espelho periódico

Espelhos não mentem, mas podem enganar

Fernanda Miki

Jornalista, gaúcha, amante das artes e do vinho.

Sobre reciprocidade, equilíbrio e empatia

Fulano sofre constantemente, mas não sabe reconhecer a dor do próximo e estender a mão sem ser solicitado. Esse cara. Não seja esse cara.


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Que se pronuncie o indivíduo que nunca saiu de seu estado de conforto para ajudar alguém que, quando você precisou, não fez nada a respeito. O mundo precisa conhecê-lo e aprender com você! Façamos um ‘masterclass’ coletivo com este ser iluminado.

Sempre tem alguém que está constantemente precisando de ajuda, mas para quem, depois de calma a tempestade, suas atitudes não passaram de pequenas ações sem esforço algum. Uma ‘mão na roda’ como diriam os antigos. Você não estava fazendo nada mesmo…

As pessoas esquecem que, ao decidir encarar a tormenta junto deles, nós somos também levados pela ventania. Bueno, depois sempre vem a ‘bonança’, é o que falam. Entretanto, nós também temos os nossos próprios tornados para enfrentar, e é aí que nos vemos sozinhos. A impressão que dá é de que, as pessoas que mais nos esforçamos para ajudar, são as que menos percebem quando precisamos de um puxão para fora do olho do furacão. As suas tempestades as levam a Oz, ao encontro de Dorothy, Totó e a trupe; as nossas, no máximo, nos levam ao varal para recolher a roupa. E não grite que está chovendo, porque aí já é fiasco!

O mundo precisa de mais gente capaz de se colocar no lugar do próximo; de perceber quando precisa ser o ponto de equilíbrio. Gente que entende que confiança é uma via de mão dupla muito mal sinalizada. Há que estar atento à faixa ao lado.

O mundo precisa de reciprocidade; se não de menos egoísmo.

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Temos o ‘meme’ daquele cara. Serve para tudo! “Esse cara. Não seja esse cara!”

Não seja esse bebê chorão que acredita que o mundo não contribui para o seu sucesso, enquanto fica sentado na sala reclamando. Não seja o cara que adora vomitar todas as suas frustrações mas apenas finge escutar quando alguém fala das suas próprias.

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Não seja o cara que as pessoas vão cansar de ajudar! O cara que não sabe trabalhar em conjunto a não ser que tudo seja feito a sua vontade assim na terra como no céu. O que sempre tem um problema maior; o que não consegue se identificar com o sofrimento do outro e por isso conclui que é ‘bobagem’. O cara que não sabe expressar os seus sentimentos e acredita que todos deveriam agir da mesma forma. Esse cara é um babaca! Não seja esse cara!

Entenda que uma hora o mundo vai, inevitavelmente, passar a retribuir tudo o que você jogou no universo. Mesmo que esse tudo seja nada.

Não seja o cara que não sabe se identificar em ninguém além do cara deste texto.


Fernanda Miki

Jornalista, gaúcha, amante das artes e do vinho. .
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