estética doméstica

O prazer da arte consiste no livre jogo da razão associada à intuição

Alysson Camargo

escrevendo sobre os devaneios nas artes.

Alexandre Mury: fotografia como devaneio da realidade

A partir da desconstrução da ideia de naturalismo fotográfico, e portanto pela busca por uma identidade subjetiva começa a caminhada artística fotográfica, a câmera como ponte entre o que se vê e a fotografia como materialização desse olhar poético.


Untitled-1-01.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Um ponto interessante para pensar a fotografia como potência artística é quando ampliamos ela além do seu caráter apenas documental, pensando a fotografia como representação da realidade e não apenas como documentação da realidade, assim como os pintores, os fotógrafos têm a liberdade de fazer escolhas, consciente ou inconscientes, que definem como a foto será feita.

Untitled-1-07.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Com a premissa de representação da realidade, a fotografia consegue desvendar o seu lado ficcional, com a criação de novas percepções da realidade.

Untitled-1-10.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Untitled-1-05.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Por meio da fotografia podemos criar novas propostas imaginárias, colocando para vocês questões poéticas para reflexão, explicando que nem sempre que vemos uma fotografia podemos assumir que aquilo que vemos realmente aconteceu e é real.

Muitas fotos são montadas, pensadas, planejadas, e essa ferramenta de construção de fantasias, está diretamente vinculada ao processo criativo de diversos artistas.

Um fotógrafo que trabalha com a poética imaginária é o Alexandre Mury, artista brasileiro que criou a obra “Eu sou a pintura”, representando através da fotografia, pinturas tradicionais.

Untitled-1-09.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Untitled-1-11.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Quando apertamos o botão e fazemos uma foto, também fazemos uma série de escolhas, algumas mais técnicas, outras mais subjetivas, porém um passo importante desse processo é o olhar do fotógrafo, aqui utilizo como exemplo qualquer pessoa que já tirou alguma fotografia em sua vida, essa pessoa tem uma história, uma cultura, valores, gostos, já participou de experiências durante a sua vida que fazem dela uma pessoa única.

A partir disso começamos a pensar o olhar subjetivo na fotografia, se cada pessoa tem um caminho diferente, e com sua bagagem cultural própria, quando essa pessoa estiver em posse de um câmera, no momento do registro, toda essa bagagem vai influenciar em suas escolhas.

Untitled-1-04.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Untitled-1-02.png Alexandre Mury, eu sou a pintura, 2014.

Compreendo que quando algumas pessoas realizam fotografias, algumas questões se repetem, e a partir do momento que tomamos consciência dessas repetições podemos potencializar temáticas conferindo originalidade e autenticidade para as fotografias.

hqdefault.jpg

Alexandre Mury, Lisa, 2013

Neste vídeo o artista fala rapidamente sobre seu processo artístico.

Alexandre Mury trabalha suas fotografias como potência artística e a partir de seu olhar, suas escolhas, atitudes e posicionamentos, sejam políticos ou estéticos, ele compartilha como observador do mundo o seu ponto de vista poético.


Alysson Camargo

escrevendo sobre os devaneios nas artes. .
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/fotografia// @obvious, @obvioushp //Alysson Camargo
Site Meter