eulírico

Concepções do mundo

Naílle Conceição

Muito além de uma música de motel

Vamos falar de música?Vamos falar de sexo?Vamos falar de arte.


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J'et aime noi non plus .Ao ouvir essa música, você vai lembrar de motel.Ou da Jane Birkin.Ou do Serge Gainsbourg,pai da Charlotte,dos filmes do Lars,onde o sexo nunca é só sexo.Ou da Brigitte Bardot.Principalmente da Brigitte Bardot. Ela foi composta por Serge e Bardot enquanto os dois mantinham um caso. Quando ela resolveu recuperar seu casamento deixou o ex - amante desolado, pois ajudara o marido a censurar a música. Tempos depois Serge conheceu Jane Birkin e regravou a canção com ela sob acusações de que a fita se tratava de sexo explícito, gravada enquanto o casal fazia amor. 2.jpg A canção fez tanto sucesso quanto a certeza de que Jane nunca ignorou o fato de que a música e também o amor que Serge lhe deu foram as sobras de outra mulher. Muitos donos de motel provavelmente acham que essa música deve fazer as pessoas pensarem em sexo e se sentirem sensuais. Há quem pense em sorvete. Tem algo mais sexy que um sorvete de flocos bem gelado num dia de sol escaldante?Acho que não. Ao falar de músicas de sexo, o nome do lendário Marvin Gaye certamente será lembrado, mas para alguns ficou datada demais, assim como “J'et aime moi non plus”.Nem todos dão valor aos clássicos. Bb.jpg

As músicas que preenchem essas playlists agora tem um nome principal: The Weekend. O cantor baseia suas músicas nas experiências nem sempre amorosas que teve, inclusive com prostitutas. A musa mais famosa de The Weekend é a instamodel Bella Hadid, que inspirou a tórrida "The Hills". abel.jpg Bandas indie também aparecem muito nesse nicho, como Arctic Monkeys e The Neighbourhood. A banda britânica trouxe no álbum "AM" uma síntese do universo masculino sem excluir sentimentos e profundidade. A figura da mulher esteve presente em diversos momentos e é claro que sexo é um deles. Uma vez um amigo disse que "R U Mine?" é perfeita pro orgasmo, principalmente o refrão. Melhor ainda se a (o) partner souber a tradução. As mulheres não ficam de fora, sendo Lana Del Rey, Yaël Naïm e a fabulosa FKA Twigs os maiores expoentes. A primeira mescla sensualidade e tragédia, com um ritmo lento que exige profundidade do ouvinte. Yaël,a menos famosa impressiona com sua voz suave e consistente e os arranjos inovadores que deu a covers que fez como "Toxic" de Britney Spears.

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Já FKA é,sem dúvida uma das cantoras indie mais sexy da atualidade. Sua voz doce e ciciante acompanhada de músicas suaves e letras provocantes como "Video Girl" e "I'm your doll" são estimadas por crítica e público. O curta "M3LL155X" que traz canções do EP de mesmo nome é a cereja do bolo desse segmento da carreira dela. fka.jpg No cenário pop, Madonna é, com certeza a artista que mais se envolveu com sexo (e polêmicas) com o álbum Erotica, o livro Sex Book,filmes como Corpo em evidência.Durante os anos 1990 a artista trabalhou duro em busca de liberdade sexual feminina e também LGBT,mostrando uma vertente até então pouco explorada no feminismo na mídia,abrindo espaço para várias cantoras,como Kylie Minogue,que sempre consegue ser sexy com elegância, Britney Spears,que baseou sua carreira em sexo, apesar de nem sempre funcionar,Rihanna,que exala sensualidade e a mescla com seu inegável talento e Miley Cyrus que divide opiniões e traz o questionamento sobre o limite entre sensual e vulgar.

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Em 2016 a série Justiça de Manuela Dias inovou a televisão brasileira ao contar histórias que se cruzavam e múltiplos pontos de vista. A trilha sonora também foi falada, tendo nomes como Iggy Pop, Otto, Johnny Hooker, Elba Ramalho e até Novos Baianos. Alguns desses artistas embalaram cenas tórridas de sexo, outras românticas e outras que tinham significados maiores do que pareciam como a cena em que Vânia (Drica Moraes) recita "O que será” enquanto é envolvida por Maurício (Cauã Reymond).

Para um olhar mais demorado, vemos a manipulação dele para usá-la em sua vingança e uma mulher marcada pela vida traçar destinos sem saber. Inclusive o próprio. O que será?Há quem prefira ouvir os sons do quarto. Gritos,gemidos e sussurros. Nada mais natural, nada mais animal. Nada mais sensual. O ato de roteirizar o sexo pode deixá-lo artificial para alguns. Esses preferem que não haja nenhuma influência externa ou interna além do choque dos corpos e encontro dos olhares. Isso é também é provocante. Mas as batidas, certas vibrações nas músicas realmente possuem efeito sobre os seres humanos, certas vibrações que o ouvido humano consegue captar, mas que você não irá ouvir.

Cordas nunca tocadas que de repente são tiradas do repouso e reproduzem uma música única, envolvente e excitante que ajuda a transformar o ato em arte. Por que sim, sexo é arte. E influencia a arte, mesmo que nos últimos anos sua exploração o tornou banal, há sexo na música, sexo no cinema, na dança, na literatura e o próprio sexo é poesia. Poesia escrita com os lábios, as mãos, o suor e o desejo, ativando todos os sentidos passo a passo de um glorioso ápice, que fica melhor ainda quando é acompanhado de uma boa música. Seja ela qual for.

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