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Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Como eu uso o Facebook

Aumentando os Prós e diminuindo os Contras


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Acho que como a maioria das pessoas, já me percebi perdendo tempo demais no facebook, vendo informações que não me acrescentavam em nada e as vezes até me faziam mal.

Ouço constantemente pessoas reclamando do facebook, em como perdem tempo nele ou que acabam se sentindo mal por usar demais. Por um tempo eu me senti procrastinando muito ali, assistindo brigas de egos, pensando em responder algo absolutamente sem importância e ainda assim me sentindo culpado por continuar entrando. Pensei em cortar completamente, mas pesando prós e contras, ia deixar de saber de muita coisa bacana também. Resolvi ir mudando, e acabei chegando num formato com o qual estou absolutamente satisfeito.

Sinto que ele me acrescenta em muito, me permite descobrir diversas coisas legais, e achei que valia falar sobre como cheguei a esse ponto.

Logicamente, essa personalização que fiz vale pra mim, pros meus valores e interesses, de acordo com a minha rotina e estilo de vida, não acho que é A forma certa ou que outros deveriam ser assim. Apenas digo o que fiz caso alguém ache de alguma forma útil.

Vou começar com um exemplo. Entrei agora na minha Timeline.

Na ordem, essas são as primeiras 20 coisa que apareceram:

1. Texto/atualização de uma amiga, a opinião dela sobre o prefeito de São Paulo. – Gostei de saber, é uma amiga querida, me interesso por saber o que ela está pensando (eventualmente, e ela não exagera na frequência em que diz algo), e é um assunto que me atrai, já li algumas coisas positivas sobre o Dória, e gostei de ver o breve ponto de vista dela.

2. Texto de um autor que sigo – Um pedido ao leitores pra responderem naquele post frases que te marcaram, para um trabalho desse autor. Eu respondi e achei válido ter participado.

3. Link de autor que sigo – Um excelente texto sobre o mercado de auto-ajuda e os experts, sendo o relato de alguém que trilhou esse caminho. Em inglês. Adorei ter lido, nunca teria encontrado de outra forma, e é um assunto sobre o qual muito me interesso (e que não é, em geral, sobre o que esse autor costuma falar).

4. Amigo compartilhando um vídeo fofo. – um pai e uma filha tocando violão.. Não assisti, mas acho bacana de vez em quando saber o que esse amigo está pensando e fazendo. Ele mora longe, e não posta com tanta frequência.

5. Texto de autor que sigo – uma reflexão do Alex Castro sobre nossa noção de estética, contando um caso da vida dele. Bem interessante, curto e bem escrito.

6. Opinião aleatória de uma amiga, levemente engraçada – uma amiga que está viajando, gostei de ouvir um pouquinho dela e saber que está se divertindo lá.

(propaganda)

7. Divulgação/convite sobre a peça de um amigo – gostei de saber. Na verdade, já sabia, mas me lembrei de quando é e onde, e to querendo ir. Gosto de divulgação de peças, preciso ser lembrado constantemente de quando e onde é cada uma, especialmente a dos meus amigos, pois mesmo se eu não puder ir, gosto de saber quem fez o que, e depois conversar sobre.

8. Link de autor que sigo – sobre ensinar inglês no exterior. Fiquei levemente curioso, mas não cliquei pra ler depois.

9. Vídeo compartilhado por uma amiga, bem interessante. “Bored Panda”, uma animação com objetos não se comportando como vc esperaria (ovos quicando ao invés de quebrar, etc). Bem feito, curioso e algo que eu nunca teria visto de outra forma, bem curto, bem bacana.

10. Vídeo compartilhado por um amigo sobre a situação da vela (esporte) no Brasil – não é uma área de interesse específica minha, mas achei bacana o gesto (porém, agora, não assisti).

11. Link de autor que sigo, sobre o ativismo na era do Trump – bem interessante, já li outros no mesmo assunto, no momento não quis ler esse.

12. 9GAG, fotos de uma modelo – Não cliquei, mas volta e meia acho bacana os posts do 9GAG, que eu sigo.

(propaganda)

13. Post de personalidade que sigo – Schwarzenegger (que eu sigo) falando sobre seu encontro com o papa. Achei minimamente interessante, mas não cliquei pra ler mais.

14. Vídeo do Cirque du Soleil (que eu sigo) mostrando partes de uma apresentação. Incrível. Adoro ver o que os caras tem feito. Já fiz aulas de circo, tenho um ex-professor atualmente trabalhando lá, li um bocado sobre o Cirque, então gosto de ver o que estão fazendo por uma curiosidade tanto estética quanto empresarial.

15. Flyer de uma amiga sobre nossa posição no ranking de bem estar animal – uma amiga querida, que trabalha com veterinária. Não fazia ideia nem que esse ranking existia, gostei de saber dessa iniciativa, e ver o continuado envolvimento dela na área.

16. Aviso que uma amiga tem interesse num evento (em Minas) – por ser em minas eu não vou, mas fico sabendo de muitos bons eventos assim.

17. 9Gag – 16 atores ao lado das figuras históricas que eles interpretam – Potencialmente interessante, mas não cliquei.

(Propaganda)

18. Vídeo compartilhado por figura que sigo: “years of living Dangerously” – Vi apenas um pedaço, mas achei legal. Em outro momento veria inteiro, me pareceu inspirador e bem feito.

19. Foto de um amigo e sua namorada – achei fofo.

20. Texto de autor que sigo – do Alex Castro sobre críticas e a forma que as pessoas lida com ela.

Eu não filtrei isso de nenhuma forma, nem dei uma olhada pra ver se estaria legal pra compartilhar. Nem ia falar da minha timeline, mas quando comecei a escrever mais abstratamente sobre o assunto, achei que o exemplo falaria mais alto.

Segui mais um pouco depois, e é esse padrão mesmo. Há momentos com mais post de amigos, outros com mais coisas de canais, mas em geral, é por ai.

Como não assisto TV ou leio jornais, boa parte do que sei sobre atualidade me chega pelos comentários ou links compartilhados por amigos. Toda semana, quase todo dia, leio algum artigo que acho incrivelmente interessante, tanto de assuntos que já estou pesquisando quanto de coisas totalmente fora do que penso normalmente. De vez em quando resolvo mergulhar mais no assunto, e outras ficam só de curiosidade mesmo.

Fico sabendo de eventos, peças, festas, exposições, e acho que mais da metade dos últimos eventos que fui, eu fiquei sabendo por meio do facebook (nunca propaganda, sempre por amigos ou pessoas que sigo, compartilhando). Sigo atores que admiro, companhias de teatro que também divulgam tanto peças quanto workshops e oficinas que adoro fazer.

Gosto muito de saber dos meus amigos, especialmente os que estão longe, mas ai mora

um grande perigo. O potencial procrastinador disso é infinito. Então a solução é ter um bom equilíbrio entre posts apenas pessoais (um amigo falando da sua viagem por exemplo, ou só dando sua opinião a quem quiser ouvir), coisas úteis, como uma amiga compartilhando algo, e posts de terceiros, de canais, autores e personalidades.

Consegui um bom equilíbrio ao longo do tempo, tanto deixando de seguir (ou deletando) pessoas cujos posts me incomodavam ou eram em sua maioria superficiais ou inúteis (na minha opinião, é claro. E estou exagerando levemente aqui por motivos de simplicidade), quanto ao começar a seguir canais, autores e personalidades que postam quase que sempre coisas interessantes. Gosto de ver opiniões diferentes das minhas, então tenho amigos que defendem o Bolsonaro por exemplo, mas apenas quem o faz de uma forma interessante (o que é raro, admito).

Com o tempo, fui passando a ter quase que apenas pessoas com hábitos de compartilhar e postar coisas legais. E não demorou tanto. Via de regra, menos de 50% do meu feed é de amigos.

Sigo alguns autores e canais, e volta e meia escolho a opção “mostrar primeiro”. Os meus favoritos são o The School of Life, que posta 2 vezes por semana vídeos incríveis sobre relacionamentos, trabalho, filosofia e reflexões sobre a vida, além de trechos de livros e outros pensamentos. O TED e o TED-Ed, vejo toda semana alguns vídeos deles, gosto de receber essas atualizações, boa parte assisto na hora, outra deixo pra ver depois (e sempre vejo). O “I Fucking Love Science” tem vídeos e artigos interessantes, mesmo que eu não clique em todos, volta e meia tem algum que vale a pena. Sigo o Hypeness, mas esse abro os artigos com menor frequência. Sigo também umas poucas bandas e músicos que gosto, e fico sabendo dos shows.

De autores, sigo o Tim Ferriss, e quase sempre leio ou assisto o que ele posta, o mesmo vale pro Derek Sivers, Tynan, Alex Castro, Michael Sandel, Sir Ken Robinson, Tony Robbins e o Andrew Solomon. Mas eles costumam postar com uma frequência menor. O Sam Harris eu não leio tanto assim os artigos, mas ainda assim bastante do que ele fala me interessa.

(o que faz meu computador ter, praticamente a qualquer momento, pelo menos 3 abas abertas de textos que quero ler)

O resto fica num mix de coisas interessantes, meras curiosidades ou só um besteirol mesmo. Sigo o 9GAG por exemplo, mas clico com pouca frequência. Sigo outros canais, que não priorizo (mental floss, kurzgesagt, mundodasmarcas), então o grosso mesmo são esses que mencionei aqui.

A quantidade de coisas boas que descobri por meio do facebook, por recomendação de algum amigo ou canal, é enorme. Atualmente, acho que tenho uma boa relação com o facebook, entro todo dia, mas não fico tanto tempo, até porque to sempre clicando em algo que leva tempo pra ser consumido (textos longos, vídeos, etc). Eu mesmo posto poucas coisas, de vez em quando compartilho algo que acho que tem valor. As vezes acho que exagero um pouco e procrastino mais do que deveria, realmente perco tempo, mas também em outros momentos fico dias sem entrar e não sinto honestamente nenhuma falta. Então, posso e pretendo melhorar minha interação.

Vejo fotos bonitas, fico sabendo de quem viajou pra onde, quem ta fazendo o que, mas numa proporção boa com assuntos mais “intelectuais”. Talvez eu naturalmente não seja tão interessado assim nas novidades, mesmo dos meus amigos, então depois de pouco tempo já estou cansado e vou fazer outra coisa. Pode ser que isso me facilite a ter uma relação que considero mais saudável e útil com o facebook, mas ainda assim me policio constantemente, pois sei que posso facilmente me perder e ficar procrastinando e perdendo tempo. Sei que é muito fácil começar a se comparar com os outros e entrar numa espiral de sentimentos negativos.

Existe um trade-off ao parar de seguir alguém, pois muita gente é amiga o suficiente pra eu me interessar em saber o que a pessoa fez, mas, por outro lado, acaba postando muita coisa que não gosto, sejam reclamações, críticas feitas num estado que prefiro não ler, e compartilhando coisas que acho que são perda de tempo ou fazem mais mal do que bem. Preferi pecar pelo excesso e correr o risco de deixar de saber de algo legal pra ter menos disso. Então, deixar de seguir algumas pessoas foi um pouco mais difícil, mas no final, acho que valeu a pena.

Criei uma página para postar apenas textos meus (Escrevinhanças), mas eu basicamente escrevo fora, entro, posto e saio. Tem pouquíssimos seguidores, e, portanto, quase nenhuma interação, o que me faz gastar quase nada de tempo ali. Pretendo postar mais, mas imagino que isso vá aumentar o meu tempo escrevendo, e não no facebook de fato.

Pode ser que eu venha a mudar minha relação com o site, provavelmente passando a usar ainda menos, mas, no momento, é assim que uso o facebook, e estou bem satisfeito com o que ele me proporciona. Tem muita coisa legal sendo dita e compartilhada. É só criar espaço pra elas, é só tirar o resto.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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