febre de além

O que desejo ainda não tem nome

Brian Lima

Formado em Administração, continuo aprendendo para me sentir vivo. Intenso não é só adjetivo, é condição. "Ninguém pode calar dentro em mim essa chama que não vai passar".
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House of Cards: mais uma série entra para a lista de finais decepcionantes

House of cards (2013-2018) engordou a lista de finais decepcionantes para séries relevantes. Última temporada não lembrou em nada a força das primeiras. E ela não está sozinha. Terminar uma série parece ser mesmo o grande desafio para seus produtores e criadores.


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Produzir uma série não é coisa fácil. Os desafios são muitos para sustentar do início ao fim com inteligência e ritmo, uma produção que atrai e cativa o público. E em tempos de produção em massa de seriados, tem sido cada vez mais difícil surpreender a audiência. Mas nada parece tão difícil quanto terminar uma série. Encerrar uma produção (sobretudo dramática) de muitos anos no ar de modo que torne a série memorável é algo raríssimo. Aquelas que conseguem entram para a história da televisão como no caso de Breaking Bad, que saiu de uma boa primeira temporada e terminou de maneira antológica, em uma das melhores obras de todos os tempos.

A lista de finais decepcionantes é grande: Dexter, How i met your mother, Prison Break, True Blood, e até as excelentes Lost (caso mais icônico deste exemplo) e House (a última temporada foi muito sofrível). A lista segue.

E não precisa esperar acabar a série para verificar a queda de qualidade. The walking dead está dando voltas insuportáveis porque ninguém parece saber como desfechar aquilo (e não vejo nenhum bom final para esta série). E ano passado, até a sensacional Game Of thrones, que se encaminhava para se tornar a maior produção de todos os tempos, sentiu grande falta dos livros em que se baseia (tragédia anunciada) e não mostrou ao público várias de suas grandes virtudes.

Agora a lista acabou de ficar maior. Um dos carros-chefes da Netflix e o símbolo de uma nova era do entretenimento, House of Cards apresentou uma das piores últimas temporadas já vistas. É claro que todos sabiam que o afastamento de Kevin Space (após o escândalo dos abusos contra integrantes da série) iria impactar fortemente a produção. A quinta temporada já havia sido bem diferente das outras por conta da troca de comando (o criador Beau Willimon deixou a série após o fim da quarta temporada) mas a temporada final foi muito decepcionante.

Tudo o que fora qualidade, se perdeu: bons diálogos, cenas desenvolvidas sem pressa, personagens complexos e intrigantes, história inteligente, e por aí vai. Novos personagens entraram do nada, como se sempre tivessem existido, e terminaram sem dizer adeus. A ausência do protagonista da série não foi ignorada. Ele é mencionado ao longo de toda temporada de maneira póstuma, mas isso não aplaca a lacuna imensa que os produtores da série não conseguiram resolver.

Seria possível, com inteligência e cuidado, construir uma última temporada em que Claire (personagem de Robin Wright) fosse o grande nome da série, pois o final da temporada anterior (antes mesmo de estourar o escândalo envolvendo Kevin Space) já indicava que a esposa de Francis Underwood iria assumir o protagonismo da história. Mas faltou muita imaginação e capricho, resultando em uma temporada sem nenhuma relevância de roteiro, nenhum diálogo memorável, nenhum encadeamento de episódios e histórias, e com um final que poderia ter sido épico, se a temporada tivesse sustentado isso.

É uma pena! Vamos torcer para que as próximas séries que estão por terminar consigam nos brindar com boas tramas e histórias. A ver!


Brian Lima

Formado em Administração, continuo aprendendo para me sentir vivo. Intenso não é só adjetivo, é condição. "Ninguém pode calar dentro em mim essa chama que não vai passar". [email protected] .
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