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Quase tudo que vier à cabeça...

Vanessa Lemos

Cronista. Curiosa. Incansável leitora. Provável pensadora. Possível escritora.

Distúrbio do sono, eu tenho

Este não é um artigo científico ou técnico e nem se propõe a isso. E sim um olhar mais demorado sobre os distúrbios do sono, visto por quem vivencia um deles e sofre com suas consequências. É um desabafo.


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Se você passa seus dias sonolento, cochila sentado, lendo ou vendo TV, sente os olhos arderem como se tivessem cristais de vidro, tem seu humor facilmente afetado (mesmo sendo uma pessoa bem-humorada), come tudo que vê pela frente (principalmente à noite), sente dores no corpo, está sempre cansado e pega gripes e resfriados mais frequentemente do que o normal, bem-vindo ao grupo dos que não dormem. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 40% dos brasileiros sofrem de algum distúrbio do sono, eles são diversos e podem afetar sua vida pessoal, profissional e a saúde muito mais do que você imagina.

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São listados oficialmente mais de 90 distúrbios do sono, entre eles dissonias (distúrbios ligados a problemas no sistema nervoso) e parassonias (distúrbios ligados a transtornos mentais e comportamentais), muitos conhecidos pela maioria como insônia, apneia do sono, narcolepsia, síndrome das pernas inquietas, sonambulismo e terror noturno e diversos outros que acometem um número menor de pessoas. O fato é que as consequências de se dormir mal podem ser devastadoras e até elevar o risco de morte. Doenças como hipertensão, diabetes, obesidade, baixa imunidade que pode acarretar gripes, resfriados e infecções respiratórias, doenças cardíacas, depressão e até derrame cerebral. Todas têm tratamento, a parte mais difícil é descobrir que a possui e lidar com suas consequências até a cura.

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A melhor maneira de investigar os sintomas, segundo especialistas, é procurando um médico e realizando exames específicos, dentre eles o mais eficiente é a polissonografia. Ele consiste em passar uma noite sendo monitorado por aparelhos que medem respiração, batimentos cardíacos, oxigenação do sangue e comportamento ao dormir, entre outras coisas. Muitas vezes a causa é outra doença que ao ser descoberta e tratada cessa o distúrbio, como doenças do estômago, por exemplo, que podem causar apneia do sono. Os males que essas síndromes causam não são apenas físicos.

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Incompreensão. As pessoas ao redor, sejam familiares, colegas de trabalho ou amigos, na maioria das vezes, não compreendem e costumam assimilar os sintomas com preguiça, no caso do cansaço e sonolência excessiva e mal humor, no caso das alterações de comportamento. Elas comparam o quadro com uma noite mal dormida ou perdida em uma farra que tiveram, achando que no dia seguinte vai passar, mas não passa. As pessoas que sofrem de uma dessas síndromes, geralmente terão uma queda no rendimento, seja nos estudos ou no trabalho, optarão por passar mais tempo em casa descansando e terão aumento de peso, pois uma das formas de compensar o organismo é ingerindo alimentos calóricos, principalmente à noite, quando o corpo está mais cansado.

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Vida social. O fato de estarem sempre cansadas, faz com que sua vida social diminua consideravelmente, pois irão preferir dormir e descansar sempre que puderem. Os convites para sair, viajar e se divertir serão vistos como um estorvo e a negação será uma constante. Os finais de semana e feriados deixarão de ser uma oportunidade de conhecer novos lugares ou encontrar amigos e familiares e o lazer será deixado de lado, pois a única coisa que importa no momento é aproveitar o tempo livre para repor energias.

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Autoestima. O mal dormir afeta também sua aparência, além do sobrepeso que já foi citado acima, noites mal dormidas atingem de forma negativa a pele, cabelo, causam olheiras, envelhecimento precoce e aparência cansada, afetando a autoestima. Isto também contribui para que a reclusão social se prolongue. Algumas pessoas podem chegar à depressão, não apenas por motivos ligados à aparência, mas por fatores neurológicos.

Tratamento. Esses distúrbios, quando diagnosticados, possuem tratamento e são curáveis. Algumas dicas a serem seguidas, segundo especialistas, enquanto a causa não é descoberta é de ingerir alimentos leves antes de dormir, evitar bebidas como álcool, café, refrigerantes e chá preto perto da hora de deitar, praticar exercícios, elevar um pouco a cabeceira da cama, ter horário fixo para dormir e acordar, deitar-se na cama somente quando for dormir e evitar cochilos durante o dia.

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É importante diagnosticar e tratar. No entanto o mais importante é conseguir lidar tanto com as consequências físicas, quanto as psicológicas, pois independente de ser uma causa neurológica ou mental/comportamental, afeta a maneira como você vê a vida e como as pessoas te veem. É um distúrbio, é tratável e não tem nada a ver com preguiça, frescura ou mal humor. Procure um médico.

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Fontes: http://www.sono.org.br/ e http://www.einstein.br/

No site do Instituto do Sono, há um teste para medir o nível de sonolência durante o dia. Não é nada definitivo, mas serve como um termômetro para procurar um médico.


Vanessa Lemos

Cronista. Curiosa. Incansável leitora. Provável pensadora. Possível escritora..
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