fatos fantasiosos

Porque todo filme é baseado em fantasias

Lina Campos

Lina não sabe falar "tablet" sem colocar um "l" na primeira sílaba. Ama todo o entretenimento, cães e rapazes de lábios grossos.

Sobre Descompensada

Crenças limitantes podem te levar a uma vida miserável!


Em Descompensada (“Trainwreck”, 2015) Amy Townsend (Amy Schumer) e sua irmã Kim (Brie Larson) foram educadas quando crianças pelo pai Gordon (Colin Quinn) a pensar que “monogamia não é realista”, quando ele explicou porque traía tanto a mãe delas e tinha destruído o casamento.

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Amy cresce e se torna uma jornalista que escreve artigos em revistas. Independente, a desbocada Amy enche a cara de drogas, sai com quantos homens quer e ao mesmo tempo, já que monogamia não é real. Ela é indicada pela chefe, a editora Dianna (uma irreconhecível Tilda Swinton) a escrever um artigo sobre o cirurgião desportivo, Aaron Conners (Bill Hader). O cara atende atletas do nível de LeBron James, que interpreta a ele mesmo. Ele e Aaron são amigos e confidentes inclusive.

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Acompanhando Aaron, Amy não tem como escapar do que sente e os dois começam a namorar. Mas algo está errado. Aaron é cavalheiro, inteligente, gentil, doce. Ela fica só com ele, começa a admira-lo... como assim? No meio de tudo isso, Amy tem de lidar com a esclerose múltipla do pai e o próprio vício em álcool.

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O filme é escrito pela própria Amy e dirigido por (WHAT?) Judd Apatow (conhecido por comédias como “O virgem de 40 anos” e “Ligeiramente Grávidos”).

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O filme é um deleite. Riso e choro revezam quando se trata de divagações que Amy faz sobre sexo, relacionamentos, o próprio pai, o enteado da irmã, morte, amor. Sem contar os peguetes da jornalista, como o hilário e sentimental Steven (John Cena) que não consegue falar nada que não soe gay. O cenário é o batidíssimo Manhattan e o timing cômico de Amy é impressionante.

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Após assistir ao filme com lágrimas nos olhos e a barriga doendo de tanto rir, refleti sobre duas coisas: como algumas crenças podem nos limitar e como temos medo do novo.

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Amy teve uma chance de ser feliz e quase a perdeu por causa de uma crença limitante. Encontrou o amor da sua vida, um homem que a amava de volta e a aceitava do jeito que ela é, e quase desperdiçou o que, conscientemente ou não, é o desejo de todo ser humano.

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Não podemos deixar que crenças erradas limitem nossa oportunidade de sermos felizes. Exemplos? “Eu não consigo emagrecer” “Ninguém gosta de mim” “Sou feio” “Não vou chegar nela/e, vai me dar um fora” “Não posso concorrer a essa vaga, é muito difícil” e por aí vai.

Amy precisou ficar muito triste e refletir bastante sobre o que fez e tentar reconquistar e reconhecer seu amor por Aaron. Ela poderia não ter conseguido, mas nunca iria saber se não tentasse.

É um fato e por isso mesmo óbvio: os sentimentos levam às ações, e elas aos resultados. Como você vai emagrecer e ficar saudável se você não para de comer como se o mundo fosse acabar? Como alguém vai gostar de você, se você não gostar de ninguém? Como você vai ficar e se sentir bonito e confiante se não se cuidar? Como vai saber se aquela pessoa que te atrai vai ficar com você se você não falar com ela/e? Como você quer passar num concurso se não estudar bastante?

De novo, são nossos sentimentos que mudam nossas atitudes e elas, o nosso futuro. Ficar preso numa crença mentirosa pode ser muito perigoso e evitar que a pessoa tenha uma vida que sempre sonhou, mas não teve coragem de correr atrás. O novo dá muito medo, mas uma vez estando nele, percebemos que não dói nada e o medo que tínhamos dele é uma perda de um tempo que não pode ser devolvido.

Amy se vestiu de cheerleader e dançou a música preferida do seu amor numa das maiores quadras de basquete da cidade. Quando na vida ela faria isso, se ainda estivesse presa ao “monogamia não é realista”? Quando ela poderia ter a chance de ser amada por alguém como Aaron outra vez?

Depois de assistir a “Descompensada”, nunca mais quero perder uma chance por causa de mentiras, medo e covardia. Muito obrigada, Amy Schumer.


Lina Campos

Lina não sabe falar "tablet" sem colocar um "l" na primeira sílaba. Ama todo o entretenimento, cães e rapazes de lábios grossos. .
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