essa metamorfose ambulante

Porque a verdade é só uma questão de perspectiva

TOLEDO, R.R.

Meistre da Cidadela do Reino Cintilante: 'The Shitborn, Queen of The Crossovers, The Blender of References and Protector of The Madness'. Farmacêutica com deficiência nos níveis endógenos de dopamina e serotonina. Em uma busca incessante pelo controle da ansiedade, da angústia e da loucura... Uma existência tentando governar sua essência, mas sempre presa no terrível paradoxo da liberdade. P.S.: Fã de Sartre e Cultura Pop! - caso as referências não tenham sido óbvias o suficiente -

Empatia: uma análise além da Superfície

É preciso “cortar o mal pela raiz”, esse verbete popular – antigo e clichê – é também muito verdadeiro! Porém o mal não é uma concepção concreta e absoluta. A subjetividade daquilo que faz mal só é identificável ao indivíduo que o sente. Por isso, antes de tudo, é preciso entender o outro. É preciso cultivar a empatia, exercitar o amor e a compaixão!


raizq.jpg

É preciso se afastar de algumas pessoas. Se isolar, sacrificar efêmeras alegrias circunstanciais, ignorar a necessidade humana de contato físico e interação social, mesmo que seja por alguns instantes. No entanto, dependendo das pessoas é preferível que seja em definitivo. Aquele verbete popular, antigo e clichê, é verdadeiro: é preciso “cortar o mal pela raiz”.

E o mal é subjetivo, relativo àquilo que se sente.

E o sentimento é pessoal, individual e abstrato. É possível se sensibilizar, especialmente, com as situações mais trágicas a que um ser humano é submetido: fome, miséria, violência. Mas a empatia é muito mais do que a conseqüência da piedade, é um exercício quase transcendental de amor e compaixão!

tx4im2.jpg

E não existe amor sem o respeito ao indivíduo.

E não existe respeito quando há a restrição da liberdade, a imposição sacana de princípios fundamentados no autoritarismo e moldados pelo pensamento alheio.

A empatia se encontra diametralmente oposta a tudo isso. A projeção do seu pensamento e suas concepções pessoais ao outro é desrespeito disfarçado de moralidade. Ao olhar o mundo, em toda sua grandiosidade e complexidade, sem trocar as lentes da percepção, coloca-se em prática a arrogância e o egoísmo.

tx4im3.jpg

A empatia existe apenas quando há a ausência da arrogância e do egoísmo. Sendo, portanto, um exercício de extrema dificuldade e propenso a constantes falhas. E falhar não é sinal de hipocrisia, é a constatação da imperfeição. Falhar é ser Humano.

Os desdobramentos desta reflexão sempre me levam a uma triste conclusão: a empatia é um ideal utópico de comportamento, inventado na tentativa de suprir a humanidade de sua ausência de humanidade. O humanismo é um conceito belo, mas pouco reproduzido na nossa realidade.

O natural do ser humano não é o Belo, é o escatológico, o abjeto e o deplorável. O ser humano não é um humanista, ele é intrinsecamente instintivo e violento.

tx4im4.jpg

A empatia, por outro lado, em sua definição primordial é algo absolutamente belo. É a transferência da consciência de um indivíduo para o contexto de outro indivíduo. É a capacidade de trocar de lentes e enxergar o mundo na perspectiva do outro. Porém, o contexto do outro é mais do que o ambiente em volta, as condições sociais e econômicas; é além de tudo isso o ambiente interno, as experiências adquiridas, as condições psicológicas e o padrão neuroquímico do indivíduo. É devido a essa complexidade que a empatia se constitui de uma mera utopia.

Mas utopias existem para nortear a busca pelo inalcançável.

Utopias são excelentes ferramentas de transformação do indivíduo.

Thomas Hobbes acertou quando disse que o Homem é o lobo do Homem, mas Sartre também acertou quando disse que o homem não é coisa alguma. Ele está – é um estado transitório –; ele é um processo para – está em constante transformação e evolução –.

É preciso cortar o mal pela raiz. É preciso cultivar a empatia. É preciso se afastar de tudo aquilo que te impede de correr atrás deste ideal utópico. É preciso exercitar o amor e a compaixão.

esperança.jpg


TOLEDO, R.R.

Meistre da Cidadela do Reino Cintilante: 'The Shitborn, Queen of The Crossovers, The Blender of References and Protector of The Madness'. Farmacêutica com deficiência nos níveis endógenos de dopamina e serotonina. Em uma busca incessante pelo controle da ansiedade, da angústia e da loucura... Uma existência tentando governar sua essência, mas sempre presa no terrível paradoxo da liberdade. P.S.: Fã de Sartre e Cultura Pop! - caso as referências não tenham sido óbvias o suficiente -.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious //TOLEDO, R.R.
Site Meter