fabiana lapa

Pra aliviar o peso das palavras

FABIANA LAPA

Desconstruir-se para reerguer-se

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    A literatura das mulheres negras: a escrita como ferramenta de resistência e expressão.

    "Gosto de escrever, na maioria das vezes doi, mas depois do texto escrito, é possível apaziguar um pouco a dor, eu digo um pouco... Escrever pode ser uma espécie de vingança, às vezes fico pensando sobre isso. Não sei se vingança, talvez desafio, um modo de ferir o silencio imposto, ou ainda, executar um gesto de teimosa esperança. Gosto de dizer ainda que a escrita é para mim o movimento de dança-canto que o meu corpo não executa, é a senha pela qual eu acesso o mundo." (Conceição Evaristo)

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    Conceição Evaristo: o protagonismo da preta das escrevivências

    “A pobreza pode ser um lugar de aprendizagem, mas apenas quando você a vence. Se não, é o lugar da revolta, da impotência, da incompreensão. E aí você não faz nada. Hoje eu vejo que a pobreza foi o lugar fundamental da minha aprendizagem diante da vida. Minha literatura não é pior nem melhor do que qualquer outra, só nasce de uma experiência diferente, da qual eu me orgulho e que não quero camuflar."

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    Carolina Maria de Jesus: a Cinderela negra da literatura do século XX

    “Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.”

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    Manoel de Barros: a poética particular de um apanhador de desperdícios

    “A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
    Meu fado é o de não saber quase tudo.
    Sobre o nada eu tenho profundidades.
    Não tenho conexões com a realidade.
    Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
    Para mim, poderoso é aquele que descobre as insignificâncias
    (do mundo e as nossas).
    Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
    Fiquei emocionado.
    Sou fraco para elogios.”

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    Paulo Leminski: a trajetória do hippie polaco, samurai erudito e poeta concretista

    "Amor, então, também, acaba?
    Não, que eu saiba. O que eu sei
    é que se transforma numa matéria-prima
    que a vida se encarrega de transformar em raiva.
    Ou em rima."

  • A PRODUÇÃO LITERÁRIA FEMININA NO BRASIL DO SÉCULO XIX

    Historicamente, o lugar da mulher na sociedade foi categoricamente interpretado como inferior ao do homem, determinando um fenômeno excludente e opressor, construído nos moldes do patriarcalismo. A realidade feminina era pautada nos afazeres domésticos, filhos bem educados, dedicação exclusiva aos maridos, enclausuradas em antigos preconceitos e imersas numa rígida penúria cultural. Por razões históricas e ideológicas, a produção literária das mulheres no século XIX, ignorada ou excluída, permanece na quase invisibilidade.