eulírico

Concepções do mundo

Naílle Conceição

O amor de Frida,Diego


Os dois temas desse meu artigo.


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Frida Kahlo é uma das maiores artistas que já viveu. Fez de sua arte voz,corpo e diário, onde mostrou seus sonhos que se misturavam à sua realidade. Frida pintava para aliviar as diversas dores que tinha,seja pelo bonde,seja por Diego,a catástrofe mais arrasadora que lhe foi cometida. Pintava por que amava,para se distrair,para denunciar ao mundo o que ela(e os outros)faziam com sua mente.

Era diferente.Desde sempre.Chocava sua mãe se vestindo com roupas masculinas,virou comunista,tinha um relacionamento aberto e era bissexual .

Seu comportamento era reflexo de uma mulher obviamente à frente do seu tempo e que conseguiu viver o máximo que pôde, mesmo com todas as dificuldades que enfrentou,como o corte de cabelo posterior à descoberta da traição de Diego com a irmã dela.

Ela sabia de suas traições e de certo modo aceitava,em partes devido a um acordo do casal cujo termo inclui traição "autorizada" pelo marido desde que ela apenas se relacionasse com mulheres,o que o espírito livre dela não permitiu,é claro, Trotsky e Nelson Rockfeller que o digam.

O corte virou pintura, um autorretrato. Tudo em que havia emoção ,mesmo que uma centelha virava obra para Frida,desde seu corpo dilacerado pós acidente enquanto a jovem resistia à uma irônica e cruel manchete de jornal da época, passando por seus sonhos, casamento e filho,que infelizmente não chegou a nascer.

Tudo isso marcou e foi eternizado por ela,como as roupas e penteados que formam seu icônico visual,que ainda inspira atrizes,cantoras,estilistas e fãs, homens e mulheres.Frida nos deu várias lições. A mais pungente no momento é o modo como lidava com a aparência e padrões. Não estava nem aí, era bonita do seu jeito e pronto.Que se dane o resto.Acho linda a cena do filme em que ela troca nos últimos segundos o vestido padrão de casamento por um vibrante e colorido, que tinha muito a ver com seu jeito,original.O sorriso que Diego lhe dá ao vê-la vestida daquele jeito é encantador e prova que o casamento deles estava mais do que acertado naquele momento.Diego entende Frida.Diego enxerga Frida,por dentro e ama o que vê. Isso é raro.E isso é lindo.

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Porém foi exagerado.No filme o relacionamento com Panzón foi amplamente explorado,de modo que a carreira e a própria Frida ficaram em segundo plano. Isso me decepcionou muito. Já não bastava o filme ser em inglês em vez de um sonoro e bem pronunciado espanhol,é sério que o tempo de projeção seria tão ocupado por Diego assim como as dores tomavam espaço na vida dela?

Grande,safado,comunista,brilhante e determinado. São algumas palavras que reúno para descrevê-lo.Penso que possam ser os motivos pelos quais Frida o amava tanto.Há uma pintura dos dois,feita por ela que os retrata no dia do casamento. É linda. Eles se completam junto com as cores que saltam das telas nas várias pinceladas.Todo o conceito de amor que eles tinham era singular e marcante,como o fato das casas separadas. Eram diferentes mas estavam ligados por uma ponte simples mas firme:o amor.Amor esse que mesmo passando pelas maiores tribulações e sacanagens(vacilou,Diego) resistiu ao tempo e durou até a morte(Frida morreu em 1954 e Diego três anos depois) .Haviam problemas? Tudo bem.Frida soube como resolvê-los.Transformou em arte,seu grande amor e sua grande paixão.

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