fatos fantasiosos

Porque todo filme é baseado em fantasias

Lina Campos

Lina não sabe falar "tablet" sem colocar um "l" na primeira sílaba. Ama todo o entretenimento, cães e rapazes de lábios grossos.

007 contra Spectre

O sentimento de déjà vu reina no último ($?) filme da era Craig


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Já deu. Essa foi a sensação que tive ao terminar de assistir "007 contra Spectre" (Spectre, 2015).

Sou relativamente nova e só assisti aos Bonds com Daniel Craig no papel. O grande problema de "Spectre" talvez seja mesmo a comparação com os anteriores.

Em seu quarto filme, Daniel Craig já demonstra sinais de cansaço. Todos os clichês 'bondianos' estão presentes: as mulheres, os ternos, os explosivos, os gadgets, as lutas, as perseguições e os carros. Diz-se até que o filme é para os fãs reconhecerem os easter eggs de filmes antigos do agente.

A clássica abertura com os créditos iniciais é um presente para os olhos, mas estragada pelo tema equivocado de Sam Smith (muso, mas deslocado), o "The writings on the wall". Aliás, depois de "Skyfall", de Adele, todos os temas para 007 vão parecer equivocados.

O filme se inicia com uma muitíssimo bem produzida cena representando o Dia dos Mortos, no México. Graças a uma pista de M (Judi Dench), Bond vai até lá caçar um bandido. E depois segue para à Itália ao enterro dele e encontra ninguém menos que Lucia Sciarra, vestida de Monica Bellucci, numa participação curta e injusta. Bond vai para várias cidades Marrocos, Londres, Áustria, etc, para não perder o costume.

Eve Moneypenny (Naomie Harris), Q (Ben Wishaw) e o novo M (Ralph Finnes) retornam aos seus papeis sempre prontos para fazer um favorzinho a Bond, mas dessa vez com mais autonomia.

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A "Bond Girl" Léa Seydoux tem até certa independência... até precisar ser salva. B24_09880_r.jpg

Por artimanhas do vilão Franz Oberhauser, um não tão inspirado Christoph Waltz, o MI5 quer acabar com o serviço secreto dos 00's. Ele conta com a ajuda de Denbigh, de Andrew Scott, que deveria ser o vilão principal. Um dos capangas de Oberhauser, Mr. Hinx, vivido pelo armário de seis portas Dave Bautista, persegue Bond por todos os lados. E só tem uma fala, detalhe que, pelo que li, é uma homenagem aos capangas dos filmes dos anos 1970 do agente secreto com licença para matar.

"Porque sim" seria um motivo mais contundente que o apresentado por Franz Oberhauser e o sindicato criminoso internacional Spectre para mandar pelos ares lugares no mundo onde tenham bastante gente e desgraçar a vida de Bond. E ainda tentam ligá-lo aos vilões dos filmes anteriores mexicanamente.

"007 contra Spectre" não foi um bom jeito de terminar a quadrilogia Craig. Quando se vê "007 - Operação Skyfall" (Skyfall, 2012), que inclusive é do mesmo diretor, Sam Mendes, o espectador fica desacreditado. "Spectre" deve ao "Skyfall" em vários itens.

Acredito que o melhores filmes da era Craig sejam, pela ordem, "007 - Cassino Royale" (Casino Royale, 2006) dirigido por Martin Campbell, seguido de "007 -Operação Skyfall", "007 contra Spectre" e "007 - Quantum of Solace" (Quantum of Solace, 2008), de Marc Foster.

Existe muita especulação sobre o novo 007. O nome mais comentado recentemente foi o do ator inglês - e negro - uh uh - Idris Elba, que o autor de livros de aventura, Anthony Horowitz, considerou muito "da rua" para viver o agente secreto. E depois pediu desculpas.

Seja quem for o ator, tomara que apague da memória esta escorregada que é "Spectre".


Lina Campos

Lina não sabe falar "tablet" sem colocar um "l" na primeira sílaba. Ama todo o entretenimento, cães e rapazes de lábios grossos. .
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