felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Ansiedade é falta de um Plano de Ação

O que suas emoções têm te sinalizado? E o que você têm feito a respeito?


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Ouvi uma entrevista com o Sebastian Junger no podcast do Tim Ferriss, na qual ele fala sobre stress na guerra (dentre outras coisas). Num estudo sobre o bem estar psicológico dos soldados, o stress foi medido pelos níveis de cortisol a cada hora. Havia um posto remoto com cerca de 20 homens, e quando eles souberam que seriam atacados o tenente encarregado, um jovem com pouco treinamento e grandes responsabilidade sobre a vida de todos, tinha níveis altíssimos até o momento em que o ataque deveria ocorrer. E depois desse momento, seu cortisol decaiu continuamente. E como não houve o ataque, continuou caindo até voltar ao normal. O caso com soldados de elite foi o oposto. Assim que eles souberam que estavam prestes a vivenciar um ataque sério, seus níveis de cortisol caíram. Eles ficaram super calmos. Era estressante esperar pelo desconhecido, mas assim que eles ouviram quando estariam sob ataque, eles tinham um plano de ação. Começaram a empilhar sacos de areia, a limpar os rifles, separar munições, toda essa ocupação deu a eles um senso de maestria e controle que realmente os fez se sentirem menos ansiosos que apenas ficar esperando.

A grande diferença é que esses soldados de elite sabiam o que fazer, tinham a confiança que nasce da competência.

Achei bem interessante essa parte da entrevista, pois muitas pessoas vivem com muito mais ansiedade do que acho que seria necessário. Medo nem se fala. A função das emoções são de enviar uma mensagem. Eu vejo uma cobra e meu organismo precisa de uma aviso bem impactante que faça com que eu pare de pensar na menina bonita e foque em evitar ser picado. Assim evoluímos, mas nosso mundo mudou. Depois que a cobra foi embora, não há mais necessidade do aviso, nem de me preparar pra correr ou lutar. E nossas emoções não são exatamente racionais, são mais como uma criança quando quer atenção. Se a mãe não olha ela simplesmente começa a falar cada vez mais alto, gritar até ser ouvida. Quando não prestamos atenção ou falhamos em agir, os avisos precisam ser repetidos, cada vez mais intensamente, e assim nascem crises de ansiedade, stress crônico e n outras condições. Não são os únicos motivos, creio, mas são certamente bem comuns.

De forma prática, acho que quando se sentir ansioso(a), vale pensar nisso como um indicador de que está faltando conhecimento nessa área. É, em grande parte, por não saber o que fazer. Um plano de ação é a melhor coisa, mesmo que a ação seja “descobrir o que fazer”. As perguntas que você se faz conduzem o seu pensamento. O cérebro é como um computador que executa os comandos. Se perguntar “como pude ser tão idiota?” é isso que ele vai tentar responder, e provavelmente conseguir. Já um uso melhor do seu CPU seria perguntar “e como posso resolver isso?” ou ainda “Será que consigo achar uma solução e me divertir no processo?”. Acho isso bem mais produtivo, e um desafio digno.

Uma pergunta interessante é “quem já passou por esse problema e o resolveu de uma forma que me agrada?”. Dai nasce a pesquisa de modelos. Se você quer chegar a um lugar, fale com quem já trilhou o caminho. Essa é apenas uma de infinitas possibilidades, e certamente mais agradável do que ruminar os diferentes, e improváveis, cenários nos quais sua vida poderia piorar. Ou se especializa em imaginar esses cenários e vira roteirista de filmes de suspense.. há sempre outras alternativas.

O painel do carro é o máximo. Tem um ponteiro que diz quanto tem de gasolina, e assim você sabe a hora de por mais. Outro diz a sua velocidade, e você pode acelerar ou frear conforme for, ainda uma luz que ascende se está faltando óleo. Saber ler cada indicador e o que fazer a respeito é fundamental, e o que permite que andemos de carro pra lá e pra cá. Agimos e corrigimos nossas ações constantemente graças a eles. Gaste um tempo se familiarizando com o seu próprio painel de controle. Você sabe quando fica com raiva? Triste, excitado, com receio? Quando você sabe? Se soubesse antes, o que gostaria de fazer?

Conhecemos mais os indicadores que usamos constantemente, por exemplo a fome, ou o sono, ou a vontade de ir ao banheiro. Usamos tanto que sabemos ler, entender quão intenso é a situação pela mensagem e decidir o melhor curso de ação. Outros ficam esquecidos, que nem aquela luz azul estranha no carro, o que quer dizer mesmo?

Conheça-te a ti mesmo, dizia o oráculo de Delphos. Há milhares de formas de se fazer isso, pois somos complexos e multifacetados. Mas certamente uma é aprendendo a ler nossos sinais. O corpo fala, não só ao demonstrar suas intenções com os outros, ele fala com você e sobre você. Sensações que em muitos casos pensamos ser aleatórias, até que começamos a prestar atenção e notamos os padrões. A raiva começa em mim com uma sensação bem específica no estômago, um tensionar dos ombros e do rosto, uma série de pequenas mudanças corporais que hoje consigo perceber. Há pensamentos também, devaneios e atos falhos. Porque comecei a me imaginar sendo entrevistado no programa do Jô? Sobre o que eu estava falando, e porque fui mais longe e visualizei algumas pessoas específicas me assistindo? Será que estou me sentindo pouco admirado, que tenho mais a oferecer do que os outros estão notando? O que mais?

Mesmo as músicas que me vêm a mente muitas vezes tem um porquê. Também não é necessário sobre-analisar cada segundo do seu dia, mas aposto que se começar a prestar mais atenção aos seus sinais, irá se surpreender.

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Ao escrever esse texto percebi que trato do mesmo assunto que em outros, e por isso pensei em não publicar. Mas depois lembrei de quantos autores que eu sigo que não fazem o mesmo, e eu adoro ler cada um. Por um lado, em alguns casos a repetição é mãe do aprendizado, então tem seu valor falar de um mesmo assunto por outro caminho. E ainda há de se considerar quem não lê tudo o que escrevi, que esse pode ser o único texto, então faz sentido repetir o tema. Além de que pra mim é uma forma de me aprofundar no assunto. Todos meus textos são ainda bem experimentais, portanto decidi que vale a pena seguir por enquanto.

E recomendo fortemente essa entrevista no podcast do Tim Ferriss, especialmente pra quem se interessa por jornalismo, antropologia, guerra e seu impacto nas pessoas. Achei excelente a conversa.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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