felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Gosto tanto que fui fazer outra coisa

Sobre quando optamos por um caminho mais longo


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Sempre achei interessante o conselho de se fazer o que ama. Mas como tudo, ele pode ser simplista e mal interpretado. Sou desde cedo apaixonado pelo ramo da educação, pela ideia de dar aulas, de ter uma escola, de treinar professores e tudo o mais. Tanto que decidi fazer outras coisas. Pois percebi que nesse meio não me contentaria em ser apenas um bom professor. E se quero colher mais, preciso plantar mais.

Entendi ter uma escola não é necessariamente o investimento mais rentável, então não quero entrar nessa pelo dinheiro - como todo empreendimento saudável, ele deve ser sustentável, pagar as contas e gerar algum lucro, mas isso apenas - a partir dai o foco é outro. Entendi que precisaria estar “mais forte” pra fazer o que quero, e vi que não tinha pressa também. Dei aulas num cursinho comunitário e agora sou professor de inglês de uma ong, mas entendo isso como um treinamento, um espaço de prática. Entrei no teatro pra me aperfeiçoar e aprender a me expressar melhor, pensando na sala de aula. Acabei me apaixonando por essa arte e pretendo seguir mais caminhos por ai, mas isso em nada me distancia da educação, pelo contrário, é só um caminho paralelo. Na consultoria em gestão tenho aprendido muito, o que me permite pensar um negócio cada vez mais sólido quando considero de fato ter uma escola ou algo assim. Nesse ritmo, tenho tempo de ler, estudar e conversar sobre diversas abordagens pedagógicas, sigo educadores e vou acumulando ferramentas e práticas que sei que serão fundamentais mais pra frente.

O Japão tem tradição de buscar a perfeição em cada atividade. Um cozinheiro aprendiz pode ficar anos apenas lavando e preparando o peixe. Mas quando vêm a cortar, entende que esses anos não foram a toa, e serviram pra criar um fundamento e estado de espírito, um respeito pela arte que realmente pedem outro tempo e dedicação. Diferente de nós, que entramos na academia querendo resultados pra ontem, começamos a praticar violão hoje querendo tocar com amigos no fim de semana. Há valor nas duas abordagens, dependendo do seu objetivo, uma, ou outra, podem fazer mais sentido. Entendo que nossa vida é grande o suficiente pra nos dedicarmos a mais de uma coisa, e mesmo assim, tudo está interligado. O que aprendo na capoeira vem a me ajudar no teatro, o que desenvolvi com o hábito de escrever me torna um amante melhor. Outras áreas de interesse eu parei meio que sem querer e pretendo retomar mais pra frente. Como desenhar, algo que sempre gostei e quero voltar em breve. Pretendo um dia me dedicar a algum instrumento musical, e quero voltar a mergulhar fundo no mundo do improviso, mas tudo a seu tempo. Se imaginar que vou viver até uns 80 anos com lucidez (o que acho plausível) sei que posso me dedicar muito a muitas coisas, o segredo é consistência e disciplina. Gosto dessas atividades, mas ainda não sou completamente apaixonado. Sei que há uma chama que se for alimentada vai crescer, então tenho a calma de esperar o momento certo, pois também não quero me dedicar a mil coisas num mesmo momento e acabar não fazendo nada direito. Quero poder dar a cada interesse desses a chance de virar um grande amor.

Fazer o que ama é difícil pois podemos amar muitas coisas. Antes disso, algumas levam um tempo pra se entender, pra gostar, e com o tempo, amar. Como um casamento arranjado de antigamente (os bem sucedidos), há casos onde se aprende a gostar. Existem também casos de amor a primeira vista, mas assim como nos relacionamentos com pessoas, nossas paixões por trabalhos e empregos são incrivelmente diversas e complexas.

Dois dos melhores livros que li sobre o assunto foram “O Elemento-Chave” do Ken Robinson, e “Maestria” do Robert Greene. Falam do desafio que é encontrar ou desenvolver sua paixão num determinado campo, os obstáculos, internos, sociais, as pressões e histórias de diversas pessoas. Recomendo.


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Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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