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Ler para Viver , Viver para Ler...

Mirian Gomes

Mãe, Advogada, Escritora e Apaixonada pela vida: simples assim

As sutilezas do amor

Não existe amor “retificado”, “usado” ou de “segunda mão”. Todo amor é novo, nasce zero. Uma página em branco, com novos personagens, numa nova época, num novo lugar...


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As vezes não basta dizer “eu te amo” pra certificar o amor.

É preciso muita dedicação cotidiana - é a lenha, a proteção, o abano - tudo aquilo que fazemos para manter uma fogueira acessa.

Afinal, assim como no amor, não basta se dar por satisfeito depois do trabalho para atear o fogo. Sem cuidado, e uma boa dose de atenção, ele apaga ao primeiro vento ou queima até se esgotar.

Por isso o amor é feito de sutilezas, de pequenos gestos...

É o abraço aliviado na chegada, ou os beijos repetidos na despedida.

É o cafuné no meio do filme ou as mãos dadas pela calçada...

É o “bom dia” de toda manhã, ou o “durma bem” de todas as noites. É o “se cuida”, “me avisa quando chegar”, “já comeu?”, “como foi seu dia?”.

É o silêncio quando nossas cabeças estão aceleradas de problemas. É o saber calar, ouvir e falar, ou saber quando, como e onde.

É apertar o pause, respirar mais fundo, contar até dez (ou mil), mas entender que explodir nem sempre é a melhor saída - muitas vezes, é a pior e mais difícil de consertar.

É assumir os erros, pedir desculpas e desculpar, para não deixar que o copo encha até transbordar, ou engolir sapos até se engasgar.

É de vez em quando perguntar: você está feliz? E estar preparado para todas as respostas.

É poder pedir e dar colo.

É olhar nos olhos e entender que, as vezes, o olhar da pessoa amada vem com muitas frases não ditas.

É aceitar que nem todas as verdades saem da boca.

É não ter pressa de levantar da cama, quando estamos acompanhados. Mas ter pressa de chegar, quando estamos sozinhos.

É aceitar que o sistema digestivo foi feito pra ser funcional - e se isso não tem nada de romântico, tudo bem.

É entender que não existe amor “retificado”, “usado” ou de “segunda mão”. Todo amor é novo, nasce zero. Uma página em branco, com novos personagens, numa nova época, num novo lugar...

Por isso, o amor deve ser escrito a lápis - corrigindo a cada erro, voltando, revisando -, para que sua história não comece a acumular rasuras, emendas ou páginas rasgadas, a ponto de você desistir de continuar.


Mirian Gomes

Mãe, Advogada, Escritora e Apaixonada pela vida: simples assim.
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