felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Gritos Silenciosos de Ajuda

Quando o silêncio ou recusa são sinais de que a pessoa está confusa, com vergonha, e te empurra querendo te puxar.


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Existem gritos silenciosos de ajuda. Por já ter estado nessa situação, sei um pouco como é. Já estive mal, e com vergonha de admitir que estava, de pedir ajuda, e mesmo de aceitar ajuda. Tive a sorte de ter tido pessoas que insistiram. Lógico que cada caso é um caso.

Eu atualmente tento me esforçar pra saber quando o silêncio ou a recusa são sinais de que a pessoa quer distanciamento, pra quando ela está apenas confusa demais, e com vergonha de ser vista, quando ela te empurra querendo te puxar. Quando ela está fraca demais pra dizer sim, e eu posso interpretar isso como um não

Meu primo e melhor amigo me mandou uma mensagem dizendo que tinha uma consulta marcada pra eutanásia do seu cachorro. O cão já estava mal há um tempo, então até ai, nenhuma surpresa. A mensagem só dizia isso, mais nada, um aviso que focava em me informar desse acontecimento. Mas achei esquisito, não sabia exatamente porque, mas senti algo estranho ali. Liguei pra ele, e conversando, ainda que sutilmente, consegui perceber que ele tava bem abalado. Fui encontrar com ele, e junto com mais uma amiga passamos a noite conversando. Não fui lá pra conversar, não fui pra consolar ele, dizer que a decisão era certa por A, B ou C. Fui só estar presente. Se ele quisesse falar disso, íamos falar. Senão, não.

Foi uma noite bem agradável e intensa na sua leveza, e por isso mesmo fiquei preocupado com a fragilidade dela, pois por muito pouco ela quase não aconteceu. Por muito pouco eu poderia ter deixado de notar que ele estava nesse momento, mais algumas coisas na minha cabeça, um pouco menos de atenção e essa janela ia se fechar, pra sempre. Quantos outros amigos eu posso ter deixado de perceber? Quantos outros pedidos silenciosos eu não soube ouvir?

Não fico me culpando ou martirizando, meu objetivo é olhar pra frente, é conseguir ficar atento a esse ponto mais vezes. A gente faz o que sabe fazer, e tem gente que não sabe pedir ajuda. Eu acho que nunca soube muito bem.

O problema que percebi não é a decisão de ajudar ou não o outro, mas de perceber quem precisa de ajuda. Existem gritos silenciosos, que são os mais difíceis de ouvir. Estou falando aqui de um tipo específico de ajuda, para um tipo específico de dificuldade.

Muita gente quando fica mal tem vergonha de dizer que está mal, vergonha de pedir ajuda. Entra em cena o orgulho, o estranhamento em se colocar vulnerável assim, o medo do que os outros vão pensar. Cada um tem suas questões, e eu mesmo me incluo nesse grupo. Mas acho que sempre damos algum sinal. Por mais sutil que seja, de alguma forma pedimos a ajuda, e quem sabe onde olhar, que sabe o que notar, pode perceber.

Sempre disse “qualquer coisa é só falar”. E, que eu me lembre, nunca falei só por educação ou da boca pra fora. Eu realmente me coloco à disposição de ajudar qualquer amigo, acima de praticamente qualquer coisa.

E acho que o mesmo é verdade pra maioria das pessoas. Acho que quase todos estão dispostos a ajudar mesmo se isso significar um sacrifício razoável. Se alguém disser que está mal, com depressão, precisando de um dinheiro, de um lugar pra ficar, nossa disposição em ajudar é proporcional à necessidade da pessoa, e tão maior quanto maior é a proximidade, amizade e carinho. Se a pessoa precisa de uma pequena ajuda vou fazer um pequeno esforço, mas se está realmente mal e precisando, vou dar um jeito e fazer tudo que estiver ao meu alcance.

Espero do meu lado ser cada vez mais capaz de me abrir e falar abertamente o que estou precisando, e com outros, quero conseguir melhorar minha percepção, ser um observador melhor, ser capaz de ouvir os gritos silenciosos. Acho que isso me aproxima de quem eu quero ser.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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