquistar o coração de uma tímida professora chamada Dora. Suas tentativas de chamar-lhe a atenção eram, no mínimo, charmosas e galanteadoras e nessa altura do filme me perguntei por que não o havia assistido antes. Que cenário bonito! Guido realmente sabe ser engraçado. Muitos risos depois acabei por me envolver com o simpático garçom e sua rotina de trabalho, com as suas investidas para tentar roubar o coração de Dora, que estava por um fio de se envolver com um alemão poderoso e, diga-se de passagem, nem um pouco espirituoso.

Não queria estragar a emoção dos leitores ao contar mais da história, mas como se trata de um filme dos anos 90 aclamado pela crítica e pelo público, que ganhou 3 prêmios na cerimônia do Oscar em 1999, suponho que mais alguns detalhes não vão interferir na beleza da obra para quem não o assistiu ainda. Então, consagrada a união de Guido com Dora, o pequeno Giosué nasce e recebe todo o carinho e amor da família. Nesse contexto, os horrores da Segunda Guerra Mundial estão chegando ao seu ápice e a discriminação dos judeus era cada vez maior. Como a família Orefice era judia, Guido tenta amenizar ao máximo o impacto desse preconceito aos olhos de seu filho. Isso fica bem marcado quando o menino lê em uma placa de um estabelecimento que não era permitida a entrada de judeus e animais e questiona seu pai a respeito. Guido não se surpreende com a pergunta de Giosué e responde que há lojas nas quais os judeus não podem entrar, mas também há as que visigodos não podem entrar e assim por diante, citando o nome de outros povos e grupos sociais.

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O pior acontece e Guido e o pequeno Giosué são mandados a um campo de concentração, deixando para trás a vida que tinham construído. Dora, por ser de família alemã não foi condenada à mesma sina, porém o amor por seu marido e filho se mostram superiores ao gosto que tinha pelo conforto de seu lar e posse de bens materiais. Assim, conversa de modo enfático com um oficial e consegue ir para o mesmo trem que transportava sua família para o horror do trabalho forçado e opressão do campo de concentração.

Pausa. Só por essa atitude de Dora já posso dizer que a vida é sim, muito bela. Abdicar de suas posses, conquistas e bens materiais para estar junto, não fisicamente, mas no mesmo espaço que seu marido e filho, já me fez repensar minhas prioridades. Dora viu a beleza de zelar pela sobrevivência de quem ama, tendo em mente que caso não fosse para o mesmo ambiente no qual eles estariam a chance de continuarem vivos não seria tão elevada. Juntos seriam mais fortes para tentar resistir às dificuldades.

Sequei as lágrimas. Continuei firme e forte enquanto o filme seguia. Guido e seu filho vão para o mesmo recinto, junto a vários outros homens judeus usando roupas listradas. Para proteger o filho dessa realidade tão bruta, o pai inventa para o menino que tudo aquilo era um jogo, e o vencedor dele ganharia um tanque de guerra (Giosué tinha um brinquedo de tanque e o adorava). Ensinou o garotinho a se esconder na presença de oficiais e a ficar calado nos momentos certos e mesmo quando todas as outras crianças tinham sido mandadas para a câmara de gás, Giosué conseguiu, escondido, continuar vivo.

Mais uma pausa. Nossa, a vida é sim, sem dúvida, belíssima! Que pai protetor, mantendo o imaginário infantil do filho, procurando ao máximo não assustar o menino e fazer com que acreditasse que tudo aquilo era, de fato, um jogo. Pensei e repensei as minhas prioridades e lutas diárias. Nada do que vivo ou vivi, se compara ao que vi nesse filme e a verdade absoluta que se manteve desde que li a sinopse até seu término foi uma só: vale a pena lutar pelo que se acredita. Guido acreditou ser possível proteger seu filho daquele ambiente inóspito e provou o tamanho de seu amor de pai. Dora acreditou que se fosse para o mesmo campo de concentração que os dois estaria mais apta a zelar pelo bem estar deles. E eu, no que acredito? Ter algo em que acreditar é o que torna a vida realmente bela, belíssima, na verdade.

Ideais.

O final do filme? Depois que enxuguei todas as lágrimas, sorri. Aposto que se você ainda não assistiu deve buscar um meio de ver, assim como eu e do começo ao fim essa história sobre sonhos e ideais que perseveram. Já fez a pipoca para acompanhar?

*Imagens retiradas de domínio público.


Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres. .
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