espaço das letras

Universo aberto

Clarice Leão

Brasileira, mineira e artista (bailarina contemporânea, musicista e atriz). Alimenta a fotografia e a escrita como hobbies. Cinéfila, leitora, viajante e viciada em café. Metamorfose ambulante e sobrevivente do cotidiano.

A luta feminina que nunca acaba

A Desigualdade de Gênero não nasceu no século XXI. Beauvoir, Curie, Margareth Tatcher, Olympe de Gauges... Podemos dizer que as evoluções referentes a equidade entre eles e elas sempre caminhou a passos lentos.


A atual sociedade ainda permeia sobre as assimetrias de gênero. Os papéis atribuídos ao feminino são submetidos às constantes violências morais, psíquicas e físicas. Esses padrões sociais são repassados de geração a geração através do que chamamos de "Processo de Socialização Diferencial de Gênero.".

Podemos dizer que as evoluções referentes a equidade entre eles e elas sempre caminhou a passos lentos. O primeiro sinal de mudança começou na Revolução Francesa em 1789. Criou-se na época a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão", mas o documento não incluía as mulheres que também lutavam bravamente contra o absolutismo. Foi então que Olympe de Gauges escreveu a "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã" sendo publicada no mesmo ano. A ideia de igualdade logo foi satirizada pela avalanche machista da história e tais alegações não foram para frente.

mulheres

No início do século XIX, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos EUA contra as desigualdades no mercado de trabalho: limitado e desequilibrado, os serviços que poderiam prestar eram somente aqueles equivalentes ao papel submisso que empregavam.

O dia 8 de março de 1857 ficou reconhecido por surgir de uma dessas greves. Trabalhadoras de uma indústria têxtil de Nova Iorque foram reprimidas com violência policial. As reivindicações eram numerosas como: redução de 16 para 10 horas de trabalho (ou seja, equiparar a carga diária feminina à carga diária masculina) e aumento salarial (as funcionárias ganhavam 1/3 do salário dos funcionários.). Em 8 de março de 1908, mulheres do comércio de agulhas da mesma cidade, fizeram uma manifestação para lembrar 1857 e exigir o voto feminino. Este movimento também foi reprimido pela polícia.

Em 1910, se discutiu sobre o papel feminino na sociedade em um evento conhecido como "Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca". No dia 25 de março de 1911, um incêndio criminoso na fábrica da Triangle Shirtwaist matou aproximadamente 120 grevistas - a maioria costureiras. O "Dia Internacional da Mulher" foi oficialmente reconhecido em 1975 quando a Organização das Nações Unidas (ONU), aos seus 27 anos, aprovou a data em memória das trabalhadoras assassinadas.

mulheres.jpg

Somente em 1951 - 40 anos depois do incêndio - a Organização Internacional do Trabalho (OIT) oficializou a igualdade salarial e da jornada de trabalho. Porém, ainda hoje tais desproporções persistem em vários países. No Brasil, por exemplo,segundo uma pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), as mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana. Em 2015, a agência de empregos Catho também divulgou uma análise sobre uma desigualdade salarial de 30% no país.

A discriminação sofrida pela brasileira também tem origem histórica. Com o movimento internacional das sufragistas (que chegou ao nosso país uma década depois de seu início), a Constituição de 1934 deu às mulheres o direito ao voto. Porém, as próximas eleições ocorreram depois da queda de Vargas em 1945. Portanto, caras amigas, contando o período militar, significa dizer que votamos há apenas 51 anos!

O-Dia-Internacional-da-Mulher-celebrado-em-8-de-março-tem-como-origem-as-manifestações-das-mulheres-por-melhores-condições-de-vida-e-trabalho.jpg

Até pouco tempo atrás, mulheres solteiras não podiam abrir contas em bancos. Quando casadas, podiam com a autorização do marido. Também não podíamos falar sem a concessão de um homem. Éramos consideradas relativamente incapazes de comprar e vender. Ainda hoje somos consideradas minúsculas, atrasadas, quase sempre insuficientes. Temos a obrigação de cuidar do universo sabendo, entretanto, que o universo não nos cuidará. Há padrões de beleza, de comportamento E expectativas quanto ao que sentimos. Sensível demais? Eca! Rude demais? Eca! Magra demais? Eca! Gorda demais? Eca! Vivemos em blocos de gessos sem janelas não possuindo sequer picaretas para quebrá-los.

Mulheres da pátria amada Brasil, uni-vos. É preciso reverter a nossa situação na sociedade. É preciso continuar lutando para que tenhamos chances mesmo sabendo que "o tempo é o melhor remédio.". Não deixaremos que calem as nossas queridas vozes. Não deixaremos que burlem os direitos conquistados com o suor e o sangue de nossas ancestrais.

Somos, sim, as netas das bruxas que eles não conseguiram queimar.


Clarice Leão

Brasileira, mineira e artista (bailarina contemporânea, musicista e atriz). Alimenta a fotografia e a escrita como hobbies. Cinéfila, leitora, viajante e viciada em café. Metamorfose ambulante e sobrevivente do cotidiano. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Clarice Leão