espaço das letras

Universo aberto

Clarice Leão

Brasileira, mineira e artista (bailarina contemporânea, musicista e atriz). Alimenta a fotografia e a escrita como hobbies. Cinéfila, leitora, viajante e viciada em café. Metamorfose ambulante e sobrevivente do cotidiano.

Transform(arte)

A arte como meio de transformação individual e social.


“A arte existe porque a vida não basta.” – Ferreira Gullar.

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Ela simplesmente chega sem pedir licença e despondera. Cinco segundos com essa divina criatura e já estará transformando a pedra em algo mais interessante (ou talvez o que muda é somente o seu próprio ângulo de visão do universo.). É por essas e outras que concordo com Gullar sobre essa perspectiva criativa de preenchimento do vazio existencial humano.

Muito mais do que simplesmente te preencher, caro leitor, a arte transforma e cria a experiência grandiosa de que para transformar o mundo de outras pessoas, é necessário transformar o seu próprio mundo, primeiramente. Eis a essência da liberdade de expressão, o poder de te fazer enlouquecer as ideias e renová-las.

Nos teus primeiros momentos de convivência, você fica deliberadamente assustado e anestesiado com o quanto ela te move. O vínculo vai se afirmando com o tempo. Ela não vai mais embora. É um parasita irregular que quando aloja, não tem pra ninguém. Você pode até lutar, mas aí percebe que a tal já caminha em seus pensamentos e já faz parte de seu cotidiano.

Quando deixa-se permitir, você se torna uma pessoa mais leve, consciente. Uma metamorfose ambulante, um ser místico e dotado de habilidades. A tal leveza sempre será atribuída à sensibilidade que o artista coloca ao se expressar intimamente nas obras, nos atos. É o poder de mexer com a alma do próximo (seja ele receptor de uma ideia ou não). Atribuímos a esse fenômeno, o nome de “mensagem”. Toda e qualquer arte em si, tem na essência, uma mensagem que será recebida, interpretada (e até mesmo replicada ou questionada) por uma saudosa e querida consciência.

Tudo se transforma. A arte não está somente em coisas nítidas e separadas, distanciadas por um ou outro elemento. É uma verdadeira mistura e está em tudo que compõe esse universo. Desde a formiga ou a pedra miúda no chão até a mais alta e poderosa construção. De um simples “olá” até o mais idolatrado amor.

Nietzsche fala que “A arte existe para que a verdade não nos destrua”. Sim, praticamos constantemente um fabuloso eufemismo ao falarmos da verdade. Mas ele será necessário e te fará ter a sensibilidade suficiente para que sua obra tire o outro indivíduo da zona de conforto, trazendo-o, então, para o papel da transformação. A verdade vira somente um objeto de trabalho nas mãos de um artista. Um objeto moldável digno de reparações, uma reflexão madura e límpida sobre o mistério da vida.

“- Ei, o que é aquilo? Uma pluma, uma pena, uma sacola plástica bailando no entardecer pela cidade? - Não, meu amigo, aquilo é um artista”.


Clarice Leão

Brasileira, mineira e artista (bailarina contemporânea, musicista e atriz). Alimenta a fotografia e a escrita como hobbies. Cinéfila, leitora, viajante e viciada em café. Metamorfose ambulante e sobrevivente do cotidiano. .
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