escrevi cotidiano

Sobre o dia a dia, artes, cinema, música e relacionamento humano

Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres.

Whiplash - Em busca da perfeição

Uma reflexão sobre o premiado longa-metragem estadunidense em paralelo à nossa ânsia de buscar sempre a perfeição. Seríamos nós eternos insatisfeitos com tudo e todos? Qual o limite entre o são e o insano quando o assunto é correr atrás dos próprios sonhos?


Tanto foi falado sobre esse drama e os prêmios que recebeu em diversas cerimônias que, mesmo sem inicialmente saber qual o assunto abordado, resolvi arriscar. Pelo título do filme imaginei ser referente a luta ou algo do tipo e assim acabei por assisti-lo sem sequer ter lido a sinopse.

Confusão sonora. É a partir disso que o filme começa a retratar a história de um garoto cujo maior sonho era se tornar um grande baterista. Estudava bateria e jazz em um conservatório aparentemente muito bem conceituado no Estados Unidos. Desde o começo percebemos o quanto o menino gosta daquilo tudo e o brilho no seu olhar ao segurar as baquetas é legítimo a qualquer amante da música. Sua vida pessoal conturbada vem a somar à história quando descobrimos que sua mãe abandonou o pai, que o criou sozinho e procurava incentivar ao máximo o envolvimento do filho no aprendizado de um instrumento musical. Entretanto, em uma das aulas em que o menino Andrew frequentava como baterista reserva eis que o severo professor Terence Fletcher entra abruptamente, na busca por membros para compor a banda da escola nos ensaios que incluíam músicas como "Caravan" e "Whiplash". Ouve os alunos tocarem por alguns minutos e, para a surpresa de todos, aponta para Andrew e o chama para fazer parte do grupo.

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O que o menino não esperava era a austeridade do professor Fletcher ao lidar com os membros da banda, xingando e gritando com eles do começo ao fim dos ensaios quando saíam do ritmo da música ou erravam na leitura das partituras. O menino Andrew então começa a dar o seu melhor, treinando por horas a fio na busca da perfeição exigida pelo professor ao custo da sua vida social com amigos, namorada e até mesmo do tempo com seu pai.

Pausa. Seria isso um erro? Acredito que devemos sempre buscar melhorar nossas habilidades, sejam elas quais forem, acomodar-nos no lugar comum, ao marasmo e mesmice de reproduzir sempre o já conhecido em detrimento do novo a ser aprendido pode ser uma grande armadilha de sonhos. Mas então, qual o limite? Em dado momento do filme o professor Fletcher, interpretado pelo brilhante J .K. Simmons, diz o seguinte: "Não existem palavras mais prejudiciais do que: Bom trabalho. (…)" ao repudiar o conforto de "pelo menos tentar" e receber um sorriso torto da plateia ao invés de se esforçar muito e exceder expectativas. Dessa fala provém a tentativa do professor de levar seus alunos ao máximo do que poderiam se desenvolver e melhorar como músicos. Por que ser mediano quando se pode ser excepcional?

Acredito ser uma premissa extremamente válida, porém no filme vemos uma visão extremista disso. Não vejo necessidade de agressão física e psicológica para incentivar as pessoas a buscar o melhor de si, isso pode também partir de uma motivação intrínseca. Basta nos perguntarmos: "Sou bom em tal coisa, mas será que posso melhorar ainda mais?". O esforço para chegar a ser quem se quer não nasce da noite para o dia e nem de uma leve escapada da zona de conforto; requer paciência com as próprias limitações, disciplina e convicção. Eu quero. Eu posso. Por que não me dedicar a isso?

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Concordo que os elogios são importantes para ajudar a auto-estima a trabalhar a nosso favor. Como devem estar imaginando, durante o filme isso não acontece de forma enunciada mas vou deixar o suspense no ar para quando assistirem. Talvez na medida certa, com o intuito de impulsionar, os elogios possam ser armas poderosas para ajudar a nós e aos que estão ao nosso redor a obter sucesso nas batalhas travadas diariamente. Não exija de si mesmo tocar sua bateria até as mãos sangrarem, saiba o momento certo de parar para poder continuar com mais energia no dia seguinte, conheça suas limitações e trabalhe nelas. Quem sabe onde se esconderá o próximo Jimmy Hendrix, Mozart, Beethoven, Galileu Galilei, Leonardo DaVinci e Albert Einstein?

*Primeira imagem: poster usado meramente para divulgação e ilustração. Segunda imagem: retirada de domínio público.


Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres. .
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