felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Arte é Quadro e Estátua

Quando pediram ao Winston Churchill cortar o orçamento da arte e redirecionar para os esforços de guerra ele respondeu: "Não. Senão, pelo que estaremos lutando?"


12230931_870619619722349_483746927_n.jpg Essa foto é do instagram mais interessante que já vi sobre arte. @tipsycurator, fornece dicas e comentários divertidos e com conteúdo sobre diversas exposições.

A “cultura” tem tido uma presença cada vez maior na minha vida. Quando era mais novo lembro ser ela um pano de fundo, uma curiosidade as vezes interessante, uma visita ao museu, admirar um quadro ou algo assim. Não via exatamente como arte, era algo que estava ali, assim como a música. As vezes tocava e eu ouvia, gostava de varias, mas não vinha de mim uma iniciativa de ouvir. Fui comprar meu 1o CD com uns 16 anos. Até hoje se comprei 5 foi muito. Não tive DiscMan, meu único aparelho de som foi um WalkMan que ganhei de meu pai, e eu tinha apenas 1 fita. Por falta de uso ficou abandonado.

Lembro de uma das primeiras peça que vi no teatro, que foi “Capitães da Areia”. Tinham umas cenas de capoeira, e uma música do Dorival Caymmi que me chamaram atenção. Depois disso foi o Z.É., Zenas Improvizadas. Ai fui de 0 a 100. Assisti mais de 50 sessões, achava aquilo o máximo. Certo dia o Caruso anunciou que daria uma oficina de “Teoria da Comédia e Prática da Improvisação”, com a Dani Ocampo. Fiz 8 vezes o curso. Durante algum desses entrei pro Tablado e em pouco tempo estava em cartaz com o recém-criado grupo de improviso “Sem Prévio Ensaio”, que depois de uma única apresentação se tornou o “5 Contra Nem 1”, do qual saí depois de 4 temporadas deliciosas.

Nesse meio tempo muita coisa aconteceu. Amigos, viagens, namoros. Fiz aulas incríveis de teatro, e conheci pessoas mais incríveis ainda, no Tablado e no Laura Alvim. Gradualmente essa pequena parcela do que chamamos de cultura foi entrando na minha vida. Brincava pra chatear a minha namorada dizendo que arte é “quadro e estátua”. Essa pessoa deslumbrante que conheci no teatro e que já nasceu imersa num caldo cultural tão rico que sempre me achou um ignorante na área (e com toda a razão). Só hoje consigo perceber a importância e o impacto que a arte tem na minha vida. Tenho outro olhar para filmes, peças, performances, músicas, poesias.

Meu respeito pelo trabalho do artista veio por 3 lados. Como plateia, da qual fui me tornando um espectador mais consciente e presente também. Tenho criado o hábito de ir a teatros, shows ao vivo, de viver mais esse tipo de experiência. Como “criador”, na minha pacata experiência de ator; e como consultor de gestão, por onde tenho tido a oportunidade de trabalhar mais nos bastidores, com empresas de produção, agenciamento, edição e direção de arte. É impressionante quão artístico mesmo um trabalho "técnico" pode ser.

O “insight” disso tudo veio outro dia, assistindo ao “Sal da Terra”, um documentário do Sebastião Salgado, que recomendo a todos. Na mesma semana assisti a estreia da peça “O Homem Primitivo”, do Pedro Cardoso e Graziella Moretto. Um pouco antes “Um Estranho no Ninho”, além de estar lendo alguns livros e tendo conversas instigantes. A vida do Sebastião é incrível. Assisti outro documentário dele e algumas entrevistas no mesmo dia. Me impressiona a imersão que ele tem em cada projeto, vivendo meses em cada tribo, anos viajando. Como fotógrafo ele é mais antropólogo em teoria e prática que 99% dos acadêmicos. Eu fiz engenharia ambiental, mas ele replantou 2.5 milhões de árvores por meio do Instituto Terra, e com certeza entende mais do eco-sistema que toda minha sala da faculdade. A visão de mundo de uma pessoa assim é espantosa, e entendo que as fotos produzidas são apenas a ponta do iceberg. O trabalho tem conteúdo, tem história por trás.

sebastiao_salgado73734.jpg Sebastião Salgado - fotógrafo

Me percebi tendo um grande respeito pela arte dele, mas também pela cultura de forma geral, da capoeira que adoro jogar, pela dança, e vejo que não haveria dança sem música. E esse mundo da música, que é infinito por si só, e que atualmente me fascina tão mais.. Vejo como a minha vida é mais rica, como a entrada da arte tem expandido meus horizontes. Citei aqui alguns momentos, que fizeram e fazem parte de um contexto maior em mim. E não tenho a menor sombra de dúvida de que há muito, muito mais a aprender e viver nessa área (e em tantas outras). Meu espanto, medo e admiração vêm ao pensar que, se senti todo esse impacto com a fração a que fui exposto, até onde posso ir?


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @obvious //Felipe Moitta
Site Meter