eulírico

Concepções do mundo

Naílle Conceição

Frances Ha: de pouco em pouco


Frances Ha, dirigido por Noah Baumbach , estrelado por Greta Gerwig e escrito por ambos conta a história de uma bailarina profissional em New York. Enquanto tenta conciliar ambições profissionais e estabilidade financeira, analisamos a amizade da personagem título com Sophie e refletimos sobre nós mesmos.


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O filme começa nos mostrando um recorte da vida de Frances. Ela e Sophie dividem um apartamento, têm uma boa relação, rotina estruturada e tudo vai bem, conforme o planejado. Em determinado momento, o namorado de Frances lhe propõem morar juntos e ela recusa pela amiga, que deseja se mudar com outra moça para um bairro mais caro. Nesse momento é possível analisar a falta de sincronia entre as duas e expor a rotina já citada como superficial. Às vezes, os amigos não estão no mesmo nível de compromisso e ambos possuem uma lista de prioridades. A posição que Frances colocou Sophie é muito distinta da [sua posição] na lista dela.

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Ao se mudar com Benji e Levi, dois rapazes abastados, Frances percebe na situação deles a discrepância de sua realidade. A começar por não ter como pagar o aluguel, ela nota que não pode pedir dinheiro aos pais, tem que trabalhar por ele, deve planejar suas decisões e arcar com as consequências delas. No meio de tudo isso, tem que lidar com problemas no emprego. Cada vez maior, a constatação de que a carreira que sempre sonhou não vai se realizar, a protagonista se desentende com a amiga e através de terceiros percebe o quanto estão distantes, em diversos níveis. Ao tentar elevar sua situação, toma uma decisão irresponsável, a qual trará consequências e aproveita o tempo em que esteve sozinha para uma autoanálise.

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Ao voltar, Frances ainda não resolveu sua situação. Ela ainda não sabia, mas faltava uma última etapa em seu aprendizado. Ao perceber que a vida dos outros não é perfeita e todos nós temos problemas e cometemos erros, ela entendeu sobre o nível exato da cobrança que impunha si mesma. Também entendeu que algumas coisas e pessoas têm que ficar para trás se pretendemos evoluir. Durante sua jornada, a protagonista passa por várias casas e o ambiente reflete sua situação interior e como ela está lidando com isso, além de seus problemas já citados e a forma como avançam e se adaptam às suas ações podem ser notados.

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O filme também conta com sutilezas nas ações dos personagens que servem para lhe dar profundidade e conferir alma ao longa, desde gestos, olhares até expressões. Somados à incrível trilha sonora (quem não dançou ao som de “Modern Love” de David Bowie ?) e sua fotografia bem escolhida, Frances Há mostra eficiência nos detalhes. Ao final, Frances entende que nem sempre temos o que queremos, mas podemos buscar o que precisamos, abrir novas possibilidades e receber novas chances da vida. A máxima “dar tempo ao tempo” é clichê mas ainda é eficaz. Foi o que Frances fez. Se submeteu ao tempo e soube dialogar com ele. Depois disso, Frances encontrou um lar.

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