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Ler para Viver , Viver para Ler...

Mirian Gomes

Mãe, Advogada, Escritora e Apaixonada pela vida: simples assim

Não adie a felicidade.

Para muitas pessoas, a qualidade da vida é medida pela quantidade de compromissos no dia - quanto mais cheia a agenda, mas vivo ele se sente. Se for pra adiar algo, que seja a felicidade, afinal os compromissos precisam ser cumpridos.


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Por mais óbvio que seja, leva muito tempo para algumas pessoas entenderem que estar vivo é uma coisa e viver é outra, completamente diferente.

Para muitos, estar vivo é se dedicar às obrigações diárias, sejam elas sociais, familiares ou profissionais.

Para essas pessoas, a qualidade da vida é medida pela quantidade de compromissos no dia - quanto mais cheia a agenda, mas vivo ele se sente.

Por isso, nesse momento de PANDEMIA, que somos forçados ao isolamento social, muitas pessoas estão mal humoradas, perdidas e angustiadas... e não pelo risco da doença, mas por se sentir um peixe fora d´água, vivendo uma realidade nunca antes experimentada.

Como alguém que só sabia correr contra o tempo, consegue lidar com tanto tempo de sobra?

Quantas vezes ao final do dia, você se deitou na cama exausto e questionou se aquela correria valia a pena e não se sentiu culpado por estar vivendo por osmose, seguindo a maré ou deixando a vida te levar?

Até aqui brincamos de senhores do tempo, sem ter a menor noção de quanto tempo nos resta... Planejamos o futuro com a certeza inabalável de que, exceto por alguns pequenos desvios de percurso, a maioria de nossos planos serão realizados.

Hoje posso reclamar, posso sofrer, posso me irritar, mas no futuro, ah, no futuro eu estarei feliz - afinal, depois de concluir todas essas tarefas chatas da vida (que podem levar dias, semanas, meses ou anos) a felicidade finalmente sorrirá pra mim.

Amanhã eu penso. Amanhã eu vejo. Amanhã eu decido... Quando a coisa apertar, arrumo algo que me traga prazer instantâneo e pronto, vida que segue.

E nossa toada vamos vivendo, entre a correira do hoje e um amanhã idealizado, que pode nunca chegar.

Mas de repente, não mais que de repente, um ser invisível a olho nu, vem atrapalhar todos os nossos planos.

Maldito seja esse vírus!

Nos vimos reféns de um algoz sem rosto e sem propósito, mas que escancarou nossa fragilidade, vulnerabilidade e, sobretudo, nossa mortalidade.

Aquele tempo todo que acreditávamos dominar, nunca foi nosso. Nem há de ser. Temos, na medida do possível, controle sobre o presente, o agora, mas o futuro? Esse não nos pertence.

Por isso, isolados de nossos afetos, afastados de nossa rotina, restou assumir nossa impotência e repensar nossa arrogância perante a vida. Será que temos reclamado mais do que agradecido, criticado mais do que elogiado, desistido mais do que tentado?

O abraço, o beijo, o perdão, a decisão... Tudo isso não dá pra delegar pra outro, só você pode fazer e, se vale aqui um conselho, faça hoje, afinal, amanhã, ninguém sabe como será!


Mirian Gomes

Mãe, Advogada, Escritora e Apaixonada pela vida: simples assim.
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