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Um mosaico de ideias em movimento no espaço digital.

Maira Penteado

Aspirante de jornalista. Amante da Cultura Italiana. Adoro porto Alegre. Ariana com Ascendente em Áries "vivo de amor profundo.".

Lucy: a heroína polifônica

Para quem gosta de Bakhtin, a produção é de grudar na poltrona do início ao fim.


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Meu objetivo aqui não é tirar as motivações de quem está querendo assistir o filme, pelo contrário, é colocar meu ponto de vista sobre o filme oferecendo assim uma abertura para o diálogo. O filme aponta diversas linhas que podem ser exploradas, desde termos da física, desenvolvimento da ciência quanto à espiritualidade.

A estética da produção é boa, mas o que mais chama atenção além dos efeitos digitais especiais no filme é a dinâmica como a história é narrada. O filme aparece dividido por fases em cada fase Lucy adquire mais poderes e conhecimentos, mas precisa pensar mais rápido em como resolver seus problemas para que a aceleração dos conhecimentos não bloquei suas atitudes.

Lucy precisa interagir com os outros para que os conhecimentos façam sentido em sua existência, existe a necessidade dessas “polifonias”, mesmo ela já tendo acesso as mentes e pensamento dos outros o filme deixa claro que ela precisa dialogar e compartilhar com as outras pessoas tudo que adquire para se manter no fluxo do seu tempo.

Quando Bakhtin analisou a obra de Dostoievski, afirmou que ele em seus romances “procurava uma personagem que fosse predominantemente um ser tomando consciência, uma personagem que tivesse toda a vida concentrada na pura função de tomar consciência de si mesma no mundo" (BAKHTIN, 2008, p. 56).

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No filme, Lucy é uma personagem repleta de consciência de si e por isso tem uma vida 100% concentrada em si própria, mas que precisa do dialogismo para que suas relações de interação com o mundo se torne grandiosa (o que o caracteriza pela heroína da obra).

Lucy é uma heroína que sem querer acaba adquirindo poderes de ultrapassar o tempo, dialogar com a mente dos outros. Mas não consegue controlar a velocidade de sua existência chegando à compreensão do tudo e do nada nos últimos minutos de vida, mas mesmo assim consegue manter um diálogo com as outras personagens sugerindo a continuidade da obra.

Referência: BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. de Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

Abraço.


Maira Penteado

Aspirante de jornalista. Amante da Cultura Italiana. Adoro porto Alegre. Ariana com Ascendente em Áries "vivo de amor profundo."..
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