filhos do monólito

A fluida geração que transcende à solidez (ou deveria)

Alexei Amorim

É tudo uma ficção. Pelo menos por aqui... Seja bem-vindo ao "Filhos do Monólito"!

Fascismo, cidadania e ideias (?)

Porque o fascismo que conhecíamos agora é outro e como nós o vivenciamos.


Vamos aos fatos: “Fascismo” não é só a doutrina totalitária criada por Benito Mussolini e nem quer dizer tão somente uma característica de governo; na verdade, vem de “fascio” que traduzindo quer dizer “feixe” ou, neste caso, o conjunto deles. O fascismo, agora socialmente falando, é a união de indivíduos – os feixes - que, em grupo, se tornam forte.

Pois bem. Podemos caracterizar o fascismo como a aglutinação de pessoas que têm uma característica em comum e por isso se unem, seja para defendê-la, fortificá-la ou simplesmente vivê-la. Por mais que pareça absurdo afirmar isso, o fascismo está mais vivo que nunca e todos nós, sem exceção, estamos sujeitos a ele.

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Explica-se isso pois todas as pessoas estão sujeitas a aderirem a grupos, seja por uma carência pessoal de algo que as satisfaça ou até mesmo por uma causa que as obrigue a isso - afinal, é impossível não ser parte de um grupo. E em nossa sociedade de hoje “aderir” implica em acreditar naquela ideologia, basear parte da vida naquilo e propagar essa ideia. Prova disso são as roupas que usamos, os filmes que vemos, a cultura que participamos e construímos, a música que escutamos e os livros que lemos. Todos esses elementos nos inserem em um ou mais grupos, e é justamente essa inserção que norteia nossa vida, já que é disso que nos construímos.

O fascismo hoje é um bem democrático. Foi a liberdade de expressão e a pluralidade da existência, ambas nascidas em berço democrático, que nos ofereceram um mundo repleto de estilos de vida e ideologias novas para ver, seguir ou discordar, contribuir ou oprimir. O fascismo democrático - peço licença à história para cunhar esse paradoxo doutrinário – sub-existe individualmente em cada integrante, pois a ideologia não é outorgada, e sim aceita e internalizada. A ideia vive na razão de cada um que a cria e a vive.

É justamente na liberdade das pluralidades que esse “fascismo democrático”, que não tem como símbolo um líder, mas sim a construção minimalista da impressão de cada um sobre aquilo, que uma infinitude de grupos se forma. Contudo, esse é o milagre da modernidade e a prova da adaptação social à vida cotidiana; por exemplo, o fascismo italiano da Primeira Grande Guerra que, com um sistema opressor, absolutista e homicida, largamente intolerante e brutal – além de centralizado – deixou uma herança. Os métodos de propaganda e do uso de ideologias para serem utilizados em nome da liberdade de expressão e das diversidades. O fascismo hoje é também um fruto da cidadania.

Esse novo “fascismo democrático” não tem mais um rosto, e sim uma ideia a ser defendida, um objetivo a ser conquistado ou até mesmo um direito a ser garantido. Hoje, todos nós nos unimos para chegar a um objetivo; seja com os amigos numa roda de conversa, numa rede social, num grupo de estudo ou indo às ruas gritar as suas indignações ou a dos outros. Essa espécie de fascismo nos dá terreno e força para acreditar em algo com mais veemência e com isso construir a personalidade que queremos e que precisamos.

479676-900x548-1.jpeg O aspecto fascista da frente libertária em Selma reuniu os negros em busca de igualdade social e direitos civis mais justos.

Aparentemente, valer-se desse termo tão historicamente ultrajado seria um equívoco, porém, é dos métodos desse movimento eugênico que, assim como os do Nazismo, são uma obra de arte no quesito de “internalização”. Por exemplo, na Guerra do Vietnã, os Estados Unidos da América divulgavam uma imagem deturpada dos fatos que justificavam a invasão como um fardo de dever social; isso se dava por dois métodos sistemáticos aplicados na América e no resto do mundo: ideologia e propaganda. Por meio da alienação das mídias nos campos de batalha, as informações alteradas eram passadas para o mundo afim de maquiar a realidade e as atrocidades do Exército americano para que não só os países acreditassem na eficácia e legitimidade daquele ato, mas que também os jovens americanos se sentissem no dever nacionalista de defender sua pátria. Exemplo disso é o filme “Full Metal Jacket”, de Stanley Kubrick (1987) - imagem do topo - que trabalha a temática do bom jovem nacionalista que vai à guerra para defender seu país, sua família e seus ideais e, quando lá chega, depara-se com outra realidade – tudo isso porque a conduta fascista do seu país e de seu exército, disciplinando-o e adestrando-o, o fez alimentar uma ideia.

É nessa força de persuasão que o fascismo tem seu trunfo. Dá mesma forma que ele pode ser usado para o mal, como o foi no nazismo e no Vietnã, e como o é atualmente a sharia Islâmica, ele pode ser usado para o bem e no cotidiano. Daí que temos que acreditar neste ponto de vista, pois o fascismo reencarna diariamente em diversas classes sociais com as mais variadas máscaras, sendo essas mais adequadas às políticas de Estado, às diversas expressões culturais do povo e, principalmente, à percepção e vulnerabilidade do cidadão. O bom fascismo – aquele utilizado em prol de atos éticos – é hoje uma arma que emana da mão do povo celebrando diferenças e abrindo espaço para as novas formas de vida cotidiana. O fascismo hoje é um bem democrático.


Alexei Amorim

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