felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Foco em mim ou nos outros? Testes com 2 textos

2 textos sobre o mesmo assunto. Qual vc prefere?
Sobre a busca dum equilíbrio entre egoísmo e altruísmo.


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Quis experimentar uma forma de escrita que alguns autores que admiro usam (primeiro fazer um rascunho, depois dali retirar o que não cabe e polir e aprofundar onde precisa), e resolvi editar e basicamente rescrever um texto. O primeiro fiz na íntegra sem pensar muito, sai escrevendo, depois mudei talvez duas palavras, meio que de improviso, só pra colocar pra fora o que eu estava pensando. O segundo eu fiz com mais calma, tirando uns pedaços e vendo outras formas de falar outros.

Acontece que no final quando reli os dois não ficou evidente que o segundo estava melhor que o primeiro (como eu esperava). Ficaram certamente diferentes, mas essa dúvida me deu a ideia de perguntar a vocês. É bem verdade que o número de leitores aqui ainda é bem pequeno, mas não custa nada tentar né?

Queria realmente saber a opinião sobre os textos. A real é que é muito mais fácil pra mim fazer o primeiro, consome menos tempo e já nasce quase pronto. Tem um lado interessante também em escrever e reescrever, mas acho que sou a pior pessoa pra julgar meus próprios textos, pois sou completamente parcial.

Segue as duas versões aqui:

Versão 1: https://felipemoitta.wordpress.com/2016/05/05/foco-em-mim-ou-nos-outros-v1/

Versão 2: https://felipemoitta.wordpress.com/2016/05/05/foco-em-mim-ou-nos-outros-vf/

Optei por colocar os links pois assim cada um pode escolher qual ler primeiro (e separadamente), mas vou colocar aqui os dois em sequência. Primeiro o "Rascunho" - que na real não é um rascunho, apenas o texto escrito numa primeira vez, e depois o "Versão Revisada", que é basicamente o texto escrito uma segunda vez. Assim, vou chamar de V1 (versão 1) e V2, (versão 2).

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V1: Entre o Egoísmo e o Altruísmo

Já pensei bastante sobre minha saúde, condições de vida ideal, quais escolhas maximizam o meu prazer e minimizam as minhas dores. Praticar esportes, uma boa alimentação, um emprego no que sou apaixonado com um retorno financeiro bom, vida social ativa e tudo o mais. Li um livro onde um guru falava sobre as condições ótimas de se viver, idealmente um lugar silencioso, perto de florestas ou matas, ar limpo, espaço pra isso e aquilo. Achei bem interessante, e depois numa aula li uma lista das piores cidades pra se viver em termos de poluição, e lá estava Calcutá. Que me remeteu a Madre Tereza de Calcutá. Mesmo se você não ache que ela teve uma vida útil, imagine pelo exercício apenas. Se a única forma dela viver sua vida como foi, de ter o impacto que teve e ajudar todas aquelas pessoas foi nascendo em Calcutá, e pela poluição e as condições desfavoráveis ela viveu menos do que podia e com menos conforto, ainda assim acho que foi melhor.

Quer dizer, é um tipo de sacrifício talvez, ou simplesmente outra forma de pensar. Podemos sim buscar as condições que são as ideias para nosso corpo e mente, e com isso em foco buscar fazer o maior bem possível. Mas há quem troque e pense primeiro em fazer o maior bem possível, mesmo que isso venha a ferir essas condições.

Acho que na prática não estamos decidindo entra a vida de um hedonista milionário nem do salvador do mundo, então não precisamos ser tão dramáticos. Se possível vou buscar as melhores condições pra mim, mas sempre tendo em mente pra que quero estar vivo e bem. Sim, pra ter experiências prazerosas, mas também é interessante pensar em algo maior. E não precisa ser do campo do divino ou imaginário, pensar na humanidade, na sociedade, num grupo de pessoas ou empresa já é algo maior. Há um equilíbrio a se buscar entre o foco no eu e o foco no outro, ou nos outros (que podem ter n categorias: os pobres, as crianças, as minorias, os analfabetos, os famintos, os.. as…)

É interessante alternar o foco de vez em quando. Acho que é em parte pra isso que vivemos. Nosso dia-a-dia e cultura puxam mais a balança pro lado do ‘eu’ em geral. Vamos a academia melhorar o nosso corpo, pensamos no que a empresa faz por nós, as propagandas e anúncios focam em você, sua família, suas coisas. É importante voltar o pensamento pra quais sacrifícios valem a pena fazer.

As vezes é importante mudar de estratégia. Tem hora que o foco tem que ser em você. Entra no modo “conquistar o objetivo”, se isola, faz teu projeto, se dedica 100% e tudo o mais. Mas uma vez conquistado isso, vale mudar de estratégia. As vezes o que te levou até lá não te leva mais adiante, cabe repensar. Quando se está no processo de conquista amorosa, cabe um flerte, brincadeira e as vezes jogos, mas uma vez que um relacionamento sério começa, deve-se mudar de atitude, os jogos e os silêncios misteriosos dão lugar a conversas honestas e profundas, que permitem uma cumplicidade e novos níveis de intimidade. Pode até haver flertes e jogos de sedução, mas são diferentes. O ponto é não ficar preso numa forma de se fazer as coisas, especialmente se ela deu certo. Tendemos a querer repetir as ações que deram certo, e em muitos casos nos pegamos tentando martelar um parafuso. Ajuste suas atitudes de acordo com a situação. Tudo muda o tempo todo, então você também deve.

As vezes penso em qual seria o estilo de vida ideal. Num primeiro momento penso em tudo o que quero pra mim. Uma casa confortável, um carro, algumas viagens, comida boa, assistir a peças e filmes, livros e etc. Logo entra a vida social, praticar os esportes que gosto, sair com amigos, me reunir com eles com frequência e tal. E o trabalho, sim, fazer algo que gosto, onde posso me desenvolver e ter um bom impacto no mundo.

E o sacrifício? Sei que dormir bem é importante, mas se preciso virar a noite e ir sem dormir dar aulas no dia seguinte, e realmente acredito que cada aula é importante e uma oportunidade de tocar a vida dos alunos, vale o sacrifício? Se sim, até quando? Não posso me queimar, me destruir no processo, mas há um equilíbrio a ser alcançado, e estava apenas refletindo sobre isso.

Quando vale a pena ficar um mês me alimentando mal pra estar disponível a uma turma de alunos de tal lugar? Qual o impacto disso na minha saúde versus o impacto disso naquela pessoas? Como comparar isso?

Dois pesos, duas medidas? Realmente não sei..

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V2:

Uma vez li um livro onde o autor falava, dentre outras coisas, das condições ideais de se viver. Falou de alimentação, de hábitos, e na parte de onde morar falou sobre o silêncio, a proximidade da natureza, a importância de um ar limpo. Especificamente essa parte me fez refletir quando, mais tarde, li uma lista das cidades com pior qualidade do ar, e lá estava Calcutá. Achei curioso pois me remeteu a Madre Teresa, e fiquei pensando o quanto não foi importante ela ter vivido lá, mesmo que soubesse da perda de qualidade de vida que tinha ao viver num local poluído e com tantos outros limitantes.

Será que ela deveria ter morado em outro lugar? Será que perdeu anos de vida por viver num lugar assim, e com esse anos a mais poderia ter ajudado mais pessoas? Ou o mais importante foi estar no “olho do furacão”, e ajudar mais intensamente, de forma mais presente mesmo que as custas de alguns anos? (o estudo estimava quantos anos perdemos em expectativa de vida de acordo com a poluição e outros fatores. Mesmo que não seja simples assim, ou não se aplique, serviu como estímulo pra pensar na questão)

Acho que há um equilíbrio entre o foco em mim e nos outros. Não sei ainda qual o certo, e acho particularmente difícil julgar em diversas situações. No extremo do foco no indivíduo temos toda uma indústria que alimenta isso. Propagandas de academias, melhore o seu corpo, de comidas saudáveis, o clássico panfleto com a família sorridente, mansão ao fundo e o golden retriever no jardim. O foco no eu, em criar uma pequena ilha de felicidade, pra mim, minha família e meus amigos. Nossa sociedade e cultura tem dado um peso maior a esse na minha opinião. No outro extremo está o sacrifício ao outro, doar tudo, servir constantemente e abdicar a todo o resto.

O equilíbrio está em algum ponto intermediário. Mas chegar nele não me parece fácil. Se tivermos os dois objetivos em mente, ficamos como o jumento da história, que é colocado a meio caminho da comida e da água. Ele fica olhando de um pro outro, pois tem sede e fome, e como não consegue se decidir por nenhum, acaba morrendo parado no mesmo local, com fome e com sede. Acho que o segredo está na capacidade de mudar de estratégia, de mudar de foco. Ir pra um, depois pro outro.

Num momento, devemos nos melhorar, ter o foco em nós. Quando mais capaz eu sou, mais forte, mais eficiente, inteligente, rico ou o que for, mais consigo ajudar os outros. O perigo é me perder nos prazeres da conquista, e começar a racionalizar fechando os olhos ao motivo real. O outro extremo também tem seus perigos, quando a pessoa desvaloriza demais sua individualidade, se perde e se entrega ao grupo, ajuda a todo mundo menos um, ela. Começa a se sacrificar desnecessariamente, vai além da conta. Por isso acho que o equilíbrio está entre os extremos, e temos a aprender com os dois focos.

O desafio é saber quando mudar de estratégia.

Um jornalista investigativo por exemplo, enquanto conduz a pesquisa tem que estar aberto, conversando com pessoas, indo a lugares e etc. Terminada essa fase ele entra no modo de escrita, de reunir e editar o material. Precisa de isolamento e concentração. Existem pessoas que têm sucesso com um modelo de agir e se prendem a ele, como o bom aluno que colheu os frutos de fazer o que o professor manda e tirar boas notas, que depois não sabe ou não quer sair da zona de conforto quando a situação pede outra abordagem.

Agora, quando que devemos mudar? Como julgar isso? Em que momento sei que estou gastando tempo demais comigo, que exagerei aqui e devo me concentrar mais nos outros? Ou como sei que estou com mais vontade de ajudar do que capacidade, e preciso voltar e me aprimorar de forma a ser mais útil?

Infelizmente não tenho essas respostas. São questões nas quais tenho pensado, apenas isso.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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