espelho artistico

refletindo a arte e vida

Letícia Moreira

Aquariana apaixonada por todo tipo de arte, amante de psicologia, cultura, natureza e gatos, especialmente pretos. Impressionada com a humanidade, mas ainda põe fé na vida, açúcar no café e paz no coração.

Entre partidos e partidas

Quando se vai embora se faz uma escolha, ás vezes assertiva, ás vezes não. O tempo traz algumas certezas, mas essas certezas nem sempre acompanham uma oportunidade de fazer diferente, seja qual for o seu conceito de fazer diferente.Entre partidos e partidas resta apenas achar um caminho alternativo.


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Dizer adeus nunca é fácil, não é mesmo? Principalmente quando há aquele imensurável desejo de ficar, de permanecer. Deixar para trás é doloroso e essa partida pode ser ainda mais difícil quando ainda se sente aquele peso no pulmão, coração comprimido, e nó na garganta, motivos tão óbvios, não acabou o amor, e agora o que fazer?Seguir em frente e espalhar sorrisos superficiais, se empenhar no trabalho para tentar afastar as lembranças, esquecer... Usar de todos os artifícios para ir adiante e superar, ou persistir e lutar pelo que ainda se diz amar.

Bifurcação complicada, não é simples escolher. Abrir mão do orgulho, ou fazer do mesmo um motivo para ficar de pé e não apenas sobreviver? Ir embora dói, dói muito quem já sentiu o coração pulsar acelerado e ficar apertado pelo mesmo motivo, pelo menos alguém, sabe muito bem o que é isso, mas há casos que isso é o melhor a ser feito. Ninguém devia amar por dois e segurar sozinho uma corda que é conjunta, demonstrar por ambos. Sei bem de todos esses ditos populares de que menos demonstra é quem mais sente, e em partes até concordo, porém penso que quando a saudade fala mais alto, quando mais que isso, ela grita ensurdecedoramente, o orgulho da vazão a demonstração, ao um ‘sinto sua falta’ 'ainda não esqueci" “ ainda dói” entre outros clichês de um coração partido. Mesmo que não seja assim de forma tão direta, quando a ausência pesa há um jeito de expressar, ainda que seja com uma musica, ou lembrança compartilhada, e todos esses pequenos detalhes de quem ainda se gosta, e que de alguma maneira não quer desistir, que sente muito em ter que deixar para trás, e independente do que se sucedam não superou o fim, não esqueceu o adeus, e mais além,que o amor não se apagou.

Quando se vai embora se faz uma escolha, ás vezes assertiva, ás vezes não. O tempo traz algumas certezas, mas essas certezas nem sempre acompanham uma oportunidade de fazer diferente, seja qual for o conceito de fazer diferente, para alguns consiste em deixar de fato o passado no seu devido lugar, erguer a cabeça e fazer do orgulho um motivo para se sustentar e não como uma pedra no caminho, mas como um eficaz aliado, já para outros, o tal fazer diferente é expressar o que ainda sente ao invés de deixar o tempo apagar e cicatrizar as feridas não saradas, é ir atrás e dizer que a saudade machuca e rouba o sono, que as lembranças pesam e fazerem querer estar junto outra vez, por o coração na bandeja e dizer que o amor não acabou e estar preparado para lidar com as consequências. Fazer diferente é uma questão pessoal, subjetiva demais para julgar quem opte em seguir por qualquer um desses caminhos.

E no fundo não se tem total certeza de nada, se ir por A ou B é o melhor é algo complexo de se responder, visto que o arrependimento pode bater a porta independente de qual caminho se opta seguir. O arrependimento de ter calado e deixado o mover dos ponteiros afastar o que ainda sobrara e permaneceu dentro de si, assim como o arrependimento de ter gasto palavras em vão e ter dado de cara na parede. Querendo voltar no tempo e não proferir palavra nenhuma para quem não demonstra ter a mesma intensidade no sentir ou no demonstrar. Cada escolha implica uma renuncia, e do seu próprio sim e não, ninguém melhor que você mesmo para saber.Entre partidos e partidas resta apenas encontrar um caminho alternativo.


Letícia Moreira

Aquariana apaixonada por todo tipo de arte, amante de psicologia, cultura, natureza e gatos, especialmente pretos. Impressionada com a humanidade, mas ainda põe fé na vida, açúcar no café e paz no coração..
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