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Ler para Viver , Viver para Ler...

Mirian Gomes

ADVOGADA por profissão, ESCRITORA por paixão, MÃE por missão e FELIZ por opção!

O Amor na era da internet

Tinder, Happn, Facebook... O amor pode estar em qualquer lugar. Mas cuidado: seja ele real ou virtual, a separação será sempre dolorosa.


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As amigas com frequência lançavam a pergunta: “você vai ficar parada, esperando o amor bater à sua porta?”. Naquela altura do campeonato, depois de tantos planos mal sucedidos e de alguns amores arquivados no passado, sim, ela decidiu esperar o amor bater à porta.

Sabia, entretanto, que a porta de outrora hoje cabe na palma da mão, por isso, bastava um pouco de boa vontade e inteligência (ou na falta dela um “google”) para encontrá-la. Por isso, acreditava na máxima “se for pra ser, será”.

As amigas insistiam: “entra nos aplicativos de relacionamento, no mínimo você vai conhecer gente bacana pra conversar, não vai se sentir só.” De tanta insistência entrou.

Com sua fragilidade tecnológica, descobriu que não estava pronta para a enxurrada de mensagens que pipocavam, a todo o momento, na tela do seu celular. Disse um “oi” aqui, um “como vai” acolá, engatou duas conversas promissoras, mas em poucas semanas aquilo virou um porre. Não tinha a paciência virtual necessária para conhecer pessoas novas, descobrir afinidades e, principalmente, mentiras. Sem contar a disposição para detalhar sua vida pessoal, como se estivesse numa entrevista de emprego (desta vez para conseguir um parceiro). Ah, não estava disposta a isso – esta não era sua praia!

Saiu dos aplicativos e continuou vivendo, aproveitando a vida na segurança de sua rotina, estava decidida: quero ficar só.

Foi numa tarde de sábado que o destino resolveu testar sua decisão.

A caminho de um compromisso recebeu uma mensagem no celular. Era um convite via facebook. Desatenta, aceitou. Ainda fechava a tela quando percebeu o primeiro contato do recém “amigo”: “Bem vinda. Tudo bem com vc?” Sem dar muita bola, mas com a educação de sempre, respondeu.

Daquele instante em diante, novas mensagens foram aparecendo a cada minuto e aquele “acaso” se transformou numa conversa interminável. Dia após dia, noite após noite.

Já tomados de uma curiosidade enorme, decidiram se encontrar. Um risco. Um tremendo risco. Racionalmente seria prudente manter assim: apenas uma ilusão. Começou a se perguntar: E se pessoalmente não for nada disso? E se não rolar empatia? E se ele não for a mesma pessoa da foto? Enfim, as condicionantes tomaram conta da sua vida (e se, e se, e se...)

Chegou antes ao lugar marcado. Durante a espera desejou ter um teletransporte – do tipo Os Jetsons - e sumir dali, sem deixar rastro. Fingindo distração (já que estava mais tensa do que candidato ao ENEM) passou o olho no celular. De repente um carro parou à sua frente. Identificou o rapaz de primeira (pelo menos a foto era verdadeira). Ele desceu do carro e seu coração acelerou: fodeu! Pensou.

No fundo, ela tinha a esperança de que ele fosse o avesso do que imaginou. Mas não era. O cheiro, o beijo e o encontro dos corpos reforçou a atração.

Quando Deus inventou a paixão queria brincar de diabo, pensou a caminho de casa.

Da noite para o dia não lhe incomodavam as contas a vencer, o chefe rabugento ou o céu cinzento de outono. A vida ganhou filtro.

Adultos, sabiam que aquilo que sentiam – em tão pouco tempo – não poderia ser desperdiçado. Não era algo corriqueiro...

O segundo encontro reforçou o desejo, o terceiro ratificou a paixão e no quarto decidiram: estamos juntos e seguiremos juntos daqui em diante.

A novidade, a ansiedade e a porra da natureza feminina estragaram tudo em menos de 24 horas de oficializada a relação, numa descompensada típica de quem ainda escondia uma ou outra ferida aberta da relação anterior.

Ela “queimou a largada”, ele ficou inseguro. Fim do sonho. De volta a realidade.

Ainda tentaram um reencontro, mas foram armados, acuados, com medo de sofrer.

Nas semanas seguintes ela ensaiou uma aproximação, mas ele fechou todas as portas: virtuais e emocionais. Derrotada, restava voltar à sua rotina, desta vez, certa de que amores virtuais machucam tanto, quanto os reais.


Mirian Gomes

ADVOGADA por profissão, ESCRITORA por paixão, MÃE por missão e FELIZ por opção!.
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