essa metamorfose ambulante

Porque a verdade é só uma questão de perspectiva

TOLEDO, R.R.

Maester of The Citadel from The Sparkling Realm: 'The Shitborn, Queen of The Crossovers, The Blender of References and Protector of The Madness'. Farmacêutica com deficiência nos níveis endógenos de dopamina e serotonina. Em uma busca incessante pelo controle da ansiedade, da angústia e da loucura... Uma existência tentando governar sua essência, mas sempre presa no terrível paradoxo da liberdade. P.S.: Fã de Sartre e Cultura Pop! - caso as referências não tenham sido óbvias o suficiente -

Fontes de Contaminação na Produção Farmacêutica

Existem vários pontos críticos da produção de medicamentos que podem interferir na qualidade do produto final, por isso é importante identificá-los e desenvolver medidas corretivas para evitar o problema, como o indispensável Controle de Qualidade antes do processo produtivo. Este artigo discute alguns casos, presentes na literatura científica, de problemas de contaminação microbiana em produtos farmacêuticos, correlatos e cosméticos.


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Existem vários pontos críticos da produção de medicamentos que podem interferir na qualidade do produto final, um dos pontos mais importantes é a mistura das matérias-primas no início do processo. Neste ponto é possível que a fonte de contaminação seja os operadores que manipulam as matérias-primas, a própria matéria-prima, os equipamentos que processam as matérias-primas, o ambiente ou a combinação desses fatores (BLOOMFIELD, 1988). Muitas pesquisas ao longo das últimas décadas foram realizadas e verificou-se que uma das principais razões para a perda de qualidade de produtos acabados é a contaminação microbiana e que as matérias-primas são as maiores responsáveis por estes eventos (DENYER, 1988). Em estudos conduzidos para identificar o tipo de contaminação predominante em matérias-primas usadas na indústria farmacêutica, descobriu-se que o gênero Bacillus é muito relevante e corresponde à 86,53% da contaminação total. Outras bactérias aeróbias foram descritas, muitas delas (6,72%) cocos Gram-positivos pertencentes à variados gêneros: Planococcus, Micrococcus e Staphylococcus coagulase-negativos (MARTINEZ-BERMUDEZ, 1991).

tx11im2.jpg Cateter

Na produção de correlatos também são registrados números expressivos e frequentes de contaminação, que se somam aos eventos hospitalares graves de infecção e bacteremia, especialmente a presença de microorganismos em cateteres (REINERT, 1995). Nestes eventos detectaram-se a presença de várias espécies de bactérias Gram-positivas, sendo que as mais importantes foram o Bacillus circulans, Bacillus licheniformis e Brevibacterium casei (O´DAY, 1981) e, novamente, o gênero Bacillus foi predominante e relevante dentre os casos de bacteremia observados como consequência de contaminação de produtos, que deveriam ser estéreis. Casos de bacteremia devido ao uso de produtos farmacêuticos contaminados são frequentes e muitos são descritos na literatura, porém na maioria dos casos não é possível a identificação da causa específica da contaminação durante o processo, mas a detecção do contaminante fornece pistas importantes. Por exemplo, contaminantes como Klebsiella pneumoniae já foram encontrados em produtos cosméticos e teve como conseqüência casos de bacteremia (ABDELAZIZ, 1989), porém constituem um tipo incomum de contaminação na indústria farmacêutica, e visto às suas características microbiológicas de colonização ampla, sendo encontrados em todos os ambientes naturais (água, plantas e solo) e no trato gastrointestinal de seres humanos (MADSON, 1994) (SANTOS, 2006) é muito difícil identificar a fonte desta contaminação. Mas as especulações nos fornecem informações valiosas, sendo um produto cosmético é possível que algumas de suas matérias-primas sejam de origem vegetal, que pode ser uma fonte de contaminação, porém na produção utiliza-se, quase que invariavelmente, água – que também representa uma possível fonte de contaminação – assim como a falta de higiene dos operadores pode constituir uma fonte de contaminação não só para o produto como para o ambiente e os equipamentos. Mas levando-se em consideração que a Klebsiella pneumoniae não é um contaminante freqüente, podemos descartar como fonte de contaminação a água e a matéria-prima, pois estes são utilizados o tempo todo na indústria para a produção dos variados medicamentos e para realizar a limpeza do ambiente e dos equipamentos, logo a contaminação tem de ser pontual e específica, neste caso. Sendo assim, a provável fonte de contaminação por Klebsiella pneumoniae nesses cosméticos foram os operadores ou os materiais de embalagens utilizados. Um outro caso bem incomum de contaminação de produto farmacêutico levou à morte de quatro bebês na Nova Zelândia. Neste caso o produto em questão também era um cosmético, o talco, e nele foi detectado a presença de Clostridium tetani (TREMEWAN, 1991). Essa bactéria é um bacilo anaeróbio estrito, produtor de esporos e está presente no solo e intestinos de animais e seres humanos (TAVARES, 1973). Contaminação de produtos com este agente etiológico é altamente incomum, e as possíveis fontes de contaminação neste caso são bem mais restritas, sendo os operadores da indústria a provável causa da contaminação.

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Visto que casos de infecção envolvendo a utilização de cosméticos são muito frequentes e podem representar risco à saúde de mesma gravidade que a contaminação de medicamentos, muitos estudos de identificação e quantificação de microoganismos em produtos cosméticos foram realizados para encontrar um perfil de contaminação quanto ao tipo e proporção de contaminantes. Um estudo que investigava a presença de patógenos presentes em hidratantes, em níveis capazes de infectar imunocomprometidos, constatou que a origem das contaminações foram as matérias-primas utilizadas, bem como as condições ambientais e de como os produtos foram produzidos e embalados (ITIN, 1998). Outro estudo mais recente, realizado em países tropicais subdesenvolvidos, avaliou 49 produtos (cremes e loções), dos quais 20 deles apresentavam crescimento microbiano. Esses produtos apresentaram contaminação mais frequente de E. coli, Pseudomonas spp. e Bacillus spp, durante a contagem inicial, que é feita quando o produto ainda não foi utilizado e, portanto, não foi manipulado pelo consumidor (OKEKE, 2001). Outro estudo semelhante, realizado no Irã, avaliava a presença de microorganismos em cremes, onde foram detectados em maior proporção bacilos Gram-positivos, sendo 38% na contagem inicial e 54% na contagem realizada após o uso do produto (BEHRAVAN, 2005). No processo de fabricação de medicamentos existem inúmeras fontes de contaminação microbiana. Esta contaminação pode estar presente na matéria-prima que será invariavelmente transferida para o produto, assim como outras contaminações oriundas de equipamentos e ambiente produtivo, dos operadores e do material de embalagem (BLOOMFIELD, 1988).

Diante de todos os exemplos descritos na literatura sobre as possíveis causas de contaminação de produtos farmacêuticos durante o processo produtivo na indústria farmacêutica, é necessário medidas preventivas em todos os setores de produção e é indispensável as análises microbiológicas pelo controle de qualidade antes de iniciar a produção. Uma dessas análises é o controle ambiental, que deve ser realizado nas áreas de produção e constitui da monitoração do ambiente quanto à contaminação microbiana. Uma das justificativas para esta análise é a presença e o crescimento favorável de bacilos Gram-positivos, cocos e fungos em paredes secas. Outra fonte muito importante de contaminação são os operadores, pois, durante atividades normais, a perda de escamas da pele é da ordem de 104 por minuto. E os contaminantes transportados por elas são diversos, incluindo micrococos não patogênicos, difteróides e estafilococos, assim como Salmonella spp e Escherichia coli que também podem estar presentes se associados à hábitos de higiene inadequados dos operadores (PINTO, 2003). As análises do controle de qualidade microbiológico também devem ser realizadas nos materiais de embalagem, cujas características são favoráveis à presença e crescimento de Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus (DENYER & BAYRD, 2006), e na água, que é utilizada quase que invariavelmente na produção de qualquer medicamento e insumo farmacológico e, geralmente, é utilizada em grandes quantidades na fórmula de produção, representando, portanto, uma fonte de contaminação fundamental e de enorme relevância (MACEDO, 2005).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABDELAZIZ, A. A. et al. Microbial contamination of cosmetics and personal care items in egypt-eye shadows, mascaras and face creams. J. Clin. Pharm. Ther., v. 14, n. 1, p. 21-28, 1989.

BEHRAVAN, J. et al. Survay of bacteriological contamination of cosmetic creams in iran. J. Dermatol., v. 44, p. 482-485, 2005.

BLOOMFIELD, S. F. et al. Microbial quality assurance in pharmaceuticals. Cosm. Toilet., p. 222, 1988.

DENYER, S. P. Clinical consequences of microbial action on medicines. In: Houghton, D.R., Smith, R.N. Biodeterioration., v. 7, p. 146-151. 1988.

DENYER, S. P.; BAYRD, R. M. Guide to microbiological control in pharmaceuticals and medical devices. Taylor e Francis, 2 ed.,2006. 608 p.

ITIN, P. H. et al. Cutaneous manifestation of P. lilacinus infection induced. J. Am. Acad. Dermatol., v. 39, n. 3, p. 401-409, 1998.

MACEDO, J. A. Métodos laboratoriais: análises físico-químicas e microbiológicas. 3. ed. Belo Horizonte: CRQ, 2005. 601 p.

MADSON, B. et al. Type 1 fimbrial shafts of Escherichia coli and Klebsiella pneumoniae influence sugar binding specificities of their fimbre H adhesions. Infect Immun 1994; 62: 843-8.

MARTINEZ-BERMUDEZ, A. et al. Tipos de contaminantes microbianos de matérias-primas farmacêuticas. Rev. Lat. Amer. Microbiol., v. 33, p. 153-157, 1991.

O´DAY, D. M. et al. The problem of Bacillus species infection with special emphasis on the virulence of B. cereus. Ophthalmology, v. 88, p. 833-838, 1981.

OKEKE, I. N. et al. Bacteriological quality of skin-moisturizing creams and lotions distributes in tropical developing country. J. Appl. Microbiol., v. 91, p. 922-928, 2001.

PINTO, T. J. A. et al. Controle biológico de qualidade de produtos farmacêuticos, correlatos e cosméticos. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2003.

REINERT, R. R. et al. Recurrent bacteremia due to Brevibacterium casei in an immunocompromised patient. Eur. J. Cin. Microbiol. Infect. Dis., v. 14, p. 1082-1085, 1995.

SANTOS, D.F. et al. Características microbiológicas de Klebsiella pneumoniae isoladas no meio ambiente hospitalar de pacientes com infecção nosocomial. Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Goiás, Mestrado em Ciências Ambientais e Saúde, 2006.

TREMEWAN, H. C. Tetanus neonatorium in New Zealand. N. Z. Med. Jour., v. 45, p. 312-312, 1991.

TAVARES, W. O Clostridium Tetani e o tétano. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. Vol. VII – Nº 1. Jan.-Fev., 1973.


TOLEDO, R.R.

Maester of The Citadel from The Sparkling Realm: 'The Shitborn, Queen of The Crossovers, The Blender of References and Protector of The Madness'. Farmacêutica com deficiência nos níveis endógenos de dopamina e serotonina. Em uma busca incessante pelo controle da ansiedade, da angústia e da loucura... Uma existência tentando governar sua essência, mas sempre presa no terrível paradoxo da liberdade. P.S.: Fã de Sartre e Cultura Pop! - caso as referências não tenham sido óbvias o suficiente -.
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