felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Já não é mais como antigamente

Já visitou uma casa onde morou quando pequeno? Tudo parece menor.. e os namoros e experiências? Estamos fadados a crescer e viver, e comparar...


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Há um conto em que o aprendiz chega muito abalado com um evento, e seu mestre põe um punhado de sal num copo e pede pra ele beber. Ele prova e diz que o gosto é ruim. Depois ele coloca o mesmo punhado de sal, dessa vez num lago, e pede que o aprendiz prove. O gosto agora é bom, diz o jovem. O mestre então diz que o sal representa as emoções negativas que inevitavelmente aparecerão no decorrer da vida, e que você é a água onde ela se dissolve. Quando você é pequeno como o copo, um pouco de sal tem um grande efeito. Mas conforme cresce e amadurece, fica que nem o lago, capaz de lidar com muito mais sem se afetar.

Outro dia vi uma menininha brincando no balanço com o pai, indo cada vez mais alto, e pedindo mais, um rosto de completa adrenalina e excitação. Pensei que aquele poderia ser tranquilamente o momento mais ‘radical’ da vida dela até então. Lembrei de quando eu ia no balanço, quão intenso foi a vez que eu fui “altão”, ficando quase paralelo ao chão, o frio na barriga, o medo e a vontade de ir mais alto, estava completamente absorto naquele momento. Depois eu cresci, vivi outras coisas, e hoje em dia um balanço não me diverte mais tanto assim. Não é o balanço deixou de ser legal, é que eu cresci. Agora tenho mais experiências, e comparado a saltar de paraquedas, ir alto no balanço não é exatamente tão divertido.

O mesmo vale pra tudo. Comparamos experiências com as que temos na nossa memória. Com 5 anos de idade, 1 ano é um quinto da nossa vida. É muita coisa, proporcionalmente. A cada ano que passa o tempo se dilui cada vez mais, pois você tem um histórico maior com o qual comparar. Hoje em dia esperar um ano pra algo é muito tranquilo, mas lembro quando criança meus pais planejando uma viagem pra dali a dois anos e eu não conseguia imaginar algo tão distante assim, não sabia nem se estaria vivo, não conseguia conceber esse raciocínio. Via os exercícios de matemática da minha irmã que ocupavam quase uma página inteira, enquanto os meus eram no máximo 3 linhas, e duvidava se algum dia seria capaz de fazer aquilo tudo. Vi meu pai se cortar e sangrar sem chorar e não conseguia imaginar alguém mais resistente. Sangue no machucado era pra mim o nível máximo que se poderia chegar em destruição corporal - pode só ser uma pancadinha, pode deixar roxo, pode ralar, mas se saiu sangue, fudeu, a parada é seria, pode chorar. Hoje em dia eu posso me arrebentar todo, que é só minha mãe dar um beijinho no dodói que eu já me sinto melhor. Maturidade né.. ;D

Mas o ponto é que nos tornamos maiores, capazes de lidar com mais, de aguentar mais. Fiquei um pouco triste pensando num namoro antigo, e quanto lembro que ele já significou pra mim na época, e o espaço que tem atualmente. Pareceu que o ‘pouco’ que sinto hoje era de alguma forma uma traição ao meu passado, ao que vivi. Não que seja realmente pouco, mas comparado ao que já foi é certamente menor. Senti uma certa culpa, e foi isso que desencadeou toda essa reflexão. Mas depois pensei que ele foi enorme na época, foi intenso e foi tudo o que podia ser, mas eu é que cresci, eu é que vivi outras coisas e devia estar feliz por isso. E passei a ficar.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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