felipe moitta

Reflexões, pensamentos e um convite à toda troca construtiva

Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal.

Metas Subconscientes

Sobre como materializar os seus objetivos usando a mente consciente e o subconsciente.


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Acredito firmemente que só conseguimos conquistar um objetivo quando estamos alinhados com o nosso subconsciente. Cheguei a essa conclusão depois de um bom tempo de pesquisas, dezenas de livros, artigos e histórias. Compartilho aqui o processo, o que encontrei de melhor e minhas hipóteses, pra que você tire suas próprias conclusões, e experimente, caso decida.

O Jim Carrey conta numa entrevista que deu pra Oprah Winfrey como ele visualizava o seu sucesso quando ainda era um desconhecido ator canadense. Em meados dos anos 80, ele almejava o sucesso em hollywood, assim como milhares de pessoas. Sem contatos, dinheiro ou fama, ele sabia da dificuldade que seria, mas visualizava constantemente seus objetivos sendo alcançados, seu trabalho sendo reconhecido, os contatos acontecendo e tudo o mais. Certo dia, ele escreveu um cheque pra si próprio no valor de 10 milhões de dollares, por “serviços de atuação prestados” e colocou a data “ação de graças, 1995”. E guardou o cheque, manteve ele o tempo todo na carteira. Exatamente no dia de ação de graças de 1995, ele recebeu a notícia de que iria receber 10 milhões pelo filme “Debi e Lóide”.

Essa história é super interessante por alguns pontos. Como ele mesmo diz, ele não fez o cheque e ficou sentando em casa assistindo a TV. Ele visualizava todo dia o sucesso que desejava, e seguia fazendo todo o possível pra materializar o seu sonho. Ele fazia todos os cursos que encontrava, buscava contatos, agentes, enviava seu material, ia pra audições, testes, fazia tudo a seu alcance. Tudo.

A maior críticas dos céticos, as pessoas que ouvem falar sobre visualizar seu sonho ou fazer afirmações diárias e sentem uma repulsa imediata, é sobre a passividade. Sobre as pessoas que acreditam que visualizar, rezar, pedir ao universo é tudo o que precisam fazer, e depois podem apenas sentar e esperar seus desejos caírem no colo como se tivessem a lâmpada do Aladin. O ceticismo tem seu valor e seu motivo de existir. Ninguém deve acreditar em algo apenas porque outro diz ser verdade, ou porque é mais agradável acreditar. Devemos coletar fatos e experiências e usar a lógica pra chegar às conclusões, sem pender a um dos extremos, o estado de nem querer ouvir sobre um assunto, tendo a certeza de que é pura baboseira, tampouco aceitando sem filtro tudo que é dito por ser coerente com o que se quer acreditar.

Acredito que as visualizações, afirmações e outros rituais são formas de comunicar algo pra nós mesmos, de definir nossas prioridades com o nosso subconsciente. Que, especialmente no ocidente, damos uma importância excessiva à mente racional e deixamos o subconsciente de lado. Acreditamos que somos nossa mente racional, somos o comandante e controlamos tudo por meio da força de vontade. Existe verdade e valor ai, de fato temos um bom material sobre como alcançar nossas metas a partir dessa premissa. Definimos as metas, com objetivo, valor e prazo, montamos planos de ação, desdobramos as atividades e definimos indicadores e forma de acompanhar o progresso. Essas ferramentas e processos são de grande utilidade, mas são uma solução incompleta. Enquanto deixarmos o subconsciente fora da equação, não estaremos com algo que realmente nos faça alcançar os objetivos.

Se fosse só seguir o consciente, toda dieta daria certo. Bastaria definir o que comer, o que não comer, uma rotina de exercícios e, pronto, em poucas semanas já se veriam os resultados. Mas as pessoas se sabotam, elas fogem da dieta, fazem num momento o oposto do que definiram lá atrás. Porque? Porque não somos apenas nossa mente racional, que decide que quer ter um corpo saudável e bonito e acabou. A verdade é mais perto do que mostra o filme da pixar “Inside Out”. Temos uma série de crenças e objetivos, muitas vezes conflitantes. Quero economizar dinheiro e ter a segurança de uma reserva financeira, ao mesmo tempo que quero viajar e aproveitar a vida gastando o que tenho. Quero estar saudável e sarado e ao mesmo tempo quero o prazer do sorvete, da pizza com os amigos. Quero aprofundar meu relacionamento e ser fiel e também quero dar vazão aos desejos que surgem com a gatinha que flertou comigo.

Todos esses conflitos existem no nosso subconsciente, e de vez em quando percebemos um ou outro, mas eles existem o tempo todo. O subconsciente tem um poder incrível. Seu coração está batendo, seu sistema imunológico combatendo corpos estranhos, milhões de funções acontecendo de forma automática. O subconsciente controla isso tudo. E muito mais, estamos ainda apenas arranhando o assunto sobre descobrir o poder do subconsciente.

O efeito placebo mostra um lado incrível do subconsciente em ação. Ao acreditar estar tomando um remédio, puramente pela conversa com um médico de jaleco branco dizendo que esse é um comprimido super potente, as pessoas tem reações físicas reais. Não estou falando apenas de melhorar uma dor de cabeça, mas de reações físicas intensas, bolhas na pele, manchas, rápida cicatrização, estancamento de sangramentos e muito mais. É um efeito real absolutamente reconhecido pela ciência. Se apenas acreditar em algo pode ter esse efeito, o que mais nossa crença influencia?

Um estudo feito numa universidade dos EUA pediu que os participantes contassem o número de imagens num jornal em um tempo curto. Quem acertasse, iria ganhar 100 dollares. Sem que eles soubessem, como em muitos experimentos, havia outra coisa sendo testada além da atenção de cada um. Em uma pequena caixa de texto em uma das páginas havia a seguinte frase “se você leu isso aqui, pare o experimento e receba 150 dollares”. Cada participante havia preenchido um questionário com informações básicas, como nome, idade, etc, mas uma aparentemente inocente pergunta dentre outras foi “Você se considera uma pessoa sortuda?”. No fim do experimento, os pesquisadores descobriram algo incrível. Separando os resultados em grupos, mais de 80% do pessoal que se considerava sortudo percebeu o texto e ganhou os $150. Do grupo que não se considerava sortudo, menos de 15% percebeu o texto. O que isso significa?

Nosso subconsciente funciona como um filtro, pois o volume de informações que nos chega a cada instante é infinitamente maior do que nosso consciente consegue lidar. São milhares de imagens, sons, cheiros, sensações, demais pra lidar a cada instante, então precisamos desse filtro. Mas o subconsciente não sabe por si só o que é bom ou ruim, ele apenas segue suas próprias crenças, as regras que você criou, sabendo ou não.

Então, no estudo, a visão periférica de todos os participantes captou o texto, todos os subconsciente perceberam. Mas apenas alguns passaram essa informação pro consciente, pois apenas pra alguns isso fazia sentido. Não existe pessoa sortuda ou não, mas existe pessoa que se considera sortuda ou não, e isso faz toda a diferença. O subconsciente ao perceber algo assim, manda essa informação pra pessoa, que do seu ponto de vista apenas nota a caixinha com o texto no jornal, fica feliz com a surpresa e alimenta imediatamente a crença na própria sorte, reforçando aquela certeza de ser sortuda no subconsciente. Já os que não se consideram sortudos, o subconsciente não manda essa informação, junto com tantas outras coisas que ele considera não-importantes.

Por exemplo, é muito fácil ouvir o próprio nome sendo falado num local barulhento. Porque? Pois o seu subconsciente foi treinado a reconhecer esse nome, ele associa a essa palavra um valor especial, e você percebe isso como o nome chegando com clareza no meio do burburinho. Seria impossível prestar atenção a dezenas de conversas que acontecem ao mesmo tempo, por isso apenas percebemos esses sons misturados, o burburinho. Se focarmos nossa atenção, até conseguimos ouvir alguma conversa, mas não mais de uma ao mesmo tempo. O subconsciente filtra todos esses sons, até ouvir um que chama a atenção, que é passado ao consciente. Quando não, ouvimos um barulho sem sentido, o burburinho, que é o barulho sem foco, tudo sendo filtrado.

E tem que ser assim. Imagina se o seu subconsciente não filtrasse e deixasse tudo passar. Toda informação o tempo todo, a roupa de cada pessoa, o tom de voz, o que é falado a cada instante, a placa de cada carro, a marca de cada ítem, todos os cheiros e textos e tudo, seria impossível viver, uma tsunami de informação a cada segundo. Só conseguimos funcionar com esses filtros reduzindo muito, muito mesmo o que nos chega ao consciente.

Essas são apenas algumas das formas que o subconsciente controla nossas vidas. Por isso que se você tem um objetivo que não é alinhado com seu subconsciente, a chance de você se sabotar em algum momento é enorme. Você diz que quer ficar rico, faz seus planos, está crescendo no trabalho, leu o livro e seguiu o planejamento, mas no dia de uma grande reunião de venda você acorda atrasado, se embola ao falar com investidores, esquece de mencionar algo, se mostra um pouco menos simpático que o normal. Azar? Não era o seu dia? É o subconsciente.

Se você tem alguma regra contra ficar rico, por exemplo, se cresceu numa família que ao passar por uma mansão falava mal dos ricaços, essas pessoas egoístas, que só dá pra ficar rico sendo desonesto, que esses milionários sempre são assim ou assado, você irá se sabotar. Repare que não foi uma regra consciente, em nenhum momento alguém chegou e disse que ser rico era errado, mas você foi observando diversas interações, o tom de voz de desprezo que pessoas que você admirava usavam, e essa regra foi se criando. O subconsciente funciona assim, ele aprende observando padrões, observa jeitos, posturas e tons de voz. Especialmente de pessoas que você admira, respeita. Ele pode criar um entendimento que “Ser rico é errado, ricos são egoístas e desonestos” ou algo assim.

E por outro lado, você teve outras experiências que te mostraram que ser rico é ótimo e o que você deseja. Sua mente racional acredita mesmo nisso. Mas é um desejo incompleto. No fundo, ou seja, no subconsciente, existe uma parte de você que não aceita isso, que luta contra. E isso se mostra na famosa auto-sabotagem. Pois você ao mesmo tempo quer e não quer algo. Como isso é possível? Pois você não é uma coisa única. Parte sua quer ficar rico, e parte despreza essa identidade e quer fugir disso.

O seu subconsciente não tem a necessidade de ser coerente o tempo todo. Ele vive com regras incoerentes, como “quero ser rico” e “não quero ser rico”. E por isso temos dúvidas, voltamos atrás, decidimos fazer dieta e em uma semana estamos comendo o que prometemos não comer na outra.

Josh Waitzkin foi um campeão de xadrez que depois virou um artista marcial. Certo dia ele quebrou o braço treinando, e os médicos disseram que ele teria que deixar o braço engessado por 4 meses. Logo depois desse período ele tinha um campeonato de luta, e ele sabia que com o braço imobilizado por tanto tempo ele iria perder músculo, e com o atrofiamento seria impossível competir. Ele resolveu testar uma forma bem particular de visualização. Todo dia ele ia se exercitar, ele malhava normalmente o braço esquerdo, que estava bom, e depois ficava visualizando o mesmo exercício com o braço direito, que estava imobilizado. Ele não mexia o braço, apenas ficava parado imaginando cada exercício, visualizando mesmo. Fez isso por 4 meses, todos os dias, e quando tirou o gesso não só o braço estava 100% recuperado, mas os músculos não tinham atrofiado. E assim ele pode participar do campeonato, e chegou na final. Ele conta em mais detalhes esse caso e outros numa entrevista no podcast do Tim Ferriss.

Outra entrevista maravilhosa é a com o Scott Adams. Ele é o cartunista criador do personagem Dilbert. A famosa tirinha de jornal deve sua existência a uma meta subconsciente. Ele conta como fez um curso sobre hipnose e o poder das afirmações diárias, e apesar de estar completamente cético, ele resolveu testar, nem que fosse apenas pra poder voltar lá e falar que era tudo besteira. O formato era de escrever 15 vezes a mesma afirmação sobre o seu desejo, todo dia. (“Eu, Scott Adams, sou um astronauta”, por exemplo).

Ele começou testando com o desejo de sair com uma mulher específica do seu trabalho que ele achava ser muito fora da sua liga. Quando conseguiu, naturalmente achou que foi uma coincidência, que ele devia estar com uma imagem errada de si mesmo, e etc. Bom, ele seguiu testando, e todas as afirmações se tornaram verdade. Ele tirou exatamente a nota que imaginou no vestibular (SAT). Ele visualizava a carta com a nota, que ele conhecia por já ter recebido antes de outros anos, visualizava exatamente a nota 94, que é o que ele sabia ser suficiente pra passar pra faculdade que ele queria. Por mais que em todos os simulados e demais provas ele nunca tivesse tirado mais que 80, ele se manteve fazendo as afirmações, e estudando e tudo o mais. Quando a carta chegou com a nota, ele ficou pasmo. 94. Cravado. Ele ficou horas olhando e olhando de novo até acreditar.

Ele seguiu com outros experimentos e num deles resolveu fazer algo mais ousado, e escreveu afirmações sobre ser um cartunista de sucesso. Escrevia todo dia 15 vezes a frase “Eu, Scott Adams, vou me tornar um cartunista famoso”. Notem que esse mercado é extremamente difícil, poucas tirinhas dão certo. É difícil ser aceito, é difícil até ter o seu material lido por alguém. Tão difícil que o Dilbert foi o maior sucesso num período de 20 anos. Ele fez afirmações sobre ter seu livro como bestseller número 1, e mesmo nunca tendo escrito nada antes, e funcionou, aconteceu.

Ele mesmo diz que não sabe como a coisa funciona, se é o viés do sobrevivente, ou seja, que quem tem a dedicação pra se manter escrevendo as afirmações até a coisa acontecer são as pessoas que estão dispostas a fazer o necessário, e logo as que conseguem. Ele diz que o papel no qual as afirmações são feitas, o número de vezes, que nada disso realmente importa. Ele conta que foi isso que ele fez e foi isso que aconteceu, tem alguns outros exemplos, mas no fim a ideia é a mesma.

Eu mesmo tenho alguns testes que fiz. A primeira vez que resolvi experimentar as afirmações eu estava querendo comprar um computador novo, e o Imac era bem caro, não lembro o preço, algo como 7 mil reais. E eu decidi que iria comprar um por 2 mil. Não sei de onde tirei esse número, acho que era o quanto eu poderia pagar. Me visualizei com o computador, fiz afirmações, e de fato um dia me veio a ideia de olhar no mercadolivre. Eu nunca tinha comprado nada nesse site, sabia que existia, mas nunca tinha entrado. Entrei, fiz uma busca, e de fato tinham algumas opções nesse preço. A maioria usado, com defeito e etc, mas um dizia ser novo, com nota fiscal, exatamente o que eu queria. Como era em SP, eu lembrei na hora que meu pai estava lá, a trabalho, e mandei uma mensagem pra ele, acho que mandei o link, não lembro ao certo, mas era apenas pra ele me dizer se achava que seria uma boa ideia ou não. Foi um sms, então eu pretendia ligar mais tarde pra explicar.

Antes disso ele me liga dizendo que comprou o computador. Quando eu mandei a mensagem ele estava almoçando e o endereço era do lado de onde ele estava. Ele foi lá, viu que era uma empresa que estava fechando, eles tinham encomendado os computadores mas faliram e estavam vendendo tudo, tipo um leilão, e esse tinha nota fiscal e tudo certinho, e meu pai resolveu comprar. Ele estar na mesma rua e outras coisas devem ter sido pura coincidência. Mas fato foi que eu consegui o computador que queria exatamente no preço que desejei.

Como funciona exatamente, eu não sei. Não sei se existe alguma coisa oculta por trás ou se é 100% o subconsciente agindo por meio de processos que eventualmente iremos compreender completamente. O fato é que funciona.

Nós já temos a maior parte das informações pra conseguir o que desejamos em nós, e o que falta é estar alinhado. Como o Scott, por mais que a média dele fosse 70 nas provas, como qualquer pessoa, ele tinha o potencial de uma nota melhor. Você tem as informações, a capacidade de focar mais, você sabe que consegue mais, mas em geral funcionamos a 50, 60% do nosso potencial, ou qualquer número bem baixo. Estamos desalinhados, fazendo mini-sabotagens pois acreditamos que é quem somos. Assim como as pessoas que se acreditam sortudas ou não, cada um de nós tem uma série de crenças sobre a nossa identidade. Quão inteligente somos, quão habilidosos, amigáveis, engraçados, talentosos e etc. Assim, nosso subconsciente nos ajuda a manter a homeostasia. Essa é a palavra técnica para equilíbrio.

Por exemplo, a sua temperatura tem que se manter constante, então se está frio o subconsciente faz você se mexer pra se esquentar, treme, faz o que for, e se estiver calor ele libera suor e etc. Ele garante que você faça o que for preciso pra ficar no patamar em que sempre esteve. O mesmo acontece com outras coisas. No livro “O Segredo da Mente Milionária” o autor fala como nós temos um termostato do dinheiro, e que as pessoas se sabotam e se ajudam de forma a ficar sempre no mesmo nível. Um caso interessante foi durante a criação do estado de Israel. O governo ajudou dois grupos de refugiados a irem pra lá. Um grupo de judeus da Rússia (na época União Soviética) e outro da Etiópia. Ambos chegaram praticamente apenas com a roupa do corpo, sem contatos, sem recursos. Em 2 anos, a maior parte dos russos estava num nível financeiro similar ao que tinham na sua terra natal. Eles ficaram mal por um tempo, pegaram diversos trabalhos braçais e foram lentamente recriando suas vidas. Já os da Etiópia, que eram paupérrimos antes de irem pra Israel, mesmo com toda a ajuda do governo continuaram no mesmo patamar de antes. Grupos nas mesmas condições e com os mesmo recursos e dificuldades, mas com mindsets bem diferentes.

Por isso é difícil uma pessoa sair da pobreza, além das diversas barreiras sociais e de preconceitos, existe uma barreira interna. É por isso que a maior parte das pessoas que ganha na mega sena retorna pro mesmo patamar financeiro depois de alguns anos. Ela se sabota, gasta mal, empresta pra quem sabe que não vai pagar, etc.

Como comecei esse texto, acredito firmemente que só alcançamos de fato um objetivo quando essa meta está alinhada com o nosso subconsciente. E existem várias formas disso acontecer. A pessoa não precisa necessariamente visualizar ou fazer afirmações. Muita gente faz isso naturalmente. Mas se observar o processo das pessoas que mudaram drasticamente de vida, perceberá que existe um padrão. Uma mudança significativa no mindset, nos padrões de pensamento, no foco, na forma de falar e agir. Isso mostra uma mudança completa, consciente e subconsciente alinhados com o mesmo objetivo.

A visualização diária e as afirmações são rituais que nos ajudam a manter o foco do que desejamos. É importante fazer isso com emoção, realmente levar a sério esse momento. E mais que isso, ser coerente, correr atrás. Se você pede algo e aparece um caminho, você tem a obrigação de seguir. Se você deseja ficar rico investindo e esbarra com um livro sobre o assunto, você tem que ler. Se ouve um trecho de conversa sobre um podcast, tem que assistir, tem que buscar e dar seguimento, não pode quebrar o fluxo, pedir e quando a porta se abre ficar com preguiça de seguir. O ritual serve não pra colocar energias ocultas em movimento, mas pra colocar em movimento a energia da única pessoa que importa na direção certa, a sua, a de quem deseja.

A pergunta que sempre me fazem quando falo sobre isso é “e porque você não tem fama e fortuna então? Não é só desejar?”. Primeiro, eu realmente nunca desejei fama e fortuna. Honestamente. Antes disso, acho importante não confundir o mensageiro com a mensagem, por isso foquei nas histórias de outras pessoas e não nas minhas. Dito isso, eu testei várias vezes e em todas funcionou, 100%. Consegui 2 vezes empregos com o salário exato que eu desejei (em períodos de crise no mercado), consegui encontros com as mulheres que quis, ganhei uma viagem pra Europa e diversas outras coisas. Porquê eu não desejei mais? Acho que cada um tem seu tempo. Eu só começo o processo quando sei que realmente quero aquilo, que estou disposto a fazer o que for necessário. Mesmo as afirmações diárias, pode parecer pouco, mas eu levo bem a sério, é um foco todo dia, não faço de forma leviana. E vou seguindo o meu ritmo, buscando me ouvir e fazer as coisas conforme o interesse surge. Não é um atalho. Se eu quiser ficar forte sei que vou ter que ir na academia e malhar pra valer. A afirmação ajuda a manter o foco, e sim, tem umas coincidência bem bizarras que acontecem, mas no final, você tem que estar disposto a trilhar o caminho.

Outra pergunta comum é sobre os detalhes. Como é que tem que fazer as afirmações? Você faz no mesmo horário, tem que fazer algum ritual, acender um incenso, tomar um banho? Eu não sei. Eu gosto de fazer de manhã quando acordo, mas sigo a linha do Scott. Acredito que o ritual tenha seu valor, mas seja menos importante. O papel que você escreve não importa, pode ser de caneta ou lápis, não precisa guardar o papel e acredito que possa ser digital. Eu sempre fiz à mão, com caneta e em papéis variados, o que tivesse na minha mesa. As visualizações eu sento, respiro fundo e visualizo, não leva mais que 2 minutos. O indicador que uso é o sentimento, se a emoção veio forte, então já posso parar.

Agora, cada um segue como achar mais confortável. Se pra você um ritual maior é importante, faça. Se prefere não fazer, não faça. O principal é a dedicação. Se você começa e abandona no meio, esquece, é um sinal de que não está fazendo direito. Mais uma vez, não que você esteja quebrando um ciclo sagrado, nada disso, mas se você esquece de um dia pro outro é um sinal de que não está fazendo a afirmação com emoção, com sentimento, com foco, ou que o desejo não te motiva tanto assim. Pois a gente não esquece o que é realmente importante, o que queremos mesmo.

Enfim, quis compartilhar aqui algumas experiências que tive e conclusões que cheguei ao fim de alguns anos de fascínio e pesquisa sobre o assunto. Não presumo saber como a coisa funciona, apresentei minha teoria de que é por meio do subconsciente, mas sei que ainda é bem incompleta. Usei a palavra subconsciente pra designar também o inconsciente, pra simplificar. Espero que seja útil, e que estimule a experimentação. No fim, cada um aprende quando coloca a coisa em prática, em movimento. É daí que vêm os resultados, da ação. Apenas um passo é um passo.

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Alguns livros que foram referências pra essa pesquisa: “O Poder da Mente Subconsciente”, de Joseph Murray, “Subliminal” do Leonard Mlodinow, “Mindset” da Carol Dweck, e “The Magic of Thinking Big” do David J. Schwartz. O podcast com as entrevistas com o Josh e o Scott é o “The Tim Ferriss Show”, apenas disponível em inglês.


Felipe Moitta

Felipe Moitta, Consultor de Gestão e Desenvolvimento Pessoal. .
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