escrevi cotidiano

Sobre o dia a dia, artes, cinema, música e relacionamento humano

Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres.

A família que eu escolhi

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Quem nunca ouviu esse lugar-comum talvez esteja habitando outra galáxia. Até que ponto somos influenciados pelas pessoas que estão a nossa volta?


Desde pequeno escuto minha família (em especial meus pais) dizer que devo tomar cuidado com as minhas amizades, para escolher bem as pessoas que me cercam para não ter problemas. Quando ainda somos crianças o drama se resume a simplesmente nos relacionar com outras crianças que não roubem nossa merenda na hora do intervalo, chutem nossa canela ou mintam para a professora e nos coloquem a culpa das peripécias da hora do recreio, preocupações que apesar de na época parecerem o fim do mundo, acabamos percebendo serem muito menores em comparação às conquistadas com o passar dos anos.

Passada a fase das birras e das mamadeiras de Nescau, entramos em uma classe com alunos novos e o desafio é conseguir fazer novas amizades dentro do Clube do Bolinha ou da Luluzinha. Se você é um menino que não se interessa por miniaturas de Hot Wheels ou cartas de Pokémon a chance de se enturmar diminui e se você é uma menina que não liga para enfeites de cabelo e Barbies, a probabilidade de fazer amizades logo de cara também diminui. A verdade é que pouco a pouco, com mais ou menos dificuldade, vamos encontrando nosso espaço e escolhendo quem levamos ao nosso lado no pátio da escola, e com quem vamos bater figurinha na hora do intervalo. E então, aqueles amigos do passado que não foram significativos ficam lá mesmo onde costumavam estar: no passado.

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E assim chegamos à adolescência, tentando nos ajustar ao corpo que cresce por vezes nos deixando desajeitados, aos sapatos que não calçam mais direito, às calças de cintura baixa e aos piercings no umbigo e orelha a mostra. Os jovens quando se juntam em grupos costumam ser bastante exclusivistas, e para fazer parte do grupinho deve-se ter coisas materiais em comum e pensar de modo parecido. Talvez por isso quando alcançamos o Ensino Médio sentimos que é o ápice da fase escolar, não só por estarmos a um passo de prestar vestibular, ingressar em um curso universitário/técnico/qualificante e encerrar a fase escolar, mas também por nos dividirmos tanto em grupos menores. No filme "Meninas Malvadas" (Mean Girls) há uma parte em que dois alunos da escola apresentam todas as "tribos" que existem nela e nesse momento percebemos o quanto nos rotulamos e encaixamos com os jovens mais semelhantes a nós:

Depois que o Ensino Médio acaba e passamos pela faculdade, mais uma vez aqueles que não foram significativos ficam para trás e cada vez menos levamos para a vida amizades de infância e/ou de longa data, os laços costumam ir, aos poucos, ficando mais frouxos e superficiais. Assim, já que com o tempo o número de amigos tende a diminuir, porque não estreitar os vínculos com aqueles que julgarmos importantes para nós? Que os nossos amigos, poucos e valiosos, sejam a família que escolhemos já que os membros da nossa família de sangue são fixos e unidos pelo amor e genética, há na nossa vida espaço para essas escolhas. As amizades podem ser comparadas ao ouro que o garimpeiro encontra entre as pedras de cascalho, não há como confundi-lo com as pedras não-valiosas pois seu brilho e cor são únicos, assim como o ombro amigo e apoio daqueles que escolhemos para fazer parte desse círculo tão próximo.

*Imagem retirada de domínio público.


Paula Cremasco

Professora de inglês formada em Letras e apaixonada pelas artes. Escrever é um lazer desde a infância e devido a isso, tudo pode se tornar um bom tema. Acredita fielmente que o bom humor e um sorriso largo fazem milagres. .
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