eulírico

Concepções do mundo

Naílle Conceição

As obras de arte de Sofia Coppola

Sofia Coppola é uma das diretoras de cinema mais indie dos últimos tempos e ao mesmo tempo, ícone da cultura pop. Em suas obras, ela explora a psique humana usando músicas alternativas, fotografia intimista e melancolia, fazendo dessas as suas marcas, criando um estilo que divide opiniões. Mesmo filha de um diretor famoso, a artista não deixa isso pesar na sua trajetória e segue conquistando fãs ao redor do mundo.


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Um olhar sensível aos desdobramentos da psique humana em forma de películas, um sobrenome famoso que não interfere no seu talento nem deslizes e um ótimo gosto musical. Uma diretora, mãe, filha de um renomado também diretor e fashionista que sabe mesclar cultura pop e autorreflexão. Com muito estilo.·.

Sofia Coppola estreou no cinema em 1990. Não foi como diretora e sim atriz em um filme dirigido por seu pai, um tal de Francis Ford Coppola. Seu desempenho como Mary Corleone foi tão fraco que lhe rendeu a primeira de suas duas indicações ao Framboesa de Ouro. A segunda foi como ama da Rainha Amidala em Star Wars: Ameaça Fantasma. Nesse papel Sofia não teve falas ou qualquer ação significativa, mas a indicação se tratava de um convite formal à aposentadoria precoce.

O diretor do prêmio afirmou que o prêmio tem suas vantagens em relação às carreiras. "Ela não atuou mais. Perdemos uma péssima atriz e ganhamos uma grande diretora”. Funcionou. Sofia não só é reconhecida pelo público, como a crítica também foi tocada pelo seu modo peculiar de contar uma história. Ela começou com o sensível e sombrio "As virgens suicidas" o qual contou com seu pai na produção, mas a cineasta já apresentava seu estilo na tela.

O filme abordou de forma sucinta um tema polêmico até os dias de hoje, o suicídio. Muito comum entre os jovens, mas pouco falado entre a mídia e as famílias. A adaptação da obra de Jeffrey Eugenides foi bastante fiel e conseguiu passar ao público toda a angústia e sensação de asfixia presente nas vidas das garotas Lisbon, as suicidas do título. Antes do longa,Sofia dirigiu alguns clipes musicais e o curta “Lick the star”.

beb6071af0a0dfd85fe0d5a703447c9b.jpg As meninas Lisbon e seus admiradores

O seguinte "Encontros e Desencontros" lhe rendeu seu primeiro Oscar, por melhor roteiro original. Apesar de ter sido indicada como Melhor Diretor (a) Sofia não venceu. Se ganhasse, seria a primeira mulher a vencer na categoria. Poucas mulheres foram indicadas à Melhor Diretor (a) e a indicação é considerada por muitos o máximo que elas podem chegar. Porém, a cada dia mais mulheres despontam nesse ciclo com obras memoráveis, como Anna Muylaerte (Que horas ela volta?) que, mesmo com uma carreira de anos, só ganhou o grande público com a penúltima obra e também o crescimento do empoderamento e feminismo na mídia.

6c790a92398eb9aceb6495b25444fa50.jpg Você está perdido?

A academia também é conservadora, portanto é impossível dizer quando e quem será a primeira Melhor Diretora do Oscar.Seu filme seguinte retratou a vida da de um dos maiores ícones de moda da história, Maria Antonieta. Como fã, costumo "passar a mão" da cabeça dela em relação à condução da história, mas “Marie Antoinette” tem vários problemas, e nem falo de seu final abrupto, mas na falha promessa de humanização da rainha.Uma garota mandada para outro país à própria sorte.

Entendemos que ela se sentia sozinha e desconfortável, mas depois passou a ser uma precursora de Paris Hilton. Não que seu amor à moda fosse problema, humanizá-la não seria transformá-la em coitada. Mostrar a outra face da moeda também seria bom, mas ela havia perdido dois filhos, e ninguém se importou. Qual o momento mais humano ela poderia ter senão a dor da perda?

0b7e03a3edf1fce2220c6277fd374c43.jpg Let them eat cake!

Compensaria a ausência de final trágico. Ao avaliar sua filmografia, muitos críticos dizem que ela se autorreferencia, como em “Lost in translation” e “Somewhere”. É bem verdade que algumas cenas de seus filmes lembram seus trabalhos anteriores, mas isso faz parte de seu estilo.Muitos diretores como Martin Scorcese, Michael Bay, David O. Russel, Quentin Tarantino e Wes Anderson possuem estilo próprio, elenco predileto e autorreferência, mas as críticas não são tão pesadas.

Ontem assisti "Somewhere" (Um lugar qualquer) onde ela novamente explora a melancolia e o vazio da vida de quem tem tudo e nada ao mesmo tempo.Nesse trabalho ela pôs experiência própria sobre sua infância e o trabalho do pai.O longa conta com una atuação simples e delicada de Elle Fanning, tão jovem quanto promissora. Algumas cenas, como a de abertura parecem simples, mas ao mergulhar na história contada percebemos que a diretora mostra muito mais com simples detalhes.

396b7cbd2037cfd239c77316b168779a.jpg História familiar.

Quem pensa que Sofia não arrisca não assistiu "The Bling Ring”. O roteiro, escrito por ela foi inspirado em um artigo da Vanity Fair sobre o grupo de jovens ricos que assaltavam famosos.Luzes fortes, trilha sonora mainstream e ídolos teen formam a base deste, que mesmo não sendo seu melhor trabalho é a prova que ela sabe inovar sem perder a identidade. Eu costumo falar com orgulho para as pessoas que já assisti todos os filmes dela, e ele está ainda maior ao contar para vocês.

b3daba7a3da1674efbefa7965738cee8.jpg I want to rob

É simplesmente maravilhoso que alguém tenha uma visão de mundo tão peculiar e bonita e transforme isso em arte. Eu me sinto praticamente obrigada a fazer com que o mundo saiba o quanto ela e sua obra são especiais.·.Eu gosto das cores múltiplas de sentido que ela usa. Me lembra Picasso.A fase azul em " As virgens suicidas" com melancolia e incomodo presente,a sensação de que algo não está certo,a fase rosa em "Marie Antoinette" com leveza e tons pastéis espalhados entre flores,vestidos, sapatos e macarons,que nem existiam na época que a última rainha francesa viveu,mas a diretora quis incluí-los para completar a mise-en-scene.

Funcionou,assim como o par de all stars jogados no boudoir da rainha,demonstrando de forma sutil que Maria Antonieta era só uma adolescente.Quando tive a oportunidade de conversar com um crítico do Plano Crítico, meu site favorito sobre o assunto, perguntei sobre seu trabalho e compartilharmos a vontade de vê-la "oscarizada” como diretora.

Mesmo com uma carreira curta, que não abre espaço para tantos questionamentos, Sofia Carmina Coppola conquistou seu espaço e respeito pelo seu trabalho e originalidade, fazendo de seu sobrenome apenas um detalhe.

Ela é mais do que uma diretora, e sim um ícone, por saber juntar diferentes elementos em mais ou menos duas horas de filmes que nos fazem refletir sobre o rumo que levamos em nossas vidas, se devemos olhar para o lado e perceber os infinitos de outrem e expandir o nosso próprio. Sofia é uma artista.

2208254aac76058cdfb49d29dd015468.jpg Mulher,diretora,mãe,esposa,filha, atriz,fashionista, quase psicanalista,diva,diretora,artista.


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