felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Sobre sair do armário

Cada um tem seus armários. E você, de qual precisa sair?


o-CLOSET-facebook.jpg

Sair do armário é um processo interessante. É quando a pessoa percebe que há um descompasso entre como ela se sente em relação a um assunto, um comportamento, e a expectativa da sociedade, da família, do grupo no geral. Sejam por regras sociais, tabus ou cultura, existe uma série de expectativas, até pressões sociais, para agirmos de determinadas maneiras.

O exemplo clássico é a homosexualidade. Por muito tempo a expectativa era (e ainda é?) que uma pessoa devia sentir atração apenas com alguém do sexo oposto. Diversos relatos contam como algumas pessoas vieram a perceber que não se encaixavam nesse modelo, e as variadas formas de sofrimentos que essa percepção gerou. Desde dúvidas, medo, vergonha, as vezes até raiva e negação. Somos animais sociais, e é difícil frustrar os outros, especialmente os que amamos, mas mesmo estranhos. Por mais que muitos se isolem e digam não se importar, a verdade é que estamos conectados de diversas formas aos outros. Querendo ou não, a presença deles nos afeta, suas expectativas e o que pensam de nós. Alguns reagem buscando agradar, outros buscam fazer o oposto, mostrar indignação, desprezo, enfim, todas as possibilidades de interação que já conhecemos.

Sair do armário pode se aplicar a qualquer coisa. Todo vez que você percebe essa diferença entre como quer agir (ou sentir) a respeito de algo e a expectativa dos outros, está no processo de sair do armário. É importante notar que muitas pessoas não terminam esse processo, ficam empacadas em alguma etapa, passam a vida com medo de se assumirem perante os familiares ou amigos. Alguns se assumem apenas em alguns momentos nos quais se sentem mais seguros, mas depois retornam e fingem (até pra si mesmas) que aquilo foi apenas um lapso.

Tem gente que sai do armário quanto a sua profissão, admite que quer viver da arte e rejeita o emprego seguro numa grande empresa, outros saem do armário quanto a gostar de um estilo musical. Há quem saia do armário quanto a não gostar de cachorros, ter certos fetiches, não gostar de sexo, gostar de colecionar formigas, ter medo de multidões, abandonar a faculdade, o que for. As vezes o que pro outro é um desafio enorme seria ridículo pra você, mas essa é a questão, se pra pessoa é um desafio, então pronto, é um armário a se sair. Acho que na metáfora as paredes do armário são as regras e expectativas dos outros, que prendem, pressionam e sufocam alguém que quer desesperadamente sair. É importante entender e respeitar que para algumas pessoas certas pressões são reais, mesmo que pra você elas sejam irrelevantes.

Todo mundo tem seu ou seus armários pra sair, pois todo mundo é diferente do resto em algum ponto. Acho que o aprendizado é compreender como pode ser desagradável esse sentimento de frustrar os outros, o medo de ser excluído e desprezado (mesmo que seja apenas imaginário) e ter mais empatia ao perceber outros nessa situação. Compreender a forma além do conteúdo. Penso que é um dos caminhos possíveis para relações mais humanas.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Felipe Moitta
Site Meter