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Porque é sempre bom quando podemos falar do que gostamos

Andressa Bandeira

É formada em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo. Autora do blog Um café e um conto: umcafeeumconto.blogspot.com.br/
Adora chimarrão, gatos e café

Bela: a princesa diferentona da Disney

Ela ama ler, a família, bibliotecas gigantes e é encantadora. Como não amar?


Bela2_1.jpg Ela gosta de ler, ama muito o seu pai e não se atirou nos braços do primeiro bonitão que jurou amor eterno por ela. Ficou conhecida como uma das Princesas Disney, mas ela é diferentona e seu coração bateu forte não por um castelo bacana, um baile luxuoso e um cavalo branco, ela curtiu mesmo foi a biblioteca. Apresento para vocês, a Bela. De A Bela e a Fera.

Sempre gostei muito da Bela porque eu me sentia um pouquinho representada. Ela tem os cabelos morenos, lê insanamente, é considerada meio estranha pelo vilarejo onde mora e ama pra caramba a família dela. Então sim, eu que assisti muito desenho animado quando criança, sempre levei a Bela como uma das minhas favoritas e sempre levarei ela no meu coraçãozinho.

Claro que nem tudo são semelhanças entre a Bela e algumas das crianças que a amam (e adultos também). Ela canta muito, literalmente né, porque além de talento ela sempre abre o vozeirão por qualquer coisa, em diferentes situações, como pede um bom clássico Disney. Além disso, ela é francesa e aí, não me representa nem um pouquinho, apesar de dar um charme a mais a jovem. Logo quando Bela aparece pela primeira vez, ela está a caminho da livraria, algo incomum para os outros moradores da aldeia e todos cantam sobre como a moça é diferente dos outros moradores. Aliás, já reparam que a única que usa a cor azul em suas roupas é a Bela? Isso foi um artifício dos produtores para deixar mais clara ainda a personalidade diferente de Bela.

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Também no início, Bela retira um livro (com a capa azul) que parece contar a própria história da garota. Nele há um Príncipe “disfarçado” que a garota no livro só descobre quem ele é quase no fim da história e há uma passagem que eles se encontram em um jardim. Não lembra uma tal de Bela ao lado de uma Fera? Pois é. Mesmo sendo um detalhe bonitinho, acho que não é sempre percebido por quem assiste, mesmo por mais de uma vez, o filme.

Aí depois de o pai ir parar no castelo da terrível Fera, da Bela se colocar no lugar dele, trocando a sua liberdade pela do pai e mostrando que ela é massa, corajosa e uma filha maravilhosa, começam as aventuras entre ela e a Fera. Quando a Fera dá a ordem que a Bela deve jantar com ele e ela não aparece, ele quase derruba a porta dela e a guria mesmo assim não desce, a gente percebe que Bela tem personalidade, é faca na bota e não se deixa abater. Uma característica que nem sempre fica tão evidente nas outras princesas da Disney.

Só dá para ir se apaixonando pela Bela. Depois de um tempo, quando ela e a Fera já são mais íntimos é quando vemos cenas como (não necessariamente nessa ordem) os dois no jardim, no inverno, quando Bela ganha a sua biblioteca magnífica e quando ela, na camaradagem, (porque a Fera nem consegue pegar uma colher decentemente) larga os talhares e bebe o mingau direto do prato. Nossa Bela sabe ser descolada.

Assim como no caso do livro que prevê o futuro de Bela e da sua Fera, tem algumas referências culturais que a gente pode não perceber quando criança. Tipo a Torre Eiffel formada de talheres, Bela lendo um trecho de Romeu e Julieta para a Fera e o Horloge (relógio) vestido de Napoleão quando corre para lutar pelo castelo. Quando está quase tudo acabado, e a Fera decide que sem Bela a vida não tem graça, eis que surge ela montada no cavalo (e não o Príncipe!) com seu pai do lado, indo ela (e não o homem!) salvar o seu amor com o seu amor. Consegue. A Fera volta a ser humano pelo amor que aprendeu a dar e a receber. Ele libertou a Bela porque entendeu que amor é deixar livre para ir. A Bela foi e voltou. Salvou ela o Príncipe. Ela foi cavalgando e subiu na torre do castelo. Ela disse “eu te amo” primeiro, sem medo da resposta. Foi a mocinha que deu o beijo que fez parte do ressurgimento do galã. Que nem era tão galã assim, porque a Fera é diferentona também.

Bela é linda (sim, ora!), é inteligente, cheia de sonhos, personalidade, vontade, ama ler e sabe entrar em ação quando precisa. A Bela é diferentona e nem por isso deixa de ser parte de um contos de fada lindo, que mostra que o amor pode surgir aos poucos, que manter uma biblioteca gigantesca e bem cuidada é legal, e que deixar a amada ir para depois voltar e salvar a sua vida é diferente, mas é o certo a se fazer.

Reprodução Disney


Andressa Bandeira

É formada em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo. Autora do blog Um café e um conto: umcafeeumconto.blogspot.com.br/ Adora chimarrão, gatos e café.
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