escrevi cotidiano

Sobre o dia a dia, artes, cinema, música e relacionamento humano

Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres.

Envelheci

Olhei para trás e revi meus últimos dez anos de vida. Antes tinha tanta vitalidade para ir aos lugares, ir e vir de madrugada, cumprir três compromissos no mesmo dia, agora acordo rangendo pela manhã e não tenho mais o brio para dar cabo de tudo isso ao mesmo tempo. Vejo a mim mesmo titubeando pelos cantos, quase sinto minha pele enrugar. Para onde foram meus anos de juventude?


Há um tempo convocava os amigos para um churrasco, carne e cerveja eram quase parte do vestuário obrigatório, junto aos chinelos de dedo e óculos de sol. Alugava a área de churrasco do meu prédio, montava mesas e cadeiras de plástico para receber a todos enquanto mergulhava na piscina e encharcava de cloro os meus cabelos ressecados pelo sol de tantos bate e volta à praia. Um copo de cerveja atrás do outro, eu era invencível. Ressaca alguma podia ir contra o poder do meu antiácido e vontade de socialização constante. Ia aos bares, dançava a noite inteira, bebia durante todo o tempo mesmo que fosse para passar mal depois. Eu não perdia a compostura na frente dos outros. Hoje percebo que envelhecer é doloroso. Vejo velhinhos felizes caminhando no parque e chego a questionar a veracidade de toda a felicidade deles. Como ser feliz sem todos os amigos em volta de garrafas de cerveja e destilados, comendo carne e fazendo uso da vitalidade da juventude? Os braços e torsos definidos, pele queimada de sol e mãos cheias de calos das horas em academia, nunca imaginei como seria quando envelhecesse. Só pensava no material, em chamar a atenção das meninas que iam às minhas festas de minissaia para exibir a perfeição de seus corpos na beirada da piscina.

photo-256887_1280.jpg Ah... Como são dolorosas as fotografias! Sombra do que já fui.

A passagem dos anos se dá de forma imperceptível. Hoje você tem 18, amanhã já tem 25 e quando menos espera está com 30 e todo aquele glamour da juventude se esvaiu por entre seus dedos. E pois é, sua avó te dizia isso e sua mãe também e você nunca acreditou. Elas estavam certas desde o princípio. Então, se eu pudesse dar algum conselho aos que são mais jovens diria apenas 5 itens imprescindíveis para ter uma velhice feliz (ou melhor, mais feliz do que a minha).

1) Faça exames periódicos

Pode parecer babaquice, mas de vez em quando dê aquele pulo no médico. Mesmo se você estiver saudável, ou melhor... Principalmente se você estiver saudável. A grande maioria das doenças quando diagnosticadas cedo apresentam maior probabilidade de cura. E se eu não fui imune a elas, você também não o é. Nem todo antiácido do mundo pode te salvar de dores que vão além da ressaca.

2) Repense suas amizades

Considere seu grupo de amigos. Agora o reconsidere. Raciocine da seguinte forma: quantas pessoas das quais me cerco estariam dispostas a ficar ao meu lado quando o sapato apertasse? Infelizmente aquele seu amigo que te convida para o bar todo final de semana e que te chama de careta quando você se recusa a ir em alguma festa barra pesada com ele tem pouca chance de estar entre eles. Note que eu disse POUCA, não conheço seus amigos, quem pode avaliar isso é somente você, não deixe que ninguém o faça além de si próprio. As pessoas são diferentes, não há como estabelecer um padrão.

picture-314515_1280.jpg

3) Coma vegetais e frutas

Eu sei, você passou toda a sua adolescência recusando leguminosas e separando no prato quando sua mãe servia sua comida. Pare. Pare agora mesmo. Todos os nutrientes jogados fora agora farão falta daqui a alguns anos e então você terá de tomar em forma de remédio tudo o que poderia ingerir periodicamente em forma de alimentos naturais. Uma chatice, admito. Vitamina para isso, para aquilo... Hoje em dia tomo vitaminas que nem sei mais para que servem. Só sei que são importantes para mim (em alguma parte do meu corpo).

4) Não beba tanto ou use drogas

Mais uma pessoa “vivida” falando a mesma coisa que você ouviu sua vida inteira. Cuidado com as substâncias que coloca para dentro do seu corpo. Algumas delas causam danos irreversíveis ou desencadeiam dependência física ou psíquica. Quanto ao álcool, já contei a história dos meus churrascos com bebida sem fim, já fiz e atesto o mal que isso me causou. Meu fígado já não é mais o mesmo, e nem vou começar a falar do meu estômago. Posso ser só mais um “velhinho simpático e arrependido” falando, mas não faça isso consigo mesmo. Pense. Raciocine logicamente. O que você pretende quando se envolve com coisas desse tipo? Qual a utilidade delas na sua vida? Saiba seu limite. O que é bom e o que não é para você.

5) Valorize sua família

Certo, talvez essa seja a dica mais válida de todas. A família é o alicerce da sua vida, você aceitando ou não. Há brigas, discussões, pratos voadores, ameaças e mais pratos voadores, mas saiba que sem eles você não seria quem é hoje. Pelos bons e maus momentos, entenda o quanto eles são importantes e cuide deles. Família não é eterna. Quem me dera se fosse... Diga o que precisa dizer e sempre demonstre seu amor e gratidão.

Espero ter dado dicas úteis para o seu futuro, faça bom uso da força da sua juventude!

Com carinho,

Seu eu futuro

*Imagens retiradas de domínio público.


Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres. .
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 2/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Paula Cremasco