felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Sobre se expressar, autoconfiança, e arte

As conexões entre a capacidade de se expressar, a autoconfiança e a arte.


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Poucas coisas são mais importantes que uma pessoa se expressar. Ser capaz de se comunicar, ter sua voz, experimentar os diversos meios pra tal. Tudo pode ser uma forma de expressão, essa é uma das belezas da maestria. Quando se evolui tanto na técnica que a sua dança, seu jogo de xadrez, sua forma de dirigir, de fazer cerveja, de tocar o violão, como resolver uma equação, tudo passa a ser único pois está completamente impregnado pela sua individualidade. Autoconfiança é fundamental, mas principalmente pois ela significa acreditar e valorizar o que se tem a dizer. Ser autoconfiante é se levar a sério, é se perceber, se ouvir. Como todo equilíbrio é delicado, e se você vai demais nisso passa a se fechar em si mesmo e perde o contato com o mundo exterior, vira um ditador, um narcisista, um alienado. De menos e você não é ninguém, sem personalidade, sem presença. E falando não apenas da parte prática, de se posicionar no mercado de trabalho, lutar pelo que quer e interagir socialmente, mas de se relacionar.

Confiança é a base de qualquer relação, e a relação mais importante que você vai ter é com você mesmo. Do primeiro abrir dos olhos à última respiração você está consigo, e essa relação se desenvolve como todas as outras. Há altos e baixos, momentos de grandes felicidades, brigas, dúvidas, tudo, como num namoro, casamento ou uma grande amizade. Você vai admirar sua beleza, se achar o ser mais feio do mundo, agradecer por ser quem é, pensar em se matar, desejar ser outra pessoa, desejar saber quem você é. Tudo isso numa vida normal, o que muda é a intensidade e duração de cada um. Desenvolver a autoconfiança é investir em si.

O grande dilema do ovo e da galinha, do que é a causa e do que é a consequência. O ato de se expressar acontece com quem é confiante, ou a pessoa se torna mais confiante pois tem o hábito de se expressar? Pra mim os dois ocorrem, milhares de vezes, se alternam e se alimentam e se enfraquecem nessa estranhíssima dança que é o amadurecer.

Creio que a arte nasce dessa nossa necessidade de expressão, de nos explorar e comunicar os achados. Por isso o grande valor dela, um deles ao menos.

Já fui bem cético em relação a arte. Depois apenas me silenciei, numa fase de dúvidas e observações. Hoje acho que pode ser uma das coisas mais importantes que existem. No colégio a aula de artes era a menos respeitada, pois todo mundo sabia que ia passar de ano, não precisava estudar, a aula era divertida mas infelizmente acabava sendo levada menos a serio. Usava a aula de artes pra fazer o dever de casa da matéria seguinte, depois desenhava ou pintava algo.

Recentemente vi comentários sobre o papel da arte na sociedade, com as questões políticas em torno do ministério da cultura. A raiz do debate é o que me interessa (apesar de haverem diversos outros pontos a serem profundamente debatidos). Há quem diga que arte é tudo e há quem diga que não serve pra nada, ou só pra entreter, mas deve ter seu lugar abaixo das coisas sérias, como saúde por exemplo. Fiquei algum tempo pensando sobre o valor da arte.

Mais uma vez uma pergunta aparentemente simples - qual o valor da arte? - pede respostas das mais profundas que existem - qual o sentido da vida? Sim, pois pra dizer que algo é mais importante, de fato, precisamos saber essa resposta.

Acredito que somo seres espirituais encarnados, e por isso cada vida é uma etapa de aprendizado, uma oportunidade para evoluirmos moral e intelectualmente. Vejo que a arte, essa palavra grande que comporta tantas áreas distintas, é absolutamente capaz de prover ambos, e por isso, pra mim, tão valiosa quanto qualquer outro empreendimento. Se existem artistas preguiçosos, gananciosos e de má fé, creio que o mesmo pode se dizer de qualquer profissão. A arte tem sua função na vida de cada um. A apreciação do belo, a admiração da criatividade, da diversidade humana. Apreciar verdadeiramente algo é expandir seus horizontes. A oportunidade da investigação de si mesmo, a exploração de quem somos e a forma poética de se propor uma troca, de ouvir e ser ouvido… Ela foge a uma análise puramente racional, e sinceramente acho que ainda há muito a se compreender, ou vivenciar.

Quando falam do papel do artista na sociedade penso que a arte tem seu papel na vida de cada um, basta apenas decidir em que medida. Temos pessoas dedicas exclusivamente à matemática, à física, ao estudo das línguas. A dedicação de uma pessoa a uma área de interesse deve ser função apenas de sua vontade, sua curiosidade. Uma pitada de praticidade e pé no chão, na medida em que temos recursos limitados, como tempo e atenção, e devemos dividi-los entre nossas atividades de forma, idealmente, a colher o que precisamos - segurança, variedade, significância, conexões, crescimento, contribuição. Isso vêm na forma de dinheiro, amigos, viagens, conversas, hobbies, amores, etc, etc. Cada um deve buscar seus interesses, seguir sua bússola interna.

Arte é como nos comunicamos, como tocamos e somos tocados. Gosto do conceito de arte antigo, como “a arte de fazer chá”, a arte disso ou daquilo outro. No fundo, tudo é uma arte, se dedicarmos atenção o suficiente, nada é pequeno ou insignificante. Falei o tempo todo de arte no sentido que suponho ser que a maioria imagina, como sinônimo de artes audio-visuais (música, pintura, cinema, teatro…). Mas no fundo, vejo que arte está muito mais no como. No processo de criar seja lá o que for. Desde uma escultura à uma planilha de excel.

Ainda assim não acho a arte da medicina intrinsicamente mais valiosa que a arte da pintura. Apenas preciso de doses diferentes e momentos distintos da minha vida de cada uma delas. Ambas são importantes, ambas devem ser estudas, ambas permitem um progresso moral e intelectual.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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